segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Considerações sobre Jó e eu

Dizer que Deus está por trás da salvação, livramento, transformação, ou qualquer espécie de bem que alcance o indivíduo é fácil. Difícil é crer-saber que Ele também pode estar por trás das tragédias que assaltam nossas vidas.

Todos nós com facilidade louvamos a Deus pelas bênçãos que alcançam um indivíduo, mas nos calamos diante da tragédia, e quando abrimos a boca, quase sempre é para atacarmos o indivíduo em calamidade.
Vivemos em dias em que a mensagem do Evangelho foi esquecida na maioria dos púlpitos e em seu lugar está a mensagem da barganha, da recompensa, do lucro, das teologias morais de causa e efeito. Conteúdos que a fé em Jesus não suporta.

O cristianismo em sua forma atual é mais pagão do que algumas religiões de mistérios, pois leva o indivíduo a viver num purgatório existencial, onde tudo é resolvido pelas leis secas da causa e efeito.

Para os que não andam pela fé tudo se explica, para todo efeito há uma causa conhecida. Assim, se criam as maldições hereditárias, para quando não encontrarem na vida do indivíduo a causa, alegue que está em seus antepassados.

Na minha vida ouviu diversas vezes a sentença da punição de Deus pela boca dos filhos da religião quando a calamidade me assolou. Pois para eles, a prova de que estavam com a razão era a visível calamidade que me assolara. No entanto, a Graça é loucura para os que passam a vida a julgar pelo que vêem, daí muitos não suportarem a bênção que hoje, depois da calamidade, e ainda nela, me veio.

Diferente da teologia moral dos evangélicos religiosos a Graça é sempre favor imerecido. A semelhança de Jó, vi meus amigos se tornarem juízes da minha dor. Convivi e ainda convivo com a sentença de morte que eles me deram. Sei o que é ser para si mesmo o que não se é para ninguém. Chegou o tempo em minha vida em que aqueles que me difamam pensam estar fazendo um serviço a Deus, conforme nos ensinou Jesus. Assim muitos amigos já não estão porque não querem sofrer os mesmos danos que hoje sofro. Mas aquilo que para muitos foi minha morte, na verdade se tornou minha vida.

A minha consciência, hoje, está livre do medo do juízo dos homens. Sigo apenas a Voz que me advoga diante Daquele que É.

Ivo Fernandes em 2 de maio de 2006
No Caminho da Graça

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Cartas sobre o pecado


Pequei.

Acredito que tenha pecado. Acredito que haja pecado. Vivi o instante em que disse: “Deus meu, Deus meu, por que te desamparei?” e em que ouvi: “Filho meu, filho meu, por que me abandonaste?”. E orei logo que terminei de pecar, numa espiritualidade incompreendida. Num ato quase estúpido. Instante de Adão procurado por Deus. Salmo 51 de mim.

O que não quero é exatamente aquilo que faço. E o bem que quero fazer, este não faço.

Orei por tempo suficiente para que me sentisse perdoada e em um tempo curto demais para que pudesse ter alcançado o perdão. 2 Coríntios 12.9 em mim. Vergonha, por ter que deixá-lo caminhar sozinho por entre as metades dos animais. Ter que ver a cruz. Ter que deixar o Espírito chorar por mim.

Adormeci. Mas passei a noite em claro, perambulando na escuridão do templo. Acordei. E passei o dia em claro, procurando... Apenas procurando. Sem necessariamente ter o que encontrar. O caminho entre as metades, a cruz, o choro do Espírito. Já havia aceitado o fato do perdão, embora exatamente isto me fizesse procurar, procurar...

Cansei e, como criança que não se envergonha de ser aceita, fui até o Pai. Para dizer nada. Apenas para parar de procurar. Para poder dormir.

S. Almeida
19.7.6

####################################################

O que é o pecado? Como um ser finito como nós pode ofender um Deus infinito? Como nós mortais afligimos o Imortal? Quem de verdade sofre quando pecamos? Porque sofremos?

Pode parece antibíblico conforme a natureza da letra, mas na verdade é a Palavra em espírito que tem me revelado que não é contra Deus que temos estado, é contra nós mesmos.

Nossa natureza caída é pecado, pecado não se faz, pecado se é, daí Cristo ter se tornado pecado sem ter pecado. E por que ele se tornou pecado? Para que nós pecadores pudéssemos experimentar a Graça de ser Nele novas criaturas mesmo que ainda pecando.

É Adão em mim, mais ainda, Éden em nós. Temos em nós o principio masculino (Adão), o principio feminino (Eva), temos a vocação para o eterno (árvore da vida) e temos nossa vontade de independência de Deus (Árvore do Conhecimento do Bem de Mal), temos liberdade de escolha (todas as arvores do Jardim), temos em nós a Voz de Deus, e também a voz da serpente, que por meio dos galhos da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal nos seduz. Assim, mais uma vez digo o Éden somos nós (Caio Fábio).

É por essa razão que nos sentimos como nos sentimos. É por essa razão que “O que não quero é exatamente aquilo que faço. E o bem que quero fazer, este não faço”. Mas nenhum de nós está eternamente separado de Deus, pois foi posto um Querubim no caminho para a Árvore da Vida que nos impede o acesso autônomo à vida sem Deus, que é o que ocorreria se pudéssemos, com a constituição caída que temos, ter acesso a ela. Daí vem todo o sentimento de idas e vindas que sentimos em nós mesmos; ora sentindo-nos no Éden; ora exilados dele — tudo isto sendo reeditado pelas experiências de culpa.

O que posso dizer mais? Perdoados estão os nossos pecados, todos eles, inclusive os que não cometi, porque Cristo não morreu pelos pecados, mas pelos pecadores, dos quais eu sou o pior. Assim o que me resta agora é aprender a conviver com a minha natureza caída e continuar a prosseguir o caminho da evolução Nele, que é ser conforme a sua imagem. Quanto tempo isso levará? Não sei. Só sei que prossigo para alvo, mesmo que no Caminho o pecado que sou eu me faça pecar como peco. Lembro-me apenas que o sangue de Cristo me purifica de todos os pecados.

Ivo Fernandes
20 de julho de 2006

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Amo o Mistério


Ontem caminhava pela praia, enquanto o sol começa a desaparecer. Esse rito é sagrado. Sim! Desde a minha infância foi caminhando pela praia onde minhas orações foram feitas, é meu lugar santo, meu espaço de encontro. Horas de silêncio, rompidos por uma frase, que se acompanha de uma música e que são envoltos pelo som do Vento e das águas. Enquanto meus pés são alcançados pelas ondas que se desfazem, minha alma é derramada diante do Mistério.

Ontem enquanto caminhava lembrei os meus últimos dois anos. Fiz uma retrospectiva da caminhada. Sempre me espanto como o meu caminho se desenrolou. Olhar para trás me enche da certeza que não possuo certeza alguma a não ser aquela que procede da fé.

Estava ali diante de do Mistério dizendo que O amava. Nunca vi, nunca ouvi, nunca senti com os sentidos, mas misteriosamente nada é mais presente em mim do que o Ausente. Amo o impossível, amo o impensável.

Não sei quem é Deus, já me cansei das explicações teológicas com bases aristotélicas. Não suporto o deus da guerra dos religiosos fundamentalistas. O deus que cabe nas construções filosóficas considero ridículo. Também já não busco o distante, o deus que olha tudo de um lugar secreto, de onde controla todas as coisas e que é explicado por categorias elitistas. Um deus menos misericordioso que eu mesmo, por mim não será adorado. Creio no Deus Mistério que é Amor que habita o coração dos homens de boa vontade.

Ivo Fernandes
18 de janeiro de 2010

A justificação pela fé – uma exposição no Caminho

Leitura:  Romanos capítulos 1 a 3 A doutrina da justificação pela fé é um dos principais pilares da fé cristã, em especial a prote...