quinta-feira, 12 de março de 2009

Conhecendo Jesus


2 Coríntios 5

Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu; Se, todavia, estando vestidos, não formos achados nus. Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados; não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. Ora, quem para isto mesmo nos preparou foi Deus, o qual nos deu também o penhor do Espírito. Por isso estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor (Porque andamos por fé, e não por vista). Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor. Pois que muito desejamos também ser-lhe agradáveis, quer presentes, quer ausentes. Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal. Assim que, sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens à fé, mas somos manifestos a Deus; e espero que nas vossas consciências sejamos também manifestos. Porque não nos recomendamos outra vez a vós; mas damos-vos ocasião de vos gloriardes de nós, para que tenhais que responder aos que se gloriam na aparência e não no coração. Porque, se enlouquecemos, é para Deus; e, se conservamos o juízo, é para vós. Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo. Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”


O século XIX viu o surgimento e o fracasso de uma busca que foi conhecida como a busca pelo Jesus histórico. A partir da afirmação que os relatos dos evangelhos estavam helenizados, e envoltos no pensamento mítico dos judeus, se tentou descobrir quem era Jesus para além da compreensão de fé dos primeiros discípulos.

O resultado desta busca foi um fracasso. O Jesus histórico para além da fé não apareceu, ao contrário, a pesquisa o distanciou mais ainda do círculo do conhecimento humano.

Quanto mais se tentava construir a imagem de um Jesus Histórico mais oculto ficava o Cristo das mentes. Bultmann (1884-1976) tentou solucionar isso apelando apenas para o Cristo da fé ou o Jesus querigmático, porém, é claro que o Jesus da História é o mesmo Cristo da fé, agora, a certeza a respeito do Cristo da fé independe dos resultados históricos oriundos dos estudos críticos do Novo Testamento. A fé garante o que a pesquisa histórica jamais vai nos dar. De que modo a fé pode ter tanta certeza? Que, realmente, pode garantir? Esse é o problema para os que insistem em fazer da sua fé uma garantia, uma obra meritória. Deixamos de pregar a salvação pelas obras, para pregar a salvação pelo conhecimento crítico-histórico.
O apóstolo Paulo que poderia de fato possuir um autêntico conhecimento histórico a respeito de Jesus já nos revela que esse tipo de conhecimento, mesmo sendo possível em sua época, não era o conhecimento fé.

Para Paulo conhecer Jesus não tinha haver com acúmulo de informações, mas com Encontro, que nos constrange pelo amor. Ou seja, sem Relação qualquer conhecimento de Jesus que se transforme em "fé" não passaria de idolatria, visto que só O conhece de fato quem com Ele se relaciona, e isso nos ambientes da alma, longe de qualquer averiguação humana.

Ter informações não nos leva ao Cristo da fé. Jesus teve diversos ouvintes, quem creu ser ele o Cristo? Ora, se era assim para os que o viam no tempo-espaço, imagine para nós.

Conhecer Jesus é uma Revelação que procede de Deus, e toda prova fica desnecessária ante tal Revelação.

Sem a Revelação nos juntaríamos aos muitos pesquisadores que não conseguem ver nada além de um bom homem frustrado em seus sonhos, idealizado por seus místicos discípulos.

Pela Revelação pouco sabemos da história humana, mas sabemos da história eterna – Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo todo!

Uma fé que dependa dos resultados das investigações históricas não pode ser chamada de dom divino. Se tentarmos fazer da fé algo que tem haver com a pesquisa humana, transformamo-la numa das mais fortes obras meritórias e temos caído da Graça.

Ivo Fernandes
12 de março de 2009

quarta-feira, 11 de março de 2009

Santidade

Texto Inicial: (1PE 1:16) - Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.

Introdução

Decidi falar de santidade hoje por perceber que na igreja evangélica são as mulheres que são mais cobradas. É sobre elas que pesa a maioria das proibições. A maioria dos homens consegue até justificar seus pecados culpando a mulher de levá-los a pecar. Assim, percebo que as mulheres estão levando um fardo pesado demais, e isso por séculos. Hoje, pela Graça de Deus, gostaria de falar o que na Verdade no Evangelho significa ser santo.

Análise do Texto

O texto que lemos nos exorta a sermos santos como o Senhor é santo, mas a pergunta que se faz é: - Como podemos ser santos como o Senhor? Ora, a resposta para essa e para todas as perguntas que temos a respeito de Deus, estão respondidas em Cristo. Sendo, assim devemos ser santos como Cristo foi. E como Cristo foi santo?

Cristo é o exemplo máximo de santidade para vida de qualquer pessoa

Vamos analisar alguns comportamentos de Cristo, a fim de aprendermos com eles:

Jesus e a pecadora que O ungiu. (Lc 7.36-50)

Neste episódio o Senhor nos mostra que ser santo não é se esquivar do próximo só porque ele não tem uma boa-reputação social, antes é permitir que sua alma se revele da forma em que se encontra.

Jesus e o homem hidrópico (Lc 14.1-6)

Neste, Ele nos ensina que mais vale a vida do que as Leis, mesmo que essas leis recebam o nome de sagrada.

Jesus entre os publicanos (Mt 9.9-13)

Neste, Ele nos mostra que ser santo não é se esquivar da vida e nem da agitação da mesma, mas no meio desse mundo agitado exercer misericórdia.

Jesus e o Leproso (Mt 8.1-4)

Aqui Jesus nos mostra que quando se é santo não se suja ou se corrompe quando tocamos o impuro, já que esse toque é um toque de amor. Aqui, as ordens se invertem. Para os judeus religiosos um homem puro se contaminava ao tocar num impuro, para os Filhos da Graça, o homem impuro é abençoado quando tocado pelas mãos daquele que o toca com amor.

Jesus nos mostrou com sua vida que para ser santo não precisamos maquiar a realidade, fingir para não ser mal interpretado. Por isso Ele não se preocupou com o que diriam a seu respeito, apenas se preocupou em ser íntegro, e ser íntegro é ser verdadeiro para com a nossa condição humana: é ter a coragem de chorar em público, como Ele chorou (Jo. 11.35), de admitir perdas e saudade (Jo. 11.36), de gritar de dor (Mt. 27.50), de confessar depressão (Mt. 26.38), de pedir ajuda (Mc. 27.50), de se confessar cansado (Jo. 4.6), de dizer tenho sede (Jo. 19.28), de confessar dificuldades familiares (Mc. 3.21;Jo. 7.1-9), de admitir que a privacidade é um direito e uma necessidade de sobrevivência (Mc. 6.30-32,45,46). Com Jesus aprendemos que até sendo alvo do silêncio de Deus podemos ser santos (Mt. 27.46).

Conclusão

Dessa forma, sabemos que a santidade que a igreja exige da maioria de nós é apenas uma performance para termos uma boa imagem para os outros, e esse tipo de atitude só faz mal para a alma. Hoje o Senhor nos convida a deixar de carregar esse fardo religioso e a semelhança Dele caminharmos com o coração pacificado no chão da existência.

Ivo Fernandes
(Mensagem ministrada no encontro de mulheres cristãs)

terça-feira, 3 de março de 2009

A Eleição como Boa-Nova


E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo. Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” 2 Co 5.14-21

A eleição e temas como a predestinação, livre-arbítrio, condenação, salvação são os que ainda geram mais polêmicas e debates nos centros de teologia. Escuto sempre nos corredores dos lugares onde dou aula essas discussões e não consigo deixar de perceber a infantilidade em torno de tudo.

Quando tais debates chegam às comunidades geram confusão e guerras doutrinárias. De fato anuncia-se uma mensagem que não traz nenhum alento para a alma, seja ela de ordem agostiniana, pelagiana, calvinista, arminiana, ou as semi - algumas delas.
Já li de tudo, e vejo que em todas as exposições não há um anúncio de Boa-Nova. Até entre os convictos calvinistas, não vejo nada além de submissão há uma doutrina no mínimo estranha, diante da revelação de Jesus Cristo.

O problema dessas “teologias” é que colocam a eleição como um meio e no meio de um processo que é iniciado no que chamam de mistério soberano, ou seja, num estado vazio, de que nada sabemos. Desta forma ficamos sem saber o que move a Deus em relação à eleição, quando na verdade a eleição está no começo, melhor, antes do começo, de qualquer coisa que se possa dizer sobre a relação de Deus com suas criaturas.

“O Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo” (1 Pe 1.18-20;Apc 13.8). Essa é a Boa-Nova, a real mensagem de salvação, a saber, Deus desde a eternidade decidiu ser Deus na forma dessa Graça para com os homens, e não de outra maneira. Desta forma podemos dizer que a Graça é, pois o começo de todas as obras de Deus que em Jesus nos foi revelada.

A eleição nos fala a respeito deste Deus de Graça, falando de outra forma, não há criatura que não tenha sua origem e existência nessa Graça. Isso de fato é uma Boa-Nova, e este é o conteúdo do Evangelho, o anúncio do sim de Deus, a revelação do Seu amor e de sua Graça aos pecadores. Em Jesus Cristo, desde a eternidade, no ato da eleição, Deus tem voltado seu rosto, de modo gracioso para os homens. Nele, Deus não é contra, mas por nós e pelo mundo. O sacrifício de Cristo não é um meio para levar a cabo a salvação de alguns, mas a própria salvação manifesta Nele de todos os homens. (Ef 1)

E onde ficaria a ira de Deus?- perguntam-me alguns. Ela se encontra no Filho. Nele a ira se acende, o juízo é pronunciado e a punição afligida, e a rejeição toma seu lugar. Assim, por meio do Não ao Filho (Mc 14.36) houve um Sim aos homens (2 Co 1.20). Em Jesus Cristo podemos crer na certeza que Deus não abandona a obra de Suas mãos.

Na Eleição em Cristo, Deus tem dado ao homem a eleição e escolhido para Si a rejeição. Deus se faz objeto de seu próprio juízo severo, condenação e morte que merecíamos, e não mais se dirige aos homens de outra forma que não seja Graça. Nossa rejeição foi vista Nele e em nós já não é mais.

Crer de outra forma é perverter a Graça e pisar o sangue da aliança (Hb 10.29). Crer de outra forma é a negação do amor de Deus, é a tentativa de fazer ressurgir a já não mais existente inimizade com Deus. Ora, isso é impossível, porém deixa o indivíduo num estado existencial de inimizade, vivendo a virtualidade da inimizade, quando a realidade já é de reconciliação.

Eleição, então, não nos fala de um negro segredo, mas de uma Graça revelada. Como homem eleito, Cristo, em sua própria humanidade, é o Deus que a todos elege Nele. Assim, o impossível aos homens foi possível por causa de Deus (Mt 19.26).

Cabe aos discípulos de Jesus contar ao mundo essa Boa-Nova, anunciar a todos a reconciliação, e por meio dela chamar a todos a obediência como fruto da alegria, do reconhecimento do amor de Deus, a fim de que experimentemos a liberdade para qual Cristo nos libertou (Gl 5.1).

Ivo Fernandes
3 de março de 2009

Casamento

Uma das queixas mais comuns que atendo na clínica terapêutica diz respeito aos casamentos. De tanta reclamação até parece ser verdade ...