terça-feira, 12 de agosto de 2008

Uma reflexão – confissão – oração


É impressionante nossa capacidade de julgar. Somos cheios de juízo até mesmo quando afirmamos que nossa denúncia não se dirige a pessoas e sim a fatos ou palavras ditas por elas. A verdade é que constantemente só mudamos de grupo, de time, de gueto, de bando, de religião, mas continuamos os mesmos, cheios de juízo contra o próximo. Muitos ao trocarem de grupos passam a “lançar no inferno” todos os que antes chamavam de irmãos.

Eu confesso meu pecado. Falta-me muito para ter minha língua controlada. Quantas vezes quando abrimos a boca para falar sobre quem quer que seja pensamos nos efeitos dessas palavras na vida dos indivíduos envolvidos e suas famílias?

Não quero viver uma reforma ou revolução que precise destruir o outro, seja o outro quem quer que seja. Desejo pregar o Evangelho respeitando sempre a alma do próximo. E creio que isso sim, é possível. Quero continuar com a liberdade de dizer tudo o que penso e sinto, mas sem precisar ferir quem quer que seja.

Não quero que minhas tristezas resultantes do que fizeram e fazem contra mim me tornem um ser humano amargurado que sai usando a língua como instrumento de vingança.

Desejo aprender a ouvir mais e falar menos. Quero aprender a guardar segredos. Que jamais use contra alguém o que este alguém me confidenciou, nada é mais cruel que isso. Que Deus me ajude a controlar a ira, a raiva, ou sentimentos autojustificados de vingança que impulsionam a língua ferina.

Desejo ser filho de Deus, um pacificador e não um semeador de contendas. Que não me torne tolo imaginando que é preciso denunciar o outro para poder pregar a verdade, que eu saiba que a verdade em si já é uma denúncia contra toda mentira.

Que eu aprenda o que Caio ensinou: “Grande, todavia, é a alegria daquele que segura a sua língua mesmo quando poderia vencer uma peleja mediante a confissão de um segredo do outro.”

Dá-me Senhor amor, pois ele cobre multidões de pecados. Lembra-me sempre que uma palavra dita é sem volta e pode matar vidas mesmo que a intenção não tenha sido essa.

Dá-me Senhor paciência e fé, e lembra-me que é por minhas palavras que serei julgado. E que com a medida que medi hei de ser medido. Que meus olhos estejam voltados para mim.

Ivo Fernandes
12 de agosto de 2008

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