segunda-feira, 18 de julho de 2011

O Pai Nosso



Pai Nosso, uma declaração de fé e esperança que independentemente da situação nos mantém em paz. É a certeza de que não há limites para o amor de Deus, que nada está fora Dele. É o fim da imagem partida de Deus, e o começo da imagem familiar para todos os povos. E esse pai não é somente de alguns entre os povos, mas, de todos os homens, noz fazendo entender que não pode ter a Deus por Pai aquele que não tiver o próximo por irmão.

Que está nos céus, um Pai não ligado a lugares sagrados, nem a raças específicas, que não concentra Sua presença em templos, estando para além de tudo, mas encobrindo tudo e tudo penetrando, mesmo que não se confunda com sua criação. Um Pai que se mantém distante para não ser confundido com nossos ídolos-pais criados por causa de nosso narcisismo infantil. Sua distância nos desafia a abandonar os medos infantis e andarmos por fé em meio às contradições do mundo.

Santificado seja o Teu Nome, um Pai íntimo, mas Santo, portanto totalmente Outro, nos impedindo de fazer dele fantoche de nossos jogos egoístas. Diante Dele só nos resta à reverência, por estarmos diante do inefável, do inigualável, do impossível aos homens. Porém esse mesmo Deus identifica-se com os homens em Sua humilhação e aqui mora a manifestação de Sua santidade, a extrapolação de Si mesmo em direção ao outro. Desta forma não reconhecemos a santidade de Deus quando o consideramos um “resolve-problema”, nem quando tentamos defini-Lo em doutrinas ou sentenças. Não o santificamos por meio de ritos religiosos, mas quando caminhamos em direção ao próximo para o bem. Nossa esperança é que Ele santifique o Seu nome entre nós.

Venha a nós o Teu Reino, Reino que é estrutural e terminal, significando o fim do mundo. Um Reino de paz e justiça e alegria entre os homens. Reino manifesto no Cristo ressuscitado, nos enchendo de esperança na Plenitude.

Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu, que é o próprio Reino.

O pão nosso de cada dia nos dá hoje, pois nem só de pão vive o homem, mas também de pão, pois somos homens e não sombras, filhos da terra e não somente dos céus, e vivemos como uma família humana, por isso o pão é nosso, é o pão do Reino, e nossa esperança é que este pão compartilhado seja uma realidade hoje.

Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, uma confissão de nossa condição, um reconhecimento de nossa natureza, pois se dissermos que não temos pecado enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não habita em nós. É também a declaração de fé no Amor de Deus que não conhece limites para perdoar, mas que, porém sem abertura do pecador para o perdão fica numa condição de morte. Porém uma vez aberto ao perdão, que nos é dado sem condições prévias, somos tomados pela graça que também nos faz perdoar da mesma maneira. Perdoamos não para ser perdoados, mas porque fomos mergulhados no perdão. E mergulhados em Deus sabemos que estamos mergulhados numa  relação que se revela na relação com o próximo, então não se pode ter atitudes diferentes em relação a Deus e ao próximo. Quando amamos a Deus amamos o próximo, quando perdoamos o próximo é porque somos perdoados por Deus.

E não nos deixeis cair em tentação, pois somos seres ontologicamente desequilibrados, seja em razão da falta ou da abundância, nos percebemos em desarmonia, numa luta entre a carne e o espírito, que em si não podemos chamar de má tal situação, mas que, porém precisamos dar conta. O pecado é uma condição, fomos criados na liberdade, portanto para a possibilidade do pecado, e esse mistério já nos anuncia a Graça, pois se nascemos no solo da Graça só neste mesmo chão tudo ganhará seu sentido e propósito. Daí para o pecado só a Graça, e a tentação que temos de ser livre é a de negar a realidade do chão da Graça onde somos uma perfeita imperfeição. Quando negamos nossa condição nos enchemos da soberba de queremos ser como Deus, nos fragmentando de maneira trágica. O caminho contrário da soberba é o caminho da fé.

Mas livrai-nos do mal, mal que teve no decorrer da história diversas corporificações, e no nosso tempo, ou pelo menos para mim, é esse espírito-sistema de egoísmo excludente que ignora milhões de seres humanos em suas desgraças. Preciso ser livre desse mal que me seduz e uma vez me tomando pode deixar meu coração insensível diante da injustiça e iniquidade do mundo.

Amém, pois com Jesus concordamos, e a Deus damos razão, confiando plenamente em suas promessas, mantendo a esperança, e lutando pelo Reino.  

Ivo Fernandes
2011

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