segunda-feira, 29 de março de 2010

O fim do mundo


A partir da leitura do livro de Isaias podemos concluir que o fim do mundo significa:

1. O fim de toda corrupção e injustiça e impiedade (1.25-28; 32.1-5; 51.4-8)
2. O fim de toda ignorância a respeito de Deus, ou seja, da Verdade. (2. 3; 29.18,24)
3. O fim de toda guerra entre os povos. (2.4; 32.15-20)
4. O fim de todo orgulho e altivez humana (2.17)
5. O fim de toda idolatria (2.18-20)
6. O fim de toda desigualdade (11.6-9)
7. O fim da carência dos pobres e de seus sofrimentos (25.6,8; 29.19,20)
8. O fim de toda tragédia humana (35.5-10;54.1-10;55.12,13
9. O fim da presente ordem (66.22)
10. O fim da religião (Apc 21.22)

Quem tem essa Utopia? Feliz aquele que nisto crer, pois consegue ver o que a maioria nem suspeita. Utopia não é mero desejo, nem mero sonho, nem mera visão profética, mas um fator de transformação. A grande missão da utopia é abrir lugar para o possível, em contraposição à aquisciência passiva ao estado atual da vida humana.

Alguns alardeiam o fim do mundo, mas na verdade o reedificam constantemente com suas práticas injustas. Sim porque o mundo é um sistema movido pelo espírito da ganância, mentira, opressão, morte, ou seja, o diabo, pois tudo que há no mundo é a concupiscência da carne, dos olhos e a soberba da vida (1 Jo 2.16). O fim do mundo se dará na morte do “si - mesmo” e no renascimento do Eu-Tu-Nele. Quando se morre então se vive. O fim do mundo é morte e vida, daí os textos sempre se referirem a acontecimentos terríveis intercalados de acontecimentos maravilhosos.

Jesus disse que seu Reino não era deste mundo (Jo 18.36). Disse também que seus discípulos não eram deste mundo (Jo 15.19). Exortou-nos a persistir no bem porque Ele havia vencido o mundo (Jo 16.33).

O apostolo Paulo nos ensinou que o mundo está crucificado para nós na cruz de Cristo (Gl 6.14).

João nos admoestou que quem ama a Deus não pode amar o mundo (1 Jo 2.15)

Mas como podemos vencer o mundo, estando no mundo? João disse que aquele que é nascido de Deus vence o mundo, e essa é a arma que vence o mundo a nossa fé (1 Jo 5.14).

O fim do mundo é o começo do Reino.

Ivo Fernandes
27 de março de 2010

segunda-feira, 22 de março de 2010

Um momento de confissão


Hoje abri meus emails depois de dias em que evitei isso. Nos últimos dias evitei quase tudo, busquei o silêncio, o mar, a mim mesmo. Hoje pensei em escrever alguma coisa, mas não consegui. Só há espaço para confissão.

Confesso que minha alma está cansada. Mesmo tendo reinventado minha história e a recontado tantas vezes, existe uma falta, uma ausência presente de algo que não se nomeia, mas que se revela na ausência do pai, dos amigos, da parceria, da aceitação, do amor.

Envelheci anos em semanas quando fui ferido repetidamente por aqueles a quem dei a minha vida. Quantas lágrimas derramadas, em quartos secretos, em banheiros fechados, nas madrugadas da minha história.

Aos poucos fui perdendo tudo que configurava minha velha vida, mas confesso que ainda não tenho uma nova, não dentro de mim. Estou profundamente cansado por ter tentando sustentar a muitos respirando enquanto estava submerso em águas frias.

A solidão que antes considerava amiga tornou-se inimiga, e de repente o fogo apagou-se e sinto frio. Porém minha fé continua intacta, crescente e apesar da contradição dessa afirmação, estou em paz com Deus e em Deus.

Amigos, não percam tempo tentando entender ou mesmo descobrir causas que só encontrariam se vissem para além do que se vê. Essa confissão não pretende ser respondida. Meus amigos não precisam me escrever nada, apenas não se escandalizem com minha fraqueza, não transformem minha humanidade em algo maligno.

Ivo Fernandes
22 de março de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

Por falar em flores


Acabei de ler um texto que uma amiga escreveu e me enviou com o título “sobre flores e amizades”. Foi interessante ler esse texto num momento onde tenho muito pensando em flores, amizades e amores, isso porque estava meditando na letra da canção “flores” do Titãs.

Enquanto ouvia e meditava na canção lembrava-me dos amigos e amores. Nada é e foi mais presente na minha vida do que a percepção de minha solidão. Desde a infância que vivia sozinho, não porque não gostasse da companhia dos outros, pelo contrário. Porém, fui criado por duas mulheres de gerações diferentes, que por causa de muitos acontecimentos prefiriam o silêncio e a reclusão. Também possuía características pessoais que me diferenciava dos grupos, a razão de ser excluído de muitos. Então criei meu mundo, cheios de personagens por mim representados, até hoje sei que é a imaginação o poder que me sustenta em períodos de confusão e medo.

Por todas essas razões não tenho amigos de infância, exceto um que conheci por volta dos meus 14 anos e até hoje o amo com amor sincero. Como comecei a pregar aos 15 anos, minhas relações de amizades eram todas mediadas por transferências e totemização, e por isso quando abri mão de toda imagem, os amigos se foram.

Apesar de tudo isso nada me impede de continuar amando e me relacionando com verdade com todos os amigos que vão aparecendo, mesmo que muitos passem e desapareçam na mesma velocidade com que os amei.
Lamento pelos que se foram porque não puderam suportar minha humanidade. Lamento por aqueles que se foram porque já não tinha o que oferecê-los. Lamento pelos que me julgaram quando não correspondi as suas expectativas.

Esse não é um texto de lamento. Primeiro, me acostumei com o silêncio, e a solidão já é uma companheira. Segundo, há sempre amigos chegando. Sorrisos e histórias compartilhadas. E já não sofro das angústias e medos de perdê-los.

E para não dizer que não falei das flores, a música diz que “flores de plástico não morrem”. Sim, não morrem por que nunca viveram. Enquanto as amizades, prefiro as que podem morrer àquelas que existem como denúncia da ausência das verdadeiras.

Ivo Fernandes
9 de março de 2010

Ídolos – da construção à necessidade de destruí-los

O termo ídolo não é um termo usado em nossa nação comumente. Aparece mais nos discursos evangélicos numa referência a qualquer entidad...