sábado, 13 de julho de 2013

O pensar da febre


Estou com febre e meu corpo todo dói. Enquanto isso penso. Ontem lia as primeiras páginas de “A paixão segundo G.H” e já fiquei tomado pela questão da identidade, da pessoa, do que significa o humano. Rabisquei bastante e desejo mergulhar mais fundo nas questões sugeridas. Daí perguntei no grupo – sociedade – do facebook: O que é pessoa?
 
Meu amigo Al Duarte respondeu: uma máscara boiando no mar... Estávamos agora diante de outros termos que desencadeariam uma serie de perguntas: O que esconde a máscara? Ainda há rosto diante da infinidade de máscaras? 
 
Para mim estávamos diante da virtualidade que nos cerca e nos atravessa. Metafísica? Sim, é preciso resgatar a metafísica das formas, e falar de uma metafísica da força.
 
Pessoa não pode ser pensado como algo dado, acabado. Não pode ser pensado como fixo Eu. Nem como corpo-objeto apesar de dele jamais se libertar. Pessoa é potência, multiplicidade de eus. Não é necessariamente o que me organiza, mas justamente o contrário.
 
Da questão pessoa surgiu a questão do humano. E de maneira semelhante não penso humano como uma forma fixa. Como se o humano carregasse algo de melhor a qualquer outra coisa. Bom, dessa conversa surgiu à dica de um filme: Instinct (Instinto) drama produzido nos Estados Unidos em 1999, co-escrito por Gerald Di Pego dirigido por Jon Turteltaub.  Nele pode-se discutir essa questão do humano.
 
Adorei o filme, considero que em certos momentos me pareceu haver certa exaltação do “natural” e acho isso tão perigoso quanto os jogos das formas fixas. Porém certos elementos nos fazem questionar muitas coisas. A relação do antropólogo com o mundo, com sua filha, o que procura ensinar e o que aprendeu. O que para mim fica é que por mais que Ethan Powell tivesse sido aceito no grupo dos gorilas e isso tivesse mudado sua visão de mundo, o homem tem distinção. Fugir da filha poderia ser a negação dessa distinção que não queria confessar.
 
O que nos distingue não deve ser evitado. O que dizer desse momento em que escrevo? Dessas reflexões que faço? Da fé? Do amor? Do pensamento? Agora o que nos diferencia não nos coloca numa posição de controle. É certo que tais elementos são os maiores produtores da ilusão. E nossa ilusão maior é pensar que nossa diferença nos faz soberanos.
 
Uma das horas marcantes do filme trata justamente disso, quando no diálogo do antropólogo com o psiquiatra, onde este pergunta: O ser humano é mal, a civilização humana é má. Então o que sugere? Destruir as cidades, abrir mão de tudo e viver como animais? O antropólogo responde: Não... basta abrir mão da soberania
 
Eis aí nosso problema, a forma fixa da qual não queremos abrir mão. Pessoa, Humano, categoria do Homem é sua distinção, sua diferença que deve ser celebrada, mas jamais exaltada, criando hierarquias. E o que pode promover essa mudança crucial senão a potência, a força da liberdade, produto do que nos distingue, mas que não é uma ilusão.
 
Desculpe qualquer coisa, eu tô com febre...
 
Ivo Fernandes
13 de julho de 2013


Convocação do Tempo


Certo dia entrei numa casa velha. Longos corredores, várias portas, uma escada que me levava para onde as recordações estavam. Poeira e teias de aranha disputavam lugares com armários, portas retratos e um relógio de parede. Tirei o excesso de pó e vi que o relógio ainda funcionava. Fiquei ali, olhando o movimento de suas peças, e me senti tomado pela sensação de perceber o tempo. Ao som de cada segundo, era como se pudesse sentir o pulsar do seu coração. E como se cada minuto contasse histórias, ouvia a sua sentença sobre todas as coisas.

Naquele momento, eu que durmo com a morte não mais a estranhei. Percebi que não é correndo contra o tempo que se vive mais, antes é no passo calmo que escuta o som do relógio. Vive-se mais quando se vive para ficar na história, nos sobrados, nos portas-retratos, na poeira e na memória.

O tempo não para, mas caminha lentamente com passos marcados, como que cantando cada segundo.

Todos que correm para ganhar tempo perderam a caminhada e toda história nela contida. Será que na correria já nos questionamos pra onde estamos indo com tanta pressa?

O tempo nos convoca a sabedoria: é preciso contemplar o segundo que nunca mais se repetirá.


Ivo Fernandes

1 Coríntios – Uma síntese

A Certeza Deus é fiel (1.9) A Promessa Ele os conservará firmes até o fim, de modo que sereis irrepreensíveis no Dia de no...