segunda-feira, 19 de julho de 2010

Jesus: esperança para as cidades


Cidade é uma área urbanizada, que se diferencia de vilas e outras entidades urbanas através de vários critérios, os quais incluem população, densidade populacional ou estatuto legal, embora sua clara definição não seja precisa, sendo alvo de discussões diversas. A população de uma cidade varia entre as poucas centenas de habitantes até a dezena de milhão de habitantes. As cidades são as áreas mais densamente povoadas do mundo. Sociedades que vivem em cidades são frequentemente chamadas de civilizações.

As primeiras cidades conhecidas apareceram na Mesopotâmia, tais como Ur, ao longo do Rio Nilo, na Civilização do Vale do Indo e na China, entre aproximadamente sete a cinco mil anos atrás, geralmente resultante do crescimento de pequenos vilarejos e/ou da fusão de pequenos assentamentos entre si. Antes desta época, assentamentos raramente alcançavam tamanho significativo, embora exceções como Jericó, existam. O crescimento de impérios antigos e medievais levou ao aparecimento de grandes cidades capitais e sedes de administração provincial, como Babilônia, Roma, Antioquia, Alexandria, Cartago, Selêucida do Tigre, Pataliputra (localizada na atual Índia), Changan (localizada na atual República Popular da China), Constantinopla (atual Istambul), e, posteriormente e sucessivamente, diversas cidades chinesas e indianas aproximando-se ou mesmo superando a marca do meio milhão de habitantes. Roma possuía mais de um milhão de habitantes no século I a.C., sendo considerada por muitos como a única cidade a superar esta marca até o início da Revolução Industrial.

Durante a Idade Média na Europa, uma cidade era tanto uma entidade político-administrativa como um agrupamento de casas. Morar nas cidades passou a ser considerada um ato de liberdade, em relação às obrigações rurais para o Senhor e para a comunidade feudal à época. Stadtluft macht frei (O ar das cidades torna você livre) era um ditado popular em regiões da atual Alemanha.

A maioria das cidades do mundo, após a ascensão do feudalismo, eram pequenas em termos de população, sendo que em 1500, existiam somente aproximadamente duas dúzias de cidades com mais do que cem mil habitantes. Em 1700, este número era pouco menor do que quarenta, um número que pularia para 300 em 1900, graças à Revolução Industrial.

O início da Revolução Industrial e a ascensão e o crescimento da indústria moderna, no final do século XVIII, levou à massiva urbanização e à ascensão de novas grandes cidades, primeiramente na Europa, e posteriormente em outras regiões, na medida em que as novas oportunidades geradas nas cidades fizeram com que grandes números de migrantes provenientes de comunidades rurais instalassem-se em áreas urbanas.

Os principais problemas socioculturais que as cidades enfrentam são a criminalidade, a pobreza, e atritos entre diferentes grupos étnico-raciais e/ou culturais. Além disso a maioria das grandes cidades enfrenta um grave problema ambiental: a poluição atmosférica. Algumas cidades geram tanta poluição que o ar acaba por tornar-se saturado de materiais exógenos, criando uma névoa espessa, de cor acinzentada denominada smog.

O pesado tráfego de veículos é a principal causa da poluição atmosférica nas cidades. A poluição atmosférica, gerada pelas indústrias e veículos motorizados, é uma séria ameaça à saúde dos habitantes de um dado lugar, sendo responsável pela deflagração de inúmeros problemas como alergias, doenças respiratórias, cardiopatias, stress, entre outros.

E junto a esse quadro temos a constatação que o cristianismo está presente na maioria das cidades do mundo como uma das religiões mais representativas das cidades. Não há um continente onde o cristianismo não tenha chegado. Atualmente America Latina e África são os dois centros mundiais do cristianismo. Estranhamente os continentes mais conflituosos principalmente do ponto de vista social que temos. E quanto as cidades ocidentais sabemos que o cristianismo desempenhou importante papel na formação delas. A primeira nação a adotar o cristianismo como religião oficial foi a Armênia, fundando a Igreja Ortodoxa Armênia, em 301.

No início do século XXI o cristianismo conta com entre 1,5 bilhão e 2,1 bilhões de seguidores, representando cerca de um quarto a um terço da população mundial, e é uma das maiores religiões do mundo. O cristianismo também é a religião de Estado de diversos países.

Sendo assim não podemos apresentar o cristianismo como esperança das cidades, já que na verdade na maior parte do mundo os dois estão intimamentes ligados e se confudem em muitos aspectos. Precisamos então, diferenciarmos Jesus do cristianismo, ou melhor mostrar a diferença entre os dois, e apresentar Jesus como esperança para as cidades.

É importante salientarmos que Jesus não fundou o Cristianismo, e que o que chamamos hoje de Cristianismo é uma construção religiosa humana, feita pelos seguidores de Jesus ao longo de mais de dois mil anos de história. O que chamamos hoje de Cristianismo está profundamente afetado por pelo menos três grandes eras: a era de Constantino, a era da Reforma Protestante e a era dos Avivamentos na Inglaterra e nos Estados Unidos, sendo praticamente impossível saber a distância que existe entre o que Jesus tinha em mente quando declarou que edificaria a sua Eclésia e o que temos hoje como Cristianismo Católico Romano, Protestante, Ortodoxo, Pentecostal, Neopentecostal e Para-eclesiásticos.

Então todas as vezes que esquecemos isso e nos envolvemos apenas com a missão de expansão dos ministérios religiosos que fazemos parte não contribuímos para a transformação real das cidades, mas apenas pela perpetuação de seu modelo, tendo apenas uma mudança na estatística quanto aos membros de determinada religião.

Agora se nos dedicarmos a apresentar Jesus podemos pensar numa nova forma de vivermos em comunidade. E qual a diferença entre o cristianismo e Jesus?

O cristianismo é uma religião sustentada por um conjunto de doutrinas e um sistema clerical, que estabelece, por meio desses, critérios de relação entre os homens e entre eles e Deus, acreditando que tais critérios são baseados na verdade revelada únicamente aos representantes dessa religião que possuem caráter de inerrante e infálivel, e, portanto, sendo impossível questioná-los.

Porém como já dissemos Jesus nunca fundou uma religião com tais características, aliás, nunca fundou religião nenhuma, o que mais faz repetir a frase de Nolan:

“Jesus tem sido mais frequentemente honrado e venerado por aquilo que ele não significou, do que por aquilo que ele realmente significou. A suprema ironia é que algumas das coisas, às quais ele mais fortemente se opôs na sua época, foram ressuscitadas, pregadas e difundidas mais amplamente através do mundo – em seu nome. Jesus não pode ser totalmente identificado com o grande fenômeno religioso do mundo ocidental, conhecido como cristianismo. (Albert Nolan – Jesus antes do cristianismo)

O Jesus que é esperança para as cidades, não é o Jesus da doutrina cristã necessariamente, enclausurado nos castelos teológicos da arrogância humana. O Jesus que é nossa esperança é Aquele que as páginas do Evangelho revelam que tinha sua atenção voltada aos pobres (mendigos, doentes, desempregados, viúvas, órfãos, operários diaristas, camponeses, escravos e os pecadores – desviados dos costumes tradicionais) – aqueles que dependem da misericórdia de outrem, aceitando os pecadores como iguais, afastando deles a culpa, a vergonha e a humilhação, e lhes concedendo perdão. O Jesus cheio de compaixão dos Evangelhos e não o Jesus frio das imagens ou da teologia é que é esperança para os povos.

E não só por essa característica, mas por ter sido um ser inclusivo no meio de uma sociedade exclusivista e principalmente por anunciar um novo modelo de cidade (Reino). Esse era o tema de Jesus. Ele não se ocupou com outros temas, não discutiu teorias da origem do mal ou da miséria. Não se deteve em dilemas dualistas, apenas anunciou essa nova cidade-reino; o Reino dos pobres (Lc 6.20-26; 16.19-31) – não confundir com ideologia da pobreza; o Reino da partilha (Mc 6.52;8.17-18.21;At 4.34); o Reino das crianças – o oposto da grandeza, status, prestígio.

“Aqueles que não possam suportar que os mendigos, ex-prostitutas, empregados, mulheres e crianças sejam tratados como seus iguais, aqueles que não possam viver sem se sentirem superiores, ao menos em relação a algumas pessoas, simplesmente não se sentirão em casa no reino de Deus, tal como Jesus o compreendia. Esses vão querer se excluir do Reino.” (Albert Nolan)

Como solução para os problemas não apresentou nenhuma fórmula ritualística, encantamentos ou invocação de nomes. A fé era o único poder de fato, e não podemos confundir fé com conjunto de dogmas ou doutrinas, mas uma convicção fortíssima - esperança.

Fé não é um poder mágico, é uma decisão clara em favor do reino de Deus (Mt 6.33ss). A incredulidade pode adiar, mas não impedir que o Reino venha (Lc 13.6-9). A catástrofe virá, mas o Reino é o destino final (Mc 13.7-8). O arrependimento é o caminho para mudar os rumos.

Jesus morreu voluntariamente para que o Reino pudesse vir.

Jesus não fundou uma organização, ele inspirou um movimento. Jesus não estabeleceu sucessores, mas chamou gente para crer no que Ele cria. Será que hoje nós que nos chamamos seus discípulos, vamos responder ao seu chamado e também nos tornar esperança para as cidades, para a nossa cidade?

Referência Bibliográfica
Barros, José D'Assunção. Cidade e História. Vozes, 2007

Ivo Fernandes
18 de julho de 2010

3 comentários:

Hugo Lucena Theophilo disse...

Egua mah...dá pra resumir em três linhas não? rsrs

Ivo Fernandes disse...

Mano Hugo, deixo pra ti essa tarefa, rsrs

Abraços

Anônimo disse...

Ei, Ivo, amei seu texto, pra variar. Na minha opinião, as cidades ainda são um bom lugar (desde que seja Vancouver ou Zurich ou Viena três das melhores cidades do mundo, de acordo com The Economist - rsrsrs). Na verdade, sem os princípios de Jesus lugar nenhum pode dar certo, a começar pela nossa própria casa. E com Ele, qualquer lugar pode dar certo.
Débora

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