Postagens

Mostrando postagens de 2012

Oração

Imagem
Reconheço que não te amo Senhor com todas as forças da minha vida, sou carente de tua misericórdia. Reconheço que não encarnei em minha vida teu mandamento de amor ao próximo, sou carente do teu perdão. Reconheço que transgrido tua Lei, sou carente da tua salvação. Reconheço teu amor manifestado no Cristo da Cruz. Reconheço-te como Senhor e Salvador da minha vida. Reconheço-te como único Deus.
Salva-nos Senhor! Salva-nos porque somos pecadores. Salva-nos porque nosso egoísmo está nos destruindo! Salva-nos da nossa arrogância! Salva-nos da nossa impureza! Salva-nos da nossa religião! Salva-nos do ódio e da hipocrisia que por ela foi em nós gerado! Salva-nos de pecar contra o Espírito quando sufocamos o Evangelho por medo de perder nossas posições e benefícios neste mundo! Salva-nos da cegueira que nos impede de ver a Palavra Viva! Salva-nos daqueles que nos exploram! Salva-nos de trocarmos a simples fé por qualquer objeto de barganha! Salva-nos de toda verdade que não carregue em si a Verdade do Amor!

A face feia de Deus

Imagem
Pela manhã logo cedo ligo minha televisão e faço uma viagem pelos canais que me levam a observar aquele fenômeno – milhares de pessoas lotam templos neopentecostais. Tudo gira em torno de promessas de um deus maravilhoso que resolverá todos os problemas se você pagar bem. É no mínimo intrigante tal fenômeno.
Paro um pouco e reflito sobre a sinceridade de cada pessoa ali presente. São mulheres, senhoras, mães e avós de famílias, homens de bem, trabalhadores, na maioria pobres. Gente simples buscando um deus que aprenderam existir sobre tal face, a do provedor. Em outro canal, outra igreja, milhares de pessoas, buscando o deus sofrido na cruz, pela via da penitência salvar-se do pecado. São tantas buscas, tantos rostos para Deus.
Ainda na manhã desse dia saio para almoçar e decido ir para um lugar por mim ainda não visitado. Uma barraca ao pé do mangue visitada por pessoas pobres, simples. Uma gente sofrida revelada nos faces enrugadas e com pouca beleza. Nenhum corpo escultural, tatuag…

A parábola do filho pródigo: Uma parábola sobre nós

Imagem
A parábola do filho pródigo é rica em significado e conteúdo, uma dessas riquezas é que ela fala de nossa alma. Cada personagem dessa história sou eu mesmo. Em cada situação da vida me identifico com um dos indivíduos dessa história. E como caminho, saímos do lugar do filho mais novo em direção ao pai. Isso nós precisamos compreender, somos chamados a ser o pai dessa história.
O filho mais novo é o símbolo da nossa negação da realidade espiritual a que pertenço. É o negar do amor. É o caminho em busca do que já se tem. E o que move o filho mais jovem em correr atrás do que já tem? A descrença. Por causa da descrença busco um amor incondicional no mundo, o que é uma impossibilidade. O filho mais jovem é o símbolo de nossa rebelião e negação do amor de Deus por causa da descrença.
O caminho do filho mais jovem é perdição, e sua sorte está no retorno para casa. Livrando da dúvida a respeito do amor de Deus, preciso crer num Deus que não pede explicações.
Associar-se ao filho mais jovem…

A questão do inferno

Imagem
Hoje se fala pouco e por um lado isso é muito bom, revela que nos libertamos dos horrores provocados pela pregação do inferno na idade média, no entanto calar sobre o tema não me parece ser o mais adequado, em razão de Jesus Cristo ter dele falado. O que é necessário é uma compreensão que respeite o Evangelho e a fé no Amor de Deus. Afinal esse tema está dentro do tema da salvação, daí sua importância.
Sabemos que quando falamos do amor de Deus toda pregação do inferno parece ficar sem sentido, pois dá a entender uma contradição em relação à bondade e a misericórdia de Deus. Talvez um dos problemas seja a nossa leitura literalista dos textos, quando não se pode tomar por objetivo o que inobjetivável.  A linguagem que aborda o céu e o inferno remete a questões de alma.
Então seguindo a lógica do amor de Deus, não podemos pensar o inferno como castigo de Deus ou vingança. É inaceitável pensarmos num castigo eterno para ofensas limitadas de uma criatura frágil como o ser humano. Tudo qu…

Eu e o Lego

Imagem
Quando era eu era menino brincava como menino, mas quando cheguei a ser homem senti saudade das brincadeiras de menino, e assim, menino decidi continuar sendo. E em que consisti minha meninice? Na insistência para estar acordado, no sorriso largo, na vontade de experimentar o novo, na dança, na capacidade de perdoar amigos e de estar bem com todos.
Ontem, tive uma bela surpresa ganhei um presente especial, um playmobil. E o que há de especial num presente desses? Ele me trouxe boas lembranças.
Fui criado num lar sem crianças. Meus primos apesar de próximos fisicamente, não eram tão próximos de fato, assim na maior parte do tempo brinquei sozinho. Acompanhava minha velha mãe, minha maior companheira da infância, nas novelas e na cozinha, e lia os livros que minha irmã me estimulava, aos 10 já tinha lido tudo de Vinícius.
Minhas brincadeiras consistiam em criar realidades diversas, como se a cada espaço de tempo fosse eu um diretor de uma novela em que também era o ator principal. As…

O caminho da espiritualidade – o caminho do anfitrião

Imagem
Não se pode pensar no movimento que vai da hostilidade à hospitalidade sem uma constante conexão interna com o movimento que leva do isolamento à solidão. Isolados não podemos ser hospitaleiros, porque estamos impossibilitados de criar espaços livres.
É preciso que o anfitrião esteja capaz de oferecer o espaço onde o hóspede pode ouvir sua própria voz interior, mas para isso, ele mesmo precisa sentir-se em casa, em sua própria casa.
Sentir-se em casa faz parte do primeiro movimento, do isolamento à solidão, e para oferecer o espaço adequado ao hóspede é preciso que o anfitrião torne-se pobre. Quando deixamos de querer que nossas necessidades sejam completamente preenchidas, podemos oferecer aos outros esse espaço.
Só vemos o estranho como inimigo quando temos algo a defender, quando estamos agarrados a propriedade privada, seja nosso conhecimento, nossa fama, nosso dinheiro e bens. É preciso esvaziar a mente, abrir mão das riquezas, das ideias, dos conceitos e opiniões que nos coloc…

O caminho da espiritualidade e as formas de hospitalidade

Imagem
O movimento que leva da hostilidade à hospitalidade é um movimento que determina nosso relacionamento com as pessoas. Provavelmente nunca nos livraremos de todas as nossas hostilidades; às vezes o melhor a fazer numa relação em hostilidade seja manter-se a distância, para que o tempo nos ajude no processo de cura.
Mas no caminho da espiritualidade precisamos desenvolver a hospitalidade, e dois lugares especiais podem nos ajudar nisso, a família e a comunidade religiosa. Na família, em especial a relação entre pais e filhos, pois estes últimos não são propriedades daqueles. Nossos filhos são nossos mais importantes hóspedes, entram, ficam um tempo e depois vão embora. Nesse tempo em que ficam, é preciso que venhamos a conhecê-los, e assim amá-los até o ponto de termos um relacionamento verdadeiro com eles. Para isso é preciso que os pais permitam o afastamento dos filhos. Libertá-los dos nossos desejos, pois é preciso lembrar que eles são apenas hóspedes que têm seus próprios destino…

O caminho da espiritualidade – o caminho em direção aos estranhos

Imagem
Já aprendemos que a primeira característica da vida espiritual é o movimento contínuo do isolamento para a solidão. A segunda característica, igualmente importante, é o movimento pelo qual nossas hostilidades podem converter-se em hospitalidade. Esse caminho é cheio de dificuldades, porém é no contexto da hospitalidade que o anfitrião e o convidado podem trazer vida nova um ao outro.
O grande problema desse caminho é nossa concepção do próximo como estranho. Aprendemos que devemos evitar o estranho, seja pela justificativa da segurança ou de preconceitos diversos. O fato é que enquanto o próximo for estranho, seremos hostis a sua presença. E sem encontro com o próximo não há caminho de espiritualidade. Então para isso precisamos desenvolver a hospitalidade, que nada mais é do que uma amizade sem amarras, e uma liberdade sem abandono.
Hospitalidade é a criação de um espaço livre no qual o estranho pode entrar e tornar-se amigo, em vez de inimigo. Não é trazê-los para nosso círculo, mas …

Caminho da espiritualidade – da solidão para a compaixão

Imagem
Já está claro para nós que solidão não se refere a isolamento, que na verdade esse encontro conosco mesmos é essencial para todo e qualquer outro encontro. Na verdade, a solidão necessariamente nos levará ao encontro da vida, e jamais a fuga da mesma. Pessoas que negam o mundo como ele é e criam suas tranqüilidades artificiais são auto-enganadas.
O caminho da espiritualidade acontece no solo da realidade, e desenvolver a mesma requer a capacidade de me envolver com o mundo a minha volta. Não podemos contemplar nossa história sem perceber as relações que ela possui com a história do mundo. Precisamos ter uma relação simbólica com o mundo, e unir, reunir os eventos exteriores com os interiores. Não somos chamados para posturas diabólicas divididos entre uma coisa e outra, somos chamados a reconciliação.
Assim, precisamos olhar a vida com todas as suas surpresas e interrupções como possibilidades de nos revermos, de nos refazermos. Porém muitos questionam a possibilidade real disso. Sup…

Caminho da Espiritualidade – a solidão necessária

Imagem
Solidão, de maneira simples significa estar só. E num primeiro momento nos parece impossível estar só sem nos retirarmos de perto das distrações do mundo, porém, no caminho da espiritualidade a solidão necessária não é a física, mas a do coração.
A solidão do coração é o caminho do desenvolvimento da sensibilidade interior, que é necessária antes de desenvolvermos sensibilidades interpessoais. A solidão do coração aprofunda nossas afeições pelos outros, a intimidade da vida, da amizade, das relações amorosas e das comunidades. É Ela que nos permite dar força ao outro através do respeito mútuo, da consideração pela individualidade do outro, da distância respeitosa da privacidade do outro e de uma reverente compreensão da sacralidade do coração humano.
Nas palavras de Rainer Maria Rilke, o amor consiste em duas solidões que se protegem, que se delimitam e se saúdam. Sem a solidão do coração jamais podemos ver melhor o outro e nem a nós mesmos. Quantos encontros não nos frustram, pois …

O caminho da espiritualidade – Encontro Consigo

Imagem
O caminho da espiritualidade é um caminho solitário. Ninguém pode fazer por nós esse caminho. Durante muito tempo tinha por meta a santidade, mas por vezes me confundi no entendimento sobre o que seria de fato ser santo. Faz alguns anos que tenho entendido que viver uma vida no Espírito de Cristo é um caminho de santidade, é um caminho de espiritualidade.
Como se trata de um caminho solitário não pretendo oferecer respostas ou mesmo soluções, mas espero contribuir a partir da minha experiência com o caminho daqueles que me ouvem. Entendo que o caminho da espiritualidade passa pelo encontro com nosso eu interior, com o nosso próximo e com Deus. Na relação conosco mesmos precisamos lidar com o isolamento. Na relação com o próximo, com nossa hostilidade. E na nossa relação com Deus, com a ilusão. E não adianta pensar que tal caminho nos afastará das dores da vida, ao contrário, o verdadeiro caminho da espiritualidade nasce das dores da vida.
No encontro conosco precisamos lidar com o is…

Sobre o princípio da colheita

Imagem
O princípio da colheita, ou da causa e efeito é muito comum entre nós, talvez pela repetição dele na natureza em diversos momentos. Mas o que podemos afirmar é que tal princípio é uma realidade existencial, mas não absoluta. Sabemos que existem leis que regem o universo, mas é ingenuidade beirando a estupidez considerar que o universo humano possa ser mapeado e definido por leis exatas. A história humana é a prova que não existem leis inexoráveis quando o assunto é a alma.
Apesar da Bíblia em muitas de suas partes conterem o principio da colheita, também possui muitos outros que nos ensinam que a vida não cabe no resumo da causa e efeito. Muitos salmos trazem esse ensino, a história de Jó é um belo exemplo, e os ensinos do profeta Ezequiel aponta para isso.
Pessoas que ignoram isso vivem pelos mecanismos da vista e sua relação com Deus é de troca, o que pode funcionar por um tempo, mas não por todo tempo, gerando posteriormente frustrações diversas.
O caminho da fé é feito justament…