O sentido da Criação


Todas as vezes que estou a refletir sobre o universo criado penso no seu sentido de ser. O que Deus quis quando criou todas as coisas? Qual a razão de ser da criatura? Para que existimos? Qual o propósito e finalidade de nossa existência?

Recuso-me a unir-me com aqueles que não encontram propósito na criação. Deus como ser perfeito não poderia ter criado algo para o nada, nem a criação poderia ser fruto da ‘ociosidade’ divina. Na verdade a criação é fruto do desejo de Deus (Apc 4.11). E qual foi esse desejo? Deus desejou a criação para Si. Deus desejou o homem para ser e estar ao seu lado (Gn 1.27). Esse desejo não é fruto de uma necessidade de Deus, é fruto do Seu Desígnio, de Sua Graça.

Deus quis o homem e o fez, esse querer é o que as escrituras chamam de amor. Deus ama sua criação desde a eternidade e nela demonstra seu eterno poder e glória. Por causa disso é que se está dito que o Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo (Ef 1.4; 1 Pe 1.20; Apc 13.8). É por causa disso que o homem recebeu o dom da liberdade de ser em Deus. Ora, é por isso que dizemos que a criação é fruto da redenção, é ato de Graça.

Deus ama o homem e o fez para Si e por esta razão preserva sua criação. É nesse amor que o homem se encontra e só nele percebe seu sentido. Fora deste amor a vida fica sem sentido, mesmo que a criatura busque sentido em outro lugar ou em si mesma não encontrará. É Deus o sentido de ser do homem.

A história humana está se desenrolando dentro desse mistério. O começo dela se deu na doação do Cordeiro de si mesmo. Sem a Cruz eterna não haveria história. A Cruz revela que o Amor é a razão da história. E esse Deus que criou e que preserva também providência todas as coisas para que sua criação alcance o propósito para qual foi criada.

Por isso creio na reconciliação de todas as coisas Nele (Ef 1.10; Fp 2.10; Cl 1.16,20; Apc 5.13). Deus me criou para Si e me conduz ao Seu encontro. Deus criou todas as coisas para Si e as conduz a Si mesmo.

Ivo Fernandes

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