domingo, 10 de novembro de 2013

Homenagem aos mortos


Uma frase muito comum nos ensinos familiares é “temos que aprender a viver”. Já uma bastante incomum é “temos que aprender a morrer”. Quase nos dizendo que vida e morte são tão antagônicas que tais ensinos não podem ser dados ao mesmo individuo. No entanto o que vemos a cada dia é uma geração que não sabe viver, justamente porque não sabe morrer.

No texto que discursei sobre a linguagem e a morte, disse que só o ser humano morre, fato explicado pela questão da consciência. Só o homem sabe-se finito, sabe-se ser-para-a-morte. Não é por acaso que para Platão, o filósofo é aquele que aprendeu a morrer.

É justamente no pensar sereno sobre a morte que pensamos melhor a existência. Mas como pensar sobre algo que não sabemos? Só vejo um jeito, inventando, criando! Sim, devemos criar o sentido da morte e assim inventar um sentido para a vida. Dessa forma não ficaremos presos aos cultos fúnebres, mas apenas daremos a eles o que cabe, o tempo das lágrimas necessário.

A morte inventada é morte como arte, e arte não se interpreta, se inventa, se intertrepa. Podemos e devemos fazer da morte uma força positiva da vida. Por isso que melhor do que ornamentar túmulos em homenagem aos mortos, a melhor maneira de homenageá-los é vivendo.

A morte seria o fim? Só se tivermos falando das estruturas orgânicas. A morte não pode matar a vida, talvez seja esse o grande ensinamento da ressurreição – a vida não morre.

Mas você pode me perguntar: como inventar a morte? Eu não poderia lhe responder, pois isso seria lhe oferecer modelos que matariam sua criatividade. Cada um de nós é autor solitário desse processo inventivo.
Desejo então uma boa morte para todos!

Ivo Fernandes

2 de novembro de 2013

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