quarta-feira, 29 de julho de 2009

A Ética do Reino e a questão do pecado


Jesus Cristo é Deus Revelado, História Revelada e Homem Revelado. E como homem revelado é Nele que se manifesta o Homem Real, mas aqui faço uma distinção do homem ideal, conforme o modelo platônico, pois este é referência para juízo das cópias, àquele é realidade para pôr fim ao que não é. Daí, todo homem não conformado à imagem do Homem Real não ser Homem Pleno, resultando disto o Homem Pecado. No homem ideal nasce a possibilidade do juízo, no homem real, por nos escapar enquanto referência não temos como fazer tal juízo, pois o homem pecado só pode saber do real mediante o Espírito e não por referência.

O homem pecado é o mesmo desintegrado da realidade, é o homem em desarmonia, senhor de si – mesmo – que é imagem – e não do eu. É o homem que vive à margem do Real e por isso é filho da morte, escravo do pecado, filho do diabo.

Somente quando o homem pecado é exposto ao Homem Revelado e que O reconhece é que a conversão se processa. É no reconhecimento de quem não somos que está o arrependimento. Não há verdadeira metanóia sem a consciência da culpa que só se manifesta ante o Homem Revelado. E isso é Graça, visto ser impossível ao homem pecado tal consciência ser gerada por si mesmo.

Pecado tratado apenas como ato é diminuição de fato do pecado. O pecado é o que sou enquanto si mesmo, sendo o que faço apenas consequência natural disso. Sem confissão do pecado do si mesmo não há conformação ao Homem Revelado.

Quando se mantém o foco no pecado-ato nasce à moral humana com seus meios de julgar os homens os separando em categorias. Todo juízo nasce da moral humana e toda moral nasce da diminuição do pecado em categorias-atos e não em existência-essencial. Quando reconhecemos o pecado que somos o meu pecado é o pecado de todos e o pecado de todos é o meu pecado.

Sem a confissão do pecado que sou em si mesmo, ficaremos presos nas polaridades dos juízos humanos. Por tudo isso é que se está dito que não há um justo sequer. Nada que o homem faça o justifica, seu estado é essencial e não acidental. Assim todo homem só está justificado em Cristo e jamais fora Dele.

Somos salvos pela Graça, mediante a fé, porque nossa salvação está num fundamento fora de nós. Só no Homem Revelado somos e estamos sendo salvos.

Ivo Fernandes
29 de julho de 2009

(Reescrito em 17 de maio de 2016)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Deixei de ser evangélico


Há algumas semanas atrás alguém me falou que concordava com tudo que eu ensinava mais não gostava de eu não mais me denominar evangélico. Chegou a dizer que isso era uma mania do Caio seguida pelos seus discípulos. Lamentei por ver que alguém tão próximo nada sabe a meu respeito.

A verdade é que nem gostaria de estar mais escrevendo um texto sobre isso. Espero que em breve seja eu esquecido entre estes que insistem nos rótulos. Não deixei de ser evangélico de um momento pro outro. Meus diários são as provas desse meu caminho que há muito vinha trilhando em silêncio.

Não sou mais evangélico porque já não suporto ouvir as mensagens dos pregadores que representam este movimento. Nem abro mais os emails que me enviam com vídeos e notícias dos mesmos. De fato não quero mais saber.

Mas o fato de não ser mais pertencente a este movimento não é a negação do meu passado, e nem a afirmação de que Deus não é Senhor destes. Pelo contrário, continuo amando a minha história. Continuo lembrando com saudades dos tempos da minha infância e da igreja de bancos feitos de tronco de árvores. Lembro das lágrimas derramadas em consagrações pela manhã, dos louvores que até hoje canto, da oração sincera dos irmãos.

Porém hoje, e já não acredito que isso vá mudar, tudo é um grande mercado. Meu Deus! as músicas são pobres e muitas vezes atentam contra o espírito do Evangelho. Não suporto mais hinos de guerra ou de vitória certa.

Não consigo mais conviver com os “moralistas”, com os “fundamentalistas” que manipulam a vida das pessoas por meio do que eles chamam de sã doutrina. Não suporto mais ver almas sendo condenadas ao fogo do inferno por estes que praticam coisas bem piores do que aquilo pelo qual eles estão condenando as pessoas.

Deixar de ser evangélico não é negar a fé, antes é afirmá-la. Eu Creio no Deus de Amor revelado no Filho e na Salvação dos homens realizada Nele. Eu Creio no poder do Espírito Santo que distribui dons a fim que Sua Igreja seja edificada. Eu Creio na Ressurreição e na Vida Eterna.

Mas eu não creio na certeza dos homens. Não faço da minha teologia a minha fé. Não acredito na condenação por causa da informação. Não creio que a salvação depende da informação. E sei que toda interpretação é relativa. Não creio na doutrina fundamentalista da inerrância das Escrituras. Não confundo Deus com textos.

Não posso mais viver tentando encaixar Deus nos meus moldes. Deus é livre. Já não consigo conviver com nada que não respeite essa liberdade de Deus. Também já não quero ouvir o deus-explicação. Quero andar por fé.

Deixei de ser evangélico por que quero andar com esse Deus que é livre. Quero me deliciar com a Palavra esteja ela na bíblia ou nas músicas do Raul Seixas. Deixei de ser evangélico por que o deus muitas vezes apresentado não me encanta e na verdade nem me assusta. Não amo o deus que se parece com o pior da natureza humana.

Sigo feliz pelo Caminho. A cada dia é uma descoberta e a cada dia descubro que ainda não descobri nada. A cada dia é um mistério. A cada dia entendo mais que Deus está bem mais próximo do que podia imaginar. Ele está nos livros que leio, nas piadas que me fazem rir, nas músicas que me tocam, na oração silenciosa, e principalmente no próximo com quem me relaciono.

Deixei de ser evangélico, mas não deixei o Evangelho. E qual minha religião hoje? Caminho da Graça? Não! O Caminho da Graça é apenas um nome para minha caminhada individual e coletiva. Não é minha igreja, não é meu clube, não é minha religião. Jamais prenderei a minha alma. Hoje ela segue o Vento. E a fé que tenho, tenho para mim mesmo, mas se você quiser no Caminho eu conto.

Ivo Fernandes
14 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

As profecias


Minha vida foi cercada pelas profecias, desde criança que escuto profetas falarem do meu destino, desde o ministério até casamentos, desde viagens até bens que possuiria. A maioria dessas profecias nunca se realizou, e outras aconteceram justamente o oposto, porém eu creio em profecias, mas já não tenho crido nos profetas do meu tempo.

Hoje não busco mais profecias, pois sei que profecias legítimas me procuram e não eu a elas. Os que buscam profetas são os mesmos que outrora buscavam cartomantes ou toda espécie de adivinhos e que agora se sentem mais cristãos por o tal indivíduo adivinhar em nome de Jesus.

Já vi muita coisa para saber que a maioria desses profetas anuncia toda espécie de coisa a fim de seu nome ser honrado. Vi profetas que se perderam na necessidade de manter o público e para isso começaram a profetizar falsamente. Já vi profeta surtado a ponto de afirmar que Deus honraria até suas invenções.

A maioria das pessoas que os consultam é frágil no entendimento e ficam admiradas com a capacidade de eles saberem de coisas que só os mesmos sabiam. Faltam-lhes informações sobre os poderes da mente e das energias que nos cercam, além de falta de entendimento da Palavra.

Profecias legítimas carregam o espírito da Palavra e jamais vão contra a mesma. O resto é adivinhação de profissionais, é um jeito de legitimizar bruxaria dentro do cristianismo.

Hoje vivo pela fé e não pela profecia. Sei o que essas coisas todas já me fizeram. Sei que Deus fala com os seus e fala de muitos modos que não confundem, mas não há outro melhor lugar de comunicação que o próprio Cristo a revelação de Deus e de sua vontade.

Ivo Fernandes
1 de julho de 2009

O papel das emoções no desenvolvimento do câncer

O tema proposto ainda é motivo de discussões entre especialistas, apesar da crescente admissão da relação entre as emoções e as doença...