Por falar em flores


Acabei de ler um texto que uma amiga escreveu e me enviou com o título “sobre flores e amizades”. Foi interessante ler esse texto num momento onde tenho muito pensando em flores, amizades e amores, isso porque estava meditando na letra da canção “flores” do Titãs.

Enquanto ouvia e meditava na canção lembrava-me dos amigos e amores. Nada é e foi mais presente na minha vida do que a percepção de minha solidão. Desde a infância que vivia sozinho, não porque não gostasse da companhia dos outros, pelo contrário. Porém, fui criado por duas mulheres de gerações diferentes, que por causa de muitos acontecimentos prefiriam o silêncio e a reclusão. Também possuía características pessoais que me diferenciava dos grupos, a razão de ser excluído de muitos. Então criei meu mundo, cheios de personagens por mim representados, até hoje sei que é a imaginação o poder que me sustenta em períodos de confusão e medo.

Por todas essas razões não tenho amigos de infância, exceto um que conheci por volta dos meus 14 anos e até hoje o amo com amor sincero. Como comecei a pregar aos 15 anos, minhas relações de amizades eram todas mediadas por transferências e totemização, e por isso quando abri mão de toda imagem, os amigos se foram.

Apesar de tudo isso nada me impede de continuar amando e me relacionando com verdade com todos os amigos que vão aparecendo, mesmo que muitos passem e desapareçam na mesma velocidade com que os amei.
Lamento pelos que se foram porque não puderam suportar minha humanidade. Lamento por aqueles que se foram porque já não tinha o que oferecê-los. Lamento pelos que me julgaram quando não correspondi as suas expectativas.

Esse não é um texto de lamento. Primeiro, me acostumei com o silêncio, e a solidão já é uma companheira. Segundo, há sempre amigos chegando. Sorrisos e histórias compartilhadas. E já não sofro das angústias e medos de perdê-los.

E para não dizer que não falei das flores, a música diz que “flores de plástico não morrem”. Sim, não morrem por que nunca viveram. Enquanto as amizades, prefiro as que podem morrer àquelas que existem como denúncia da ausência das verdadeiras.

Ivo Fernandes
9 de março de 2010

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