terça-feira, 27 de abril de 2010

O lugar da autoridade


Mt 23.8-11.
“Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos. E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus. Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo.”

As massas possuem uma poderosa necessidade de uma autoridade que possam admirar, prestar culto, obedecer, seguir. E quanto mais for empobrecida a individualidade de cada pessoa, mas buscarão o apoio nestas autoridades.

Tais autoridades aproveitam-se e realizam a tentação da nossa natureza humana – ser como Deus, estar no seu lugar. No entanto, a própria idéia que esta autoridade tem de Deus é equivocada, pois Deus é poderoso justamente porque não tem necessidade alguma de exercer seu “controle” sobre os outros. Autoritarismo é na verdade fraqueza.

Nos Evangelhos a figura de uma autoridade que governe sobre os outros é completamente anulada. Neles se anuncia uma sociedade igualitária, uma sociedade de irmãos, onde o culto a personalidade não tem vez, onde a autoridade seja tão-somente função social, onde a obediência torne-se disposição para servir e não submissão do homem ao homem.

Ivo Fernandes
25 de março de 2009

terça-feira, 20 de abril de 2010

O custo do discipulado e minha hipocrisia


Quanto mais me debruço sobre o significado do Reino mais ganho consciência de minha hipocrisia. A proposta de Jesus é radical, o abandono de todo esquema individual pela completa compreensão do coletivo. Porém sou mais um na multidão dos ouvintes que ignoram sua mensagem e aguardam qualquer milagre que seja. Não faço parte do minoritário grupo de discípulos que deixaram tudo e O seguiram.

Meu arrependimento tornou-se algo moral e ignorei o fato que se tratava de uma mudança radical de valores. Sou ouvinte, mas não praticante dos mandamentos de Jesus. Faço parte da religião cristã, mas não dos que carregam no corpo as marcas de Cristo.

Talvez alguns leitores pensarão que estou exagerando, e que Jesus não fez uma proposta tão radical assim. Querem fazer do ‘tudo’ de Jesus algo que signifique menos, e como sempre tentamos encaixotar Deus em nossos conceitos e desejos.

Fiz a conta do discipulado e percebi que não estou disposto a tanto. Isso me põe num dilema, pois não consigo seguir os passos do Mestre, mas não consigo Dele me ausentar.
Será ser preciso que a perseguição me alcance e a tragédia me tome para que enfim aprenda a ser discípulo? Quando será que radicalmente abrirei mão de tudo?

Alguns me dirão que não existem pessoas assim, isso porque estão acostumadas apenas com os bons cristãos que pregam belas mensagens ao mesmo tempo em que lutam para sustentar seu padrão de vida. Porém existe sim, um grupo de discípulos que não sabemos nomes, mas que são conhecidos pelos céus. Os heróis de nosso tempo, nossos exemplos são meras ilusões que nos mantém presos a um estilo de vida contrário ao Reino, na medida em que eles mesmos também se mantêm.

Confesso que sou apenas um pregador profissional e isso faz de mim um hipócrita, pois falo do que sei, mas não do que faço. Ainda não me arrependi, sendo apenas um filho do mundo, que vislumbra o Reino, mas não o toma pela força, pois gasta todo seu tempo em manter a sua vida confortável.

Quando me esvaziarei de tudo para entrar no Reino que tem suas portas do tamanho dos buracos das agulhas? Deus, quem pode salvar-se? Aos homens isso é impossível.

Ivo Fernandes
20 de abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A cruz


Em várias partes do mundo a cruz é um símbolo que representa a união dos opostos, sendo um dos símbolos humanos mais antigos e é usado por diversas religiões. No cristianismo a cruz se tornou seu principal símbolo. Muitos cristãos primitivos mandavam gravar em seu corpo uma tatuagem da cruz, e em diversos ritos o símbolo da cruz é ministrado.

Teologicamente a cruz é interpretada de diversas formas, porém acredito que nenhuma delas é mais plena de significados universais que sendo vista como símbolo da unidade revelada em Cristo, onde todas as contradições e opostos de nossa existência são unificadas.

Na cruz a Vida encontrou a morte, o céu encontrou a terra, Deus encontrou o homem. Na união desses opostos está revelado a unificação dos opostos que encontramos dentro de nós. É o fim do si-mesmo e o nascimento do Eu-Tu-Nele.

Carregar a cruz é primeiro aceitar nossas contradições. Toda negação de nossa natureza corresponde a negação da cruz e vice-versa. Depois de aceito nos entregamos ao Deus Incompreensível, tal como Cristo que depois que sente o abandono de Deus entrega seu espiríto ao Pai. Só quando aceitamos nossa natureza contraditória e confiamos no mistério do amor de Deus é que somos salvos.

Compreendendo tudo isso partimos para a unidade entre os povos com suas culturas, religiões, classes sociais, pois na mesma cruz onde nos tornamos unidade, Deus fez de muitos povos um só, destruindo toda inimizade e os muros de separação.

Ivo Fernandes
15 de abril de 2010

A justificação pela fé – uma exposição no Caminho

Leitura:  Romanos capítulos 1 a 3 A doutrina da justificação pela fé é um dos principais pilares da fé cristã, em especial a prote...