segunda-feira, 25 de julho de 2011

Só para desabafar um pouco




Só para desabafar um pouco

Ontem meu coração se entristeceu ao ouvir um testemunho de um jovem aspirante ao cargo de pastor. Tudo que ele disse me fez lembrar o que vivi e que espero nunca mais viverei - o mundo das religiões fundamentalistas-exclusivistas, onde a salvação é o aprendizado de certas doutrinas, a freqüência a certos cultos e cumprimento de algumas leis.
Estou cansado de gente que vive num constante embate com o mundo e com o Diabo, e que conseguem enxergá-lo em tudo e todos. Gente que começa agradecendo porque foi aceita para logo está vivendo as neuroses da auto-salvação. Como lamento o número de gente fanática, presas a Lei, aprendendo a fazer de conta que são o que não são, que sentem o que não sentem, até o dia em que de verdade acreditarão que são melhores que o resto do mundo.
Lamento pelos seus cultos onde o bom comportamento conforme as regras da religião é louvado acima da fé; onde se é ensinado a odiar o mundo, criando um dualismo terrível para a alma do indivíduo; onde se apregoa quase uma filosofia nazista 'da raça pura'; onde a Verdade é um pacote de doutrinas; onde o Espírito Santo é um mero agitador das emoções; e onde a missão é mero proselitismo.
Lamento pelo número de almas que por mais que saiba que habita no meio do ódio, da inveja, do disfarce, das intrigas, do julgamento, das vaidades, da autopromoção, e que se chocam com tudo isso, ainda assim não conseguem libertar a mente da prisão institucional.
Lamento pela geração dos que não conseguiram se livrar da culpa, e aflitos ainda tentam salvar o mundo. Se salva o mundo e perde-se alma.
Oro a Deus para que aumente o número daqueles que tenham coragem para seguir o Caminho pela fé.

Ivo Fernandes
2010

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O que é ser espiritual?




Confesso que essa questão já me fez muitas vezes quebrar a cabeça, não só porque a queria compreender intelectualmente, mas principalmente por causa da luta de ser ou não ser.

Antes quando lia Paulo (por causa da influência pentecostal) imagina o ser espiritual com alguma coisa que tinha a ver com santidade e essa era vista nas obras de cumprimentos das listas de podes e não podes. O resultado foi desesperador. Por mais que me esforçasse não conseguia cumprir a lista, assim só me restava me ver como homem carnal, natural e jamais espiritual, podendo assim ou deixar a fé ou me tornar um cínico ou um louco.

Bom, pensei poder estar errado em minha forma de entender a questão. Então no segundo momento (influenciado pelas leituras filosóficas) pensei se tratar de duas realidades que não se misturavam, era espiritual na alma e carnal no corpo, assim vivia duas realidades em uma. Isso não me fez bem, por alguma razão pensava que o Evangelho não poderia ser tão pouco aponto de não conseguir realizar nada na minha existência.

Daí, busquei ler tudo de novo (agora sem nenhuma influência- coisa que eu acho ser impossível, mas tentei) o resultado foi algo que não sei se vou conseguir explicar mas tem sido até o momento o que creio.

Para mim, o ser espiritual é uma condição-estado dos que estão em Cristo Jesus, e estar Nele não significa estar numa agremiação religiosa, ou mesmo saber dele algo histórico. Penso que estar Nele é um ato de Graça que Ele mesmo realizou, fazendo com que Nele todos os homens fossem novas criaturas, filhos de Deus, agradáveis a Si no Amado, santos, irrepreensíveis, perfeitos como o Pai, espirituais. Penso que nada disso é resultado de alguma ação humana, isso é Graça.

Bom, e o que acontece comigo na existência, visto que essa posição-estado é nos lugares celestiais conforme Paulo. Aqui é onde penso entrar a fé. Se creio que sou aquilo que Nele sou e não aquilo que em minha carne pareço ser, então prossigo para o Alvo, então procuro andar no Espírito, então descanso. E à medida que pela fé nisto ando a minha velha natureza não terá sobre mim a força de antes visto que não mais vivo para ela, mas para Aquele que me conquistou para vir a ser o que Nele já sou.

É nisto que creio.

Ivo Fernandes
2010

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O Pai Nosso



Pai Nosso, uma declaração de fé e esperança que independentemente da situação nos mantém em paz. É a certeza de que não há limites para o amor de Deus, que nada está fora Dele. É o fim da imagem partida de Deus, e o começo da imagem familiar para todos os povos. E esse pai não é somente de alguns entre os povos, mas, de todos os homens, noz fazendo entender que não pode ter a Deus por Pai aquele que não tiver o próximo por irmão.

Que está nos céus, um Pai não ligado a lugares sagrados, nem a raças específicas, que não concentra Sua presença em templos, estando para além de tudo, mas encobrindo tudo e tudo penetrando, mesmo que não se confunda com sua criação. Um Pai que se mantém distante para não ser confundido com nossos ídolos-pais criados por causa de nosso narcisismo infantil. Sua distância nos desafia a abandonar os medos infantis e andarmos por fé em meio às contradições do mundo.

Santificado seja o Teu Nome, um Pai íntimo, mas Santo, portanto totalmente Outro, nos impedindo de fazer dele fantoche de nossos jogos egoístas. Diante Dele só nos resta à reverência, por estarmos diante do inefável, do inigualável, do impossível aos homens. Porém esse mesmo Deus identifica-se com os homens em Sua humilhação e aqui mora a manifestação de Sua santidade, a extrapolação de Si mesmo em direção ao outro. Desta forma não reconhecemos a santidade de Deus quando o consideramos um “resolve-problema”, nem quando tentamos defini-Lo em doutrinas ou sentenças. Não o santificamos por meio de ritos religiosos, mas quando caminhamos em direção ao próximo para o bem. Nossa esperança é que Ele santifique o Seu nome entre nós.

Venha a nós o Teu Reino, Reino que é estrutural e terminal, significando o fim do mundo. Um Reino de paz e justiça e alegria entre os homens. Reino manifesto no Cristo ressuscitado, nos enchendo de esperança na Plenitude.

Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu, que é o próprio Reino.

O pão nosso de cada dia nos dá hoje, pois nem só de pão vive o homem, mas também de pão, pois somos homens e não sombras, filhos da terra e não somente dos céus, e vivemos como uma família humana, por isso o pão é nosso, é o pão do Reino, e nossa esperança é que este pão compartilhado seja uma realidade hoje.

Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, uma confissão de nossa condição, um reconhecimento de nossa natureza, pois se dissermos que não temos pecado enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não habita em nós. É também a declaração de fé no Amor de Deus que não conhece limites para perdoar, mas que, porém sem abertura do pecador para o perdão fica numa condição de morte. Porém uma vez aberto ao perdão, que nos é dado sem condições prévias, somos tomados pela graça que também nos faz perdoar da mesma maneira. Perdoamos não para ser perdoados, mas porque fomos mergulhados no perdão. E mergulhados em Deus sabemos que estamos mergulhados numa  relação que se revela na relação com o próximo, então não se pode ter atitudes diferentes em relação a Deus e ao próximo. Quando amamos a Deus amamos o próximo, quando perdoamos o próximo é porque somos perdoados por Deus.

E não nos deixeis cair em tentação, pois somos seres ontologicamente desequilibrados, seja em razão da falta ou da abundância, nos percebemos em desarmonia, numa luta entre a carne e o espírito, que em si não podemos chamar de má tal situação, mas que, porém precisamos dar conta. O pecado é uma condição, fomos criados na liberdade, portanto para a possibilidade do pecado, e esse mistério já nos anuncia a Graça, pois se nascemos no solo da Graça só neste mesmo chão tudo ganhará seu sentido e propósito. Daí para o pecado só a Graça, e a tentação que temos de ser livre é a de negar a realidade do chão da Graça onde somos uma perfeita imperfeição. Quando negamos nossa condição nos enchemos da soberba de queremos ser como Deus, nos fragmentando de maneira trágica. O caminho contrário da soberba é o caminho da fé.

Mas livrai-nos do mal, mal que teve no decorrer da história diversas corporificações, e no nosso tempo, ou pelo menos para mim, é esse espírito-sistema de egoísmo excludente que ignora milhões de seres humanos em suas desgraças. Preciso ser livre desse mal que me seduz e uma vez me tomando pode deixar meu coração insensível diante da injustiça e iniquidade do mundo.

Amém, pois com Jesus concordamos, e a Deus damos razão, confiando plenamente em suas promessas, mantendo a esperança, e lutando pelo Reino.  

Ivo Fernandes
2011

O papel das emoções no desenvolvimento do câncer

O tema proposto ainda é motivo de discussões entre especialistas, apesar da crescente admissão da relação entre as emoções e as doença...