segunda-feira, 28 de março de 2011

III Sobre a Fé



Houve um tempo em que busquei possuir a fé inteligente, a fé racional, aquela que não aceita dar o salto no escuro. Até entender que o buscava não era fé. Ora se fé fosse racional, inteligível, já não seria fé. Quem precisa de fé, quando se possuem certezas lógicas, provadas? Abraão foi chamado de pai da fé, não porque usou a lógica, ou o bom raciocínio, mas porque se pôs a caminho, sem saber para onde ia. Fé é a conformação à vontade de Deus, independente do que isso seja. Sou Filho de Abraão, sou Filho da Fé, porque da mesma maneira peregrino entre terras alheias, apenas guiado pelo Vento. Já não busco mais certezas lógicas, sei que a fé é absurda. Já não procuro entender Deus, sei que Ele é Mistério. Jó não obteve resposta de nenhuma de suas perguntas, mas no Encontro, foi divinamente calado ante o Mistério e pacificado pela fé naquilo que agora não era mais informação histórica mas Verdade nele. Por tudo isso é que fé é um dom de Deus, então, oro todos os dias por esta fé, a fim de que viva absolutamente tomado pelo Absurdo.

Ivo Fernandes
2006

Um comentário:

Ido disse...

Experimentar essa realidade é viver o paradoxo de viver na carne sem ser dirigido pela mesma, sem ceder às suas vontades, sem achar que os pensamentos e raciocínios nos servirão de guia. É confiar inteiramente na providência e cuidado de Deus crendo não só que ele existe mas que cuida de nós. Esse mistério traz a vida de Deus a terra, ao reino dos homens mortais, encarnando o Verbo nas nossas vidas.

Parabéns pelo texto

Ídolos – da construção à necessidade de destruí-los

O termo ídolo não é um termo usado em nossa nação comumente. Aparece mais nos discursos evangélicos numa referência a qualquer entidad...