quarta-feira, 29 de junho de 2011

O deus imaginário e o Deus de Jesus



Uma coisa deve ser dita: Fica proibido confundir Deus com sua representação. Dito isto podemos analisar as fontes do deus-imaginário.

Chamo de deus-imaginário o produto subseqüente da consciência infantil que pensa de certo modo que tudo é ela e ela é tudo. E essa aspiração à totalidade permanece como uma estrutura básica do ser humano, e o desejo religioso de um Todo Transcendente não escapa a esse movimento.

Os primeiros símbolos para a criança desse desejo são os pais, e o deus-imaginário adquire forma e configuração a partir deles. É no pai, segundo as análises freudianas que a criança projeta a onipotência, aquela que no princípio estava atribuída a ela mesma. O pai aparece, então, como a própria realização da onisciência, da onipotência e da onibenevolência. Porém com essa imagem perdida, o deus-imaginário, por meio da figura perdida do pai, toma nome, forma e figura.

O Deus de Jesus ao contrário do deus-imaginário nos convida para o enfrentamento da realidade. Ele não é um aliado dos nossos próprios desejos e interesses, e nem escamoteia as dificuldades e complexidades da vida humana. O Deus que se manifesta em Jesus não é certamente o que desejamos.

O deus-imaginário é um deus mágico que serve para levar o indivíduo a superar de maneira mágica a dureza da vida. É um deus explica - tudo possuindo uma resposta para cada problema ou incógnita da existência. É um deus das ameaças e castigos, principalmente na área da sexualidade. É um deus que enfim nega toda experiência real de dor e entre elas a própria morte.

O Deus de Jesus é aquele que nos remete de volta à realidade com toda a dureza que esta possui, e não nos solucionam os problemas, mas nos dinamiza para que trabalhemos na tentativa da solução. Ele não está para explicar o sofrimento, mas para nos conduzir a fé, reduzindo todo tipo de ambivalência. Ele nos faz perceber que a vida humana é uma maravilha mesmo quando surpreendida pela dor, pela pergunta sem resposta e pela própria morte.

O deus-imaginário é visto como onipotente, mas o Deus de Jesus é nos apresentado como um Ser enfraquecido pelo amor, podendo ser rejeitado. Esse Deus não cabia na mente do judeu que esperava sinais e nem de gregos que esperavam saberes absolutos, um Deus revelado no crucificado era escândalo e loucura.

O Deus de Jesus nada faz para ser amado ou adorado, temido ou reverenciado. Sua ação em favor dos homens não é uma expressão de seu poder, mas de seu amor gratuito. Sim! O Deus de Jesus é um Deus de amor, que não anula as diferenças e nem nos retira dos conflitos da realidade, antes é um amor que pelo exemplo nos estimula a decisão pela fraqueza. Amor que se põe do lado do fraco, oprimido e marginalizado, se opondo a todo sistema de opressão, ódio e marginalização.

O Deus de Jesus não é um poder absoluto que se impõe sobre os homens, mas primordialmente um Ser relacional que uma vez crido e experimentado pelos homens nos conduzirá ao fim do mundo que é o começo do Reino.

Ivo Fernandes
27 de outubro de 2010

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Esse que sou eu


É engraçado como muitos me enxergam, mas nem sempre achei graça das muitas interpretações a meu respeito.

Quando estava no ventre, meu pai considerou que por não ser filho legítimo (ou seja, de sua esposa) não era filho dele. Muitos acharam que nem iria “vingar” de tão doente que era quando recém-nascido. A mulher que me levou para criar, foi impedida pelo marido de fazê-lo, assim acabei sendo criado pela mãe dela.

Na infância ouvi várias vezes que não era filho da casa, era apenas alguém que foi criado por eles. Assim não era visto de maneira semelhante. Lembro que não podia ter um brinquedo senão as outras crianças da família não gostariam, assim só podia ter o que pudesse ser dados a todos.

Não podia ter amigos na rua porque me diziam que eu não era igual a eles. Assim fui criado num universo feminino, já que nenhuma figura masculina havia. Isso me fez ser alvo de novas interpretações. O que diriam de um menino, que conhecia Vinicius de Moraes, escrevia poesia, tinha a letra redonda, sabia cozinhar, e gostava de novela? E ao mesmo tempo, não sabia jogar futebol, nem soltar pipa, nem surfar, nem brigar?

Pois bem era “menina” demais para me deixarem participar dos grupos. O que me sobrou? A turma das meninas e dos gays. Resolvido? Não! Os gays não entendiam porque não tava afim de algo com eles e deseja meninas. Para os gays eu era macho demais. As meninas me adoravam e isso me rendeu boas experiências, mas seus pais não gostavam de mim, então não poderiam me assumir, pois além de não fazer parte de nenhuma turma específica ainda era evangélico.

Na igreja evangélica desde cedo também fui interpretado de diversas formas. Na infância era aquele que jamais seria como as irmãs, que desde muito cedo eram dedicadas a diversas atividades da igreja. Era visto pelos mais “santos” como má influência para seus filhos. Na casa que eu morava ninguém me via como evangélico. Alguns até pensavam que era “filho de santo”, outros católico, talvez seja por isso, que fui dedicado na umbanda, batizado na igreja católica e evangélica, e fiz primeira comunhão e aceitei a Jesus.

Quando comecei a pregar a confusão continuou, uns amavam, outros achavam subversivas as minhas mensagens. Isso se desenvolveu até muitas formas de me denominarem começarem a me acompanhar. Para uns um batista apaixonado por bíblia, para outros um presbiteriano frio, outros me acham um profeta pentecostal, outros um liberal. E se pensa que quando deixei o movimento evangélico isso virou coisa do passado, engano. Hoje, mesmo fazendo parte de um movimento livre como é o Caminho da Graça, não fui salvo das interpretações, soube que para uns sou um evangélico enrustido, porque em algumas reuniões prego usado um púlpito. Para outros sou um liberal perigoso. Já disseram que sou cópia do Caio e outros que não faço parte do Caminho por ter uma identidade diferente.

Enfim, a minha história é cheia dessas interpretações. Se eu fizesse uma pequena lista de como me veem agora teria mais ou menos essa coisas: Um santo; um safado; um bom marido; um comedor das meninas da igreja; um bom pregador; um teólogo liberal; um crente; um espírita; um católico; um macumbeiro; um mentiroso; um sedutor; um bom homem; um aproveitador; um cabra macho; uma bicha enrustida; um heterossexual; um homossexual; um bissexual; um salvo; um perdido; um anjo; um demônio; e isso só porque não quero me estender muito.

Afinal, quem sou eu? Porque tantas interpretações? Bom! Talvez porque de fato eu seja tudo isso que dizem, e mais um pouco, que por se dedicarem tanto a me interpretarem perdem de conhecerem.

O que sei, é que sigo em paz, com uma consciência grata por estar tranqüilo com o que sou e aberto para o que vou sendo nesse processo contínuo de tornar-se.

Ivo Fernandes
15 de junho de 2011  

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Os herdeiros do Reino





Os herdeiros do Reino

Não se enganem, não herdarão o Reino de Deus:

1. Todos os assassinos, quer tenham ou não cometido crime, pois todo aquele que se ira contra o próximo é homicida.
2. Todos os covardes, desde os que não foram ativos no socorro de vítimas até os que silenciaram diante da injustiça.
3. Todos os que violentam a inocência do próximo, desde os produtores de programas televisos até os que pelo seu comportamento ensinaram o erro.
4. Todos os roubadores, desde os ladrões de bancos até os que copiam obras ou trechos dela sem a devida permissão.
5. Todos que sabendo do bem não o praticam sempre.
6. Todos que pelo seu consumo mantém a atual situação social do mundo.
7. Todos que semeiam discórdia desde a simples palavra que fere até as ações maquiavélicas.
8. Todos os vaidosos, que gastam seu tempo e seu recursos consigo mesmo e não com todos os homens.
9. Todos os imprudentes que pela imprudência ferem outros.
10. Todos os gananciosos, desde os que acumulam milhões aos que pouco acumulam, mas que no acúmulo de qualquer riqueza deixa de ajudar o próximo.
11. Todo preconceituoso que se enxerga melhor do que qualquer outro ser humano.
12. Todos os que mentem, até os que dizem mentir para proteger alguém.
13. Todos os exploradores da ignorância humana.
14. Todos os que não respeitam a natureza, e portanto contribuem para o caos no mundo.
15. Todos os hipócritas que se passam pelo que não são em qualquer que seja a circunstância.
16. Todos os que são indiferentes frente a dor alheia.
17. Todos que celebram vitórias quando alguém sofre derrotas.
18. Todos os que se alimentam enquanto milhões morrem de fome.
19. Todos que não ouvem os gritos dos oprimidos.
20. Todos os que não amam indistintamente.
21. Todos os invejosos que pela sua inveja desejam o mal do próximo.
22. Todos os intolerantes que não conseguem conviver com a diferença.
23. Todos os que não conseguiram se enxergar nessa lista.

E conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará, onde há Verdade há o Bem, o Bem é o fruto do Amor, e onde houver Amor, Deus aí está, porque Deus é Amor, todo aquele que inventar qualquer coisa diferente disso, não herdará o reino de Deus.

Ivo Fernandes
19 de abril de 2010

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sobre os homossexuais



Estas semanas que passaram recebi e-mails e conversei com pessoas que queriam saber minha posição sobre o homossexualismo e/ou a homossexulidade.
Bom! O que posso dizer? Antes de tudo vejo a vida a minha volta. E o que vejo? Vejo que homossexuais existem, e estão não só nas boates gays, mas também dentro das igrejas, nos seminários e pregando nos púlpitos. Essa é uma realidade, só não ver quem não quer. Já conversei com muitos que me contaram suas histórias e suas lutas contra suas disposições, em razão de considerarem pecado ou impróprio. E com tudo que ouvi e pela convicção de minha própria queda, creio que a homossexualidade é mais uma das expressões da Queda,e portanto da existência, assim como a heterossexulidade, ou qualquer outra expressão sexual.
O problema é que a religião tornou o sexo o pior pecado e o homossexual a pior pessoa. Julgamos-nos deuses no que tange a definirmos a condição eterna das pessoas. Mas nas escrituras vemos que as coisas nem sempre são como aparentemente deveriam ser. Como fala o Caio em uma de suas cartas, basta olharmos para Uzá e Davi e vê que os dois não cumpriram os mandamentos a respeito do templo e da arca, mas um foi morto pela boa ação e outro nem sequer foi advertido por Deus com suas ações diante da Arca e quando comeu dos pães. Assim deixo para Deus o papel de nos julgar.
O que faço então? Ajudo as pessoas a se encontrarem em Cristo, pensarem-se no Novo Ser, pois só Nele somos quem realmente devemos ser. Enxergo a todos como irmãos, participante da mesma natureza pecaminosa e carentes da mesma Graça. Sou um pregador da Graça e acredito que só quando o indivíduo se enxerga em Cristo, o Novo Ser, é que quaisquer possibilidades de cura, paz e bem para alma se efetuam.
Aqueles que acham que digo uma blasfêmia já não tenho nada a dizer a estes. Os que acreditam que é influência do homem, convido a lerem de novo o Evangelho e responder a pergunta: - O que Cristo faria? Eu prego e o resto é o caminho do indivíduo, e só dele em Deus.
Não sou a favor de movimentos partidaristas em prol da causa gay, e nem dos partidos evangélicos contra a causa gay, apesar de entendê-los, sou a favor do Evangelho que é Vida para todos. Não julgo ninguém e nem me afastarei de ninguém, exceto daqueles que cheios de suas presunções moralistas já condenaram o resto dos homens ao inferno, esquecendo das críticas de Cristo aos defensores morais de sua época.
O que é isso frouxidão moral? Em hipótese alguma, pois na Graça da mesma forma que não há espaço para qualquer espécie de legalismo, também, não há lugar para nenhum tipo de libertinagem. O espaço é para ser. Na Graça o que se há é Amor gerando mudança.
Que Deus me ajude a levar a carga dos irmãos e eles levarem as minhas.

Nele que foi chamado de amigo dos pecadores

Ivo Fernandes
Escrito em 2006

1 Coríntios – Uma síntese

A Certeza Deus é fiel (1.9) A Promessa Ele os conservará firmes até o fim, de modo que sereis irrepreensíveis no Dia de no...