sexta-feira, 4 de abril de 2014

Adoração


Não desejo conceituar adoração. Não desejo criar modelos. Adoração como ato da alma a Deus não pode caber em modelos particulares ou definições quaisquer. A alma é livre para adorar. O fato é que as Escrituras bíblicas nos chamam para adorar:

“Dai ao Senhor a glória devida ao seu nome, adorai o Senhor na beleza da santidade.” Salmos 29:2

É sabido que podemos adorar com conhecimento ou não, ou seja, pode-se adorar com a consciência ou na ignorância, movido apenas pela fé que nada sabe, mas que direciona. (Jo 4.22; 9:38; Rm 12.1). Não é exatamente o conhecimento que determina a verdade da adoração, mas o estado do espírito frente ao sagrado (Jo 4.24), e frequentemente é esse estado do espírito em adoração que diferencia um adorador de um mero religioso que observa ritos e obedece a liturgias.

Abraão adorou o Senhor na perplexidade e diante do absurdo, quando foi lhe pedido que sacrificasse seu filho (Gn 22.5). Porque ele adorou? A adoração não era garantia, troca, era mergulho cego no Amor de Deus frente à insanidade da circunstância.
O livro do Êxodo nos mostra que o povo hebreu foi chamado para adorar no deserto. Que local mais inapropriado para se adorar, se pensarmos adoração como apenas gratidão. A adoração não era para agradecer por algo recebido, mas dinâmica, poder, força na própria caminhada.

Davi é conhecido como exemplo de adorador. Sob que circunstância ele adorou? Com que estado emocional? Com que objetivo? A adoração era a condição fundamental de Davi, não importando o estado em que se encontrava ele adorava, talvez por isso fosse chamado um homem segundo o coração de Deus (At 13.22).

Enfim, são muitos os exemplos bíblicos, mas gostaria de destacar o exemplo de Jó por uma única razão, este homem justo teria muitas razões para ter outra postura frente às desgraças que lhe aconteceram, mas ele decidiu, escolheu adorar (Jo 1.20). E adoração de Jó não era conforme a adoração dos interessados, não era a adoração dos teóricos, não era a adoração dos machucados, não era a adoração do lamento, era ao contrário a adoração da consciência pacificada que não atribui a Deus o que é próprio da existência.

E na minha vida o que aprendi sobre adoração a partir das minhas experiências? Se que sou um adorador, não me perguntem os ‘como’ dessa afirmação. Sei que minha alma está para o sagrado, não posso negá-lo e, ou mesmo viver longe. Minha mente já viajou por muitos mundos conceituais, já mudei de posicionamentos teológicos e filosóficos, já abandonei liturgias e instituições, mas jamais deixei de adorar. Sim, nunca adorei o conteúdo do meu saber teológico-filosófico, adoro Aquele que me move a produzir esse saber. O conteúdo muda, não Aquele que me move, logo não muda minha condição de adorador.

A semelhança dos citados, mas dentro dos meus próprios contextos, adorei diante do absurdo. Adorei quando a mente negava o conteúdo da fé, tive fé contra a esperança. Dei razão a Deus quando nada fazia sentido. O Senhor provou minha fé e me mostrou um caminho sobremodo excelente. Adorei na alegria, na tristeza, entre amigos e na solidão, em santidade e em pecado, tendo tudo e não possuindo nada, adorei porque não tenho outro caminho a seguir. Deus é meu advogado diante Dele mesmo! Adorei confessando que tudo é dele, o bem e o mal, a luz e as trevas, todas as coisas e também minha alma. Adorei sem atribuir a Deus culpa alguma.

Enfim, adorei quando a morte chegou. Ela não encontrou lamentos, mas um espírito forte num corpo fraco. E a força do meu espírito é a própria adoração. Ela nunca foi um caminho para a vitória, mas minha própria vitória. Ela nunca foi estratégia para alcançar ou atrair a Deus, ela é a condição consequente da habitação do Espírito em meu ser.

Não há modelos, formas, moldes. Não há como adorar sobre comando de outros, pois adoração não é uma obrigação religiosa, mas uma escolha da alma. Só adora aquele que não tem outro bem além do Senhor!

Ivo Fernandes

30 de março de 14

Um comentário:

Charlene Adoradora disse...

Nossa meu gato essa foi uma das minhas realizações em leitura #amei d+

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