segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Cartas sobre o pecado


Pequei.

Acredito que tenha pecado. Acredito que haja pecado. Vivi o instante em que disse: “Deus meu, Deus meu, por que te desamparei?” e em que ouvi: “Filho meu, filho meu, por que me abandonaste?”. E orei logo que terminei de pecar, numa espiritualidade incompreendida. Num ato quase estúpido. Instante de Adão procurado por Deus. Salmo 51 de mim.

O que não quero é exatamente aquilo que faço. E o bem que quero fazer, este não faço.

Orei por tempo suficiente para que me sentisse perdoada e em um tempo curto demais para que pudesse ter alcançado o perdão. 2 Coríntios 12.9 em mim. Vergonha, por ter que deixá-lo caminhar sozinho por entre as metades dos animais. Ter que ver a cruz. Ter que deixar o Espírito chorar por mim.

Adormeci. Mas passei a noite em claro, perambulando na escuridão do templo. Acordei. E passei o dia em claro, procurando... Apenas procurando. Sem necessariamente ter o que encontrar. O caminho entre as metades, a cruz, o choro do Espírito. Já havia aceitado o fato do perdão, embora exatamente isto me fizesse procurar, procurar...

Cansei e, como criança que não se envergonha de ser aceita, fui até o Pai. Para dizer nada. Apenas para parar de procurar. Para poder dormir.

S. Almeida
19.7.6

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O que é o pecado? Como um ser finito como nós pode ofender um Deus infinito? Como nós mortais afligimos o Imortal? Quem de verdade sofre quando pecamos? Porque sofremos?

Pode parece antibíblico conforme a natureza da letra, mas na verdade é a Palavra em espírito que tem me revelado que não é contra Deus que temos estado, é contra nós mesmos.

Nossa natureza caída é pecado, pecado não se faz, pecado se é, daí Cristo ter se tornado pecado sem ter pecado. E por que ele se tornou pecado? Para que nós pecadores pudéssemos experimentar a Graça de ser Nele novas criaturas mesmo que ainda pecando.

É Adão em mim, mais ainda, Éden em nós. Temos em nós o principio masculino (Adão), o principio feminino (Eva), temos a vocação para o eterno (árvore da vida) e temos nossa vontade de independência de Deus (Árvore do Conhecimento do Bem de Mal), temos liberdade de escolha (todas as arvores do Jardim), temos em nós a Voz de Deus, e também a voz da serpente, que por meio dos galhos da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal nos seduz. Assim, mais uma vez digo o Éden somos nós (Caio Fábio).

É por essa razão que nos sentimos como nos sentimos. É por essa razão que “O que não quero é exatamente aquilo que faço. E o bem que quero fazer, este não faço”. Mas nenhum de nós está eternamente separado de Deus, pois foi posto um Querubim no caminho para a Árvore da Vida que nos impede o acesso autônomo à vida sem Deus, que é o que ocorreria se pudéssemos, com a constituição caída que temos, ter acesso a ela. Daí vem todo o sentimento de idas e vindas que sentimos em nós mesmos; ora sentindo-nos no Éden; ora exilados dele — tudo isto sendo reeditado pelas experiências de culpa.

O que posso dizer mais? Perdoados estão os nossos pecados, todos eles, inclusive os que não cometi, porque Cristo não morreu pelos pecados, mas pelos pecadores, dos quais eu sou o pior. Assim o que me resta agora é aprender a conviver com a minha natureza caída e continuar a prosseguir o caminho da evolução Nele, que é ser conforme a sua imagem. Quanto tempo isso levará? Não sei. Só sei que prossigo para alvo, mesmo que no Caminho o pecado que sou eu me faça pecar como peco. Lembro-me apenas que o sangue de Cristo me purifica de todos os pecados.

Ivo Fernandes
20 de julho de 2006

Um comentário:

Hugo Lucena Theophilo disse...

Nem de pecado eu gosto! rsrs

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