segunda-feira, 31 de maio de 2010

Tempos meus


Na tarde do dia 25 de maio caminhava na mesma praia que caminho por todos esses anos. O vento, meus pés banhados pelas águas, o som do oceano. Foi caminhando por estas terras sagradas que abri meu coração ao Eterno e no passar dos tempos minha oração foi saindo da simplicidade para a complexidade, e enfim chegou ao silêncio. Ali diante do Ser que É, não tinha nada a dizer, um silêncio constrangedor e revelador me tomava.

Eu havia mudado, pela primeira vez me percebi outro, diferente de tudo que durante muitos anos insisti pensar sobre mim. Já não era mais um menino, e como homem não podia negar o que me alcançava como compreensão. E ali diante do Infinito confessei minha frágil descoberta pessoal, que me fazia drasticamente diferente de tudo que antes fui e pensei.

Por essa razão, aos amigos que tiveram seus pedidos negados para que eu participasse de encontros de líderes religiosos peço perdão, mas não posso mais trair minha alma. Os temas que vocês abordam não mais me interessam. Cansei desses ambientes onde a Verdade é um conceito de posse de alguns, ou mesmo uma pessoa que só alguns conhecem. Já não tenho mais certezas, exceto a do Amor, onde toda discussão acaba.

Aos amigos que me alertaram sobre o que eu estava perdendo com minhas atitudes agradeço pela preocupação. Não mais desejo as nações, nem os aplausos e nem os auditórios lotados. Quero mesmo continuar indo à praia do encontro. Quero a simplicidade das conversas leves que não se pretendem ser outra coisa além de uma boa conversa. Quero ouvir boa música. Quero brincar com minhas filhas. Quero me sentir vivo e integrante desse mundo, complexo porém magnífico.

Não me chamem para congressos, cultos ou qualquer outro evento que tenham a intenção de “converter” alguém a ideologia evangélica. A única conversão que desejo para todos é a conversão ao Amor, e nenhuma outra mais. Não quero um mundo cristão, muito menos evangélico, quero o Reino de Deus.

E os amigos que querem que eu aproveite esse tempo e crie algo novo, agradeço pelos conselhos. Mas não quero criar nada. Não desejo instituições e nada que aprisione a vida em termos e textos.

E aos que se preocupam com meu destino eterno, peço que abandonem tal preocupação. Estou destinado a ser quem sou, no longo caminho de ir-sendo. Não se inquietem com que escrevo, ou digo, não têm a intenção de gerar guerras teológicas. O que penso, penso de mim e para mim. Já abandonei o barco, mas meu coração continua crente no Ser que dá sentido a minha caminhada.

Ivo Fernandes
28 de maio de 2010

2 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

Excelente, Ivo!! "Eu quero o Reino de Deus". Mas não cabe perguntar também, "Qual Deus"?

Ivo Fernandes disse...

Sem dúvida mano, o meu Deus é o que me faz entender que não é meu somente, mas de todos os homens.

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