quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A mensagem de Jesus sobre o juízo contra o próximo – sobre acusados e acusadores


Leitura: João 8:2-12
Dias anteriores vimos pelas diversas mídias o drama que envolveu o goleiro Aranha do Santos, tentando denunciar, no meio de uma partida de futebol em andamento, os insultos racistas gritados logo atrás de si, e depois o de uma das ofensoras, torcedora do grêmio, que foi flagrada pelas câmeras chamado o goleiro de macaco. Daí seguiu-se diversas manifestações contra o racismo. Grupos saíram no ataque da torcedora muito mais que na defesa do goleiro. Estariam eles compreendendo que se tratava da mesma coisa?
Todos sabem da minha luta contra o juízo contra o próximo, o quanto esse tema é central em minhas mensagens e como vivo a tentativa constante do amor ao diferente. Sabem da minha defesa em favor de grupos minoritários como os gays por exemplo. E não só de grupos minoritários mas daqueles que estão sendo ofendidos em sua condição, como os pobres por exemplo.
A pergunta que poderia fazer é de onde nasce esse racismo, e esse juízo contra o próximo, mãe de toda forma de preconceito? E o que é preciso para que esse mal acabe em nós?
Na história acima quem são os acusados e os acusadores? Onde há verdadeira justiça? Nos berros da moça ao jovem negro, ou dos grupos berrando palavras de ordem na delegacia para a moça? E os expectadores que veem em suas casas e publicam frases em redes sociais, quem eles são? Quem representam? Sob questionamentos todos tem uma justificativa.
Essa história me lembrou de outra, a da mulher adúltera levada a presença de Jesus para ser por ele julgada. De maneira semelhante a história acima, temos os elementos do flagrante, do levar a juízo, da acusação e da presença popular. E qual é a postura de Jesus frente a esse caso? Ele trata da questão que falei acima – fala sobre acusados e acusadores. E quem são? Fica claro no trato de Jesus que esses dois papeis estão sendo interpretado simultaneamente por todos. E é essa consciência que ele deseja despertar nos envolvidos. Naquela história não haviam inocentes, pois todos estavam implicados no pecado.
Aqui está a mensagem – todas as vezes que nosso olhar é particularizado, o resultado é juízo contra o próximo, ódio, vingança e coisas semelhantes a essas. O chamado é para que o olhar se amplie, saia do ambiente particular para contemplar a totalidade. Isso é ser filho de Deus, ou seja possuir sua natureza, e o que é Deus senão a Totalidade? Quanto mais particularizado mais diabólico sou. Lembre-se, estou falando particularizado, pois o particular é aquele que negando a própria singularidade e a dos demais tenta sufocar a diferença a partir de seu mundo. O singular que vê a totalidade, esse ama o diferente, pois na diferença aprende-se e evolui.
O perdão, a misericórdia e o amor são frutos desse espírito. Em outras palavras a presença de acusados e acusadores só se dão na ausência do divino, quando todos vivem no reino do particular. Porém quando acusados e acusadores são trazidos a presença do divino, aqui visto na pessoa de Jesus, não há como identificar os mesmos, pois no reino de Deus os particulares desaparecem e surgem os singulares que são partes da totalidade, e na totalidade todos são divinos. Não há na presença de Deus acusados e acusadores.
Nas duas histórias todos os envolvidos só enxergam as coisas pelo seu mundo particular, pouco importava a vida do outro, as razões do outro, a história e os condicionamentos anteriores que promoveram aquele momento. E mais, nessa particularidade conseguiram se esquivar dos acontecimentos como se não fossem coparticipantes de tudo que ocorria. Aqui está a raiz de todos os males. Esse é o mundo sem Deus.
Porém Jesus nos desafia a largar as pedras que temos nas mãos, que não se traduzem em justiça e sim em mentira, engano e confusão do reino dos particulares, e abraçar o caminho do perdão, próprio do reino de Deus.
E você o que tens nas mãos?
Ivo Fernandes

10 de setembro de 14

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