quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A teologia é inimiga da Fé?


Algumas pessoas argumentam como eu sendo professor de teologia consigo conviver com as duras críticas que o Caio Fábio faz a mesma, sendo eu mesmo participante do movimento que tem ele como mentor. E minha resposta quase sempre choca as pessoas, pois afirmo que concordo com o Caio, pois sei que ele dirige toda a sua crítica à teologia que se arroga o direito de senhora do saber, dona da Verdade. Porém, existe aquilo que podemos chamar de “boa teologia”.


A teologia pelo significado do termo é o estudo sobre Deus, porém ao termo “Deus” pode ser atribuído os mais variados sentidos. Desta forma não podemos falar de uma teologia, mas de teologias. E mais, por ser “Deus” em seus mais diferentes aspectos uma realidade da qual nenhum homem se esquiva podemos dizer que todo homem é um teólogo.


A diferença entre as teologias será mais de posição do que de apresentação, afinal todas, ou pelo menos a grande maioria proclama para si o direito de ser a única correta ou a melhor. Sendo assim para mim, a boa teologia será justamente aquela que não chamar para si tal direito. É aquela que está voltada para Deus como Senhor da Misericórdia, que alcança os homens independente de suas teologias.


A boa teologia, para mim, é aquela que tem somente por assunto as ações de Deus na história. Sim, as ações, porque Deus mesmo não pode ser coisificado, tornado idéia, princípio, conjunto de doutrinas. Deus é sempre maior do que nosso pensamento a respeito Dele e ainda sim Livre para Ser o que quiser até mesmo menor do que possamos pensá-lo.


A boa teologia é na verdade uma teantropologia, ou seja, o estudo do homem em relação a Deus.Diante de Deus toda teologia não passa de uma analogia humana. São especulações humanas, é uma resposta ante ao Mistério e não o Mistério em si, é uma palavra e não a Palavra. E toda boa teologia sabe isso de si, não arroga para si o título de autêntica, nem mesmo pensa interpretar legitimamente a Palavra, na verdade é justamente em sua fraqueza que a teologia confirma a Palavra e não em suas certezas.


A Palavra é Deus falando aos seres humanos quer esses ouçam ou não. A teologia é o homem falando. A Palavra é a Boa-Nova, a boa teologia é um anúncio da Boa-Nova e não a Boa-Nova mesmo. A Boa-Nova é a revelação de Deus como Pai e Senhor e do homem como criatura e filho. É da Aliança entre Deus e o homem que trata a Palavra, a boa teologia deve prestar serviço a essa Aliança.


A nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias, nem depende do nosso entendimento da “doutrina”. Não é a informação sobre Cristo que salva, mas a própria pessoa de Cristo. A boa teologia será aquela que consciente disso fará o que lhe impossível não fazer, refletir sobre a Fé. Na verdade, essa é a impossibilidade dos homens. Fomos criados como seres pensantes, ignorar isso é um desastre, porém a boa teologia sabe da limitação do pensamento humano.


O homem encontra-se com a Palavra e este fato inevitavelmente será interpretado. Foi da interpretação do encontro com o Cristo Vivo que nasceu a doutrina cristológica, e quem poderia dizer que ela não nos serve?


Quando Paulo afirma que Jesus “foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4:25), de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. Isto é o que se vê em toda a Escritura, especialmente nas epístolas. Porém é o fato que deve está em evidência não a apresentação doutrinária do fato. Afinal o fato ganha sempre novas dimensões onde assim Deus aprouver, visto que Deus não está preso a nenhum grupo étnico, religião, tempo ou espaço.


A teologia será inimiga da fé todas às vezes que esquecer seu lugar de serva da Palavra que é Livre, mas lhe será útil todas às vezes que em sua limitação conduzir o home até o lugar onde tudo fica cativo a Cristo.


Ivo Fernandes

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