quinta-feira, 30 de abril de 2009

Vida abundante


Vida abundante é uma frase das mais utilizadas pelas igrejas modernas que tentam convencer os homens que ser cristão é sinônimo de felicidade, bem-estar, prosperidade, bens, riquezas, posses. No entanto, Jesus, nunca tratou a vida dessa forma. Ele via a vida como era e mostrou o caminho de vida em meio ao estado paradoxal da existência humana.

O caminho da vida em Jesus é o caminho da negação do “si - mesmo”. Ora o “si- mesmo” é a projeção de todas as carências humanas. Negar, então, a si mesmo não é a negação de práticas quaisquer, mas de um estado que vê tudo a partir dos próprios desejos.

Vida abundante é resignificação da vida. É viver sob o prisma do Eterno. Quem vive sob este prisma já não vive a ansiedade dos tempos modernos. Já não é como um sedento que vive em buscas de águas que matem sua sede, mas ao contrário do seu interior flui um rio de águas vivas.

Viver assim não é negar o paradoxo da existência e nem as necessidades humanas que por vezes nos fazem sofrer, mas essas dores já não são mais absolutas e nem nos esmagará o ser.

Vida abundante é vida em fé. Fé no amor de Deus que nos faz descansar, nos libertando da culpa e do medo. Diante dessa vida abundante aquela vendida pelos pregadores da modernidade torna-se ridícula, pois na verdade é apenas uma ilusão.

Ivo Fernandes
28 de Abril de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O propósito de Deus – A Imagem do Homem.


Todo esquema teológico ou filosófico precisa partir de um tema a fim de que se desenvolvendo abarque todos os demais temas possíveis. Isso se chama sistematização.

Mesmo reconhecendo os limites do conhecimento humano, e a finitude que não nos deixa ver nada além de nós mesmos(Is 55.8,9), a menos que a nós seja Revelada outra verdade(Lc 10.21), assumo o risco de afirmar que todo pensar teológico precisa partir da questão do propósito de Deus.

Isso porque, partir da questão de Deus mesmo é impossível. Afinal quem é Deus? O que Deus é? Deus estará sempre acima dos conceitos que podemos fazer dele. O propósito também estará além de nossas especulações, mas acredito que de alguma maneira não estamos tateando no escuro. O propósito foi revelado.

E qual é o propósito de Deus? Conduzir os homens a imagem de Seu Filho (Rm 8.29; 2 Co 3.18; Ef 1). Sendo este o propósito tudo o mais será visto dentro dele, afinal neste processo nenhum dos seus planos podem ser impedidos (Jó 42.2).

A própria Queda deve ser vista dentro deste propósito. Afinal foi por meio desta via que nasceu a consciência e por meio dela o entendimento da Graça que sustenta.

Adão enquanto ser-antes-da-queda era algo não classificável. Sua ‘consciência’ não era uma com-ciência. Seu saber estava limitado pela não-experiência. E tudo que podemos dizer a respeito dele é que a história humana é pós-Queda.

A Queda mesmo tendo feito os homens deixarem sua condição essencial e os lançarem numa existência finita e paradoxal, os lançou também num caminho de busca – a busca pelo fundamento do ser. Habita neste ser um saber que se sabe incompleto, imperfeito, mas que o fala de um caminho possível de reconciliação com o Ser-fundamento.

A encarnação do Verbo nos fala que por este caminho é que somos conduzidos ao Fundamento. Qual o propósito da encarnação se não fosse de fato em Cristo, Deus conduzir os homens a si mesmo, levá-los a serem conforme Sua imagem.

Para isso o Espírito tem conduzido os homens a se reconciliarem com Deus, pois é somente ligado ao Fundamento que de fato o homem pode ser chamado de pleno.

Salvação é o caminho de torna-se quem se é em Cristo. Daí todo caminho que conduz o homem para um ser-que-não-se-é chama-se condenação. Salvação é tornamo-nos a melhor versão de nós mesmos, versão essa que tem seu fundamento em Deus.

Ser como Cristo é ser plenamente consciente de quem se é, de quem Deus é, e do que somos Nele. E o caminho de ser quem se é só é vida se for trilhado no solo da Graça, pois sem graça buscar saber quem se é conduz o homem a morte. Buscar saber quem se é pelo caminho da serpente é enganar-se e ver-se perdido de si mesmo e do Fundamento, o que gera toda espécie de medo, culpa, dor, confusão e morte.
Ser como Cristo é ser liberto para ser apenas o que se é. E o que se é, é aquilo que Nele somos. Nele está nossa realidade. Em Cristo se manifestou o que haveremos de ser, pois na verdade Nele já somos. Esse é o caminho dos homens a Deus, uma jornada de transformação de glória em glória.

Em Jesus, Deus nos mostrou Sua face. Em Jesus, Deus também revelou a nossa. E não somente o fim, mas o caminho, afinal se somos o que somos Nele, não poderá haver outro caminho que não seja Ele mesmo.

Ivo Fernandes
1 de abril de 2009

1 Coríntios – Uma síntese

A Certeza Deus é fiel (1.9) A Promessa Ele os conservará firmes até o fim, de modo que sereis irrepreensíveis no Dia de no...