segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sobre o princípio da colheita



O princípio da colheita, ou da causa e efeito é muito comum entre nós, talvez pela repetição dele na natureza em diversos momentos. Mas o que podemos afirmar é que tal princípio é uma realidade existencial, mas não absoluta. Sabemos que existem leis que regem o universo, mas é ingenuidade beirando a estupidez considerar que o universo humano possa ser mapeado e definido por leis exatas. A história humana é a prova que não existem leis inexoráveis quando o assunto é a alma.

Apesar da Bíblia em muitas de suas partes conterem o principio da colheita, também possui muitos outros que nos ensinam que a vida não cabe no resumo da causa e efeito. Muitos salmos trazem esse ensino, a história de Jó é um belo exemplo, e os ensinos do profeta Ezequiel aponta para isso.

Pessoas que ignoram isso vivem pelos mecanismos da vista e sua relação com Deus é de troca, o que pode funcionar por um tempo, mas não por todo tempo, gerando posteriormente frustrações diversas.

O caminho da fé é feito justamente no espaço onde as leis de causa e efeito falham ou nada traduzem. Serve-se a Deus por Ele e jamais pelos efeitos conseqüentes dessa possível relação. Jó foi um homem assim. Sua relação com Deus não se baseava no principio da colheita, mas no princípio do amor. O diabo, na história, desafia esse amor, ferindo o princípio da causa e efeito. Conseguiria permanecer crendo aquele que tem contra si toda lógica possível?

Quem anda pela vista pergunta onde está Deus diante de tanta injustiça no mundo. Quem anda pela fé não faz perguntas, e quando as faz jamais espera que as respostas determinem sua relação, pois ainda que o céu esteja encerrado, e alma grite pela presença do Divino, quem anda pela fé entrega seu espírito ao Silêncio presente.

Com isso não estou dizendo que o principio da colheita é nulo, mas afirmando que no que concerne a alma não cabe a nós estabelecer relações. E por isso somos exortados a plantar para colher conforme em Gálatas, mas somos proibidos de fazer juízo sobre essa relação, conforme fizeram os amigos de Jó sobre sua situação.

Aos que caminham pela fé e não pela vista permanece a esperança de que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus.

Ivo Fernandes
28 de janeiro de 2012 

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