quinta-feira, 27 de março de 2008

Deus em Cristo



Hoje, lendo um livro de teologia sistemática percebi o quão distante da velha “ortodoxia” e “sã doutrina” da minha infância estou. Na minha caminhada meu contato com os dois mundos, o da religião cristã-protestante-evangélica-pentecostal e o da religião-nenhuma, me permitiram não engessar minha alma, petrificar meu espírito, amarrar meus pensamentos, destruir a minha vida.

Como vivia toda a semana entre os sem religião e só alguns fins de semana com os da religião evangélica, acabei não me envolvendo realmente com ela, mas só com o que me encantava nela, que no meu caso era a figura de Deus em Cristo ou do Pai de amor por Cristo revelado.

Assim quando na juventude fui separado ao ministério e estudei teologia, aprendi de tudo, mas por nada me encantei, pois meu encanto permanecia o mesmo da infância. Dessa forma, nunca consegui me posicionar teologicamente, não era fundamentalista, não era calvinista, não era arminiano, não era pentecostal, não era dispensacionalista, não era evangélico. Continuava sendo o menino encantando com o Deus em Cristo.

Nunca tive medo de Deus. Nunca o vi como o Grande Olho que estava a minha espreita, vigiando para ver se eu pecava. Nunca vivi crises do tipo - porque Ele não fez isso? – Nunca me gastei na velha disputa entre soberania divina e livre-arbítrio humano. Nunca achei que Deus era um estraga-prazeres dos desejos juvenis. E nunca pensei que a “igreja” fosse o único lugar da terra onde havia salvação e que Deus estava preso ao catecismo cristão. A grande diferença é que antes não falava tais coisas.
A religião cristã pode se tornar o maior obstáculo à fé Nele. Ela pode ofuscar a grande revelação de Deus em Cristo por mais que muito fale dela. Lendo o livro acima citado percebi que me encanto mais com aqueles que a “igreja” declarou herege do que por quaisquer outros personagens.

Sei que essa teologia-ortodoxia-doutrina-cristã-protestante-evangélica-pentecostal que pensa em Deus a partir de seus fundamentos falíveis fazendo toda a história se resumir a uma disputa entre Deus e o mal pelas almas humanas, onde no fim Deus é quem perde, pois é a minoria dos homens que no fim são salvos, não tem nada a ver com o Deus revelado em Cristo.

Meu encanto pelo Pai em Cristo livrou-me da religião fundamentalista. Sei que somente Deus em Cristo é que pode libertar os homens da escravidão do pensamento. Quando se vê isso se sabe também que toda essa velha teologia é fruto de alianças humanas e não da Revelação.

Sou professor de teologia que sabe que somente quando a teologia se curvar diante da Revelação é que ela servirá para a Igreja. Fora isso ela continuará sendo essa potestade-muro entre os homens e a Revelação.

Acredito que assim como a “igreja” a teologia pode tornar-se uma bênção para o mundo, basta ser como criança que se encanta com o Pai de amor revelado em Cristo.

Ivo Fernandes
27 de março de 2008

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