terça-feira, 9 de junho de 2015

A servidão humana ou a força dos afetos


“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado”. Romanos 7:14-25

Por servidão humana compreendemos a fraqueza humana em regular seus afetos. Por sua condição finita e sua constituição corpórea-mente o homem está necessariamente submetido a paixões. E a força dos afetos não podem ser resolvidos alheios a eles, de maneira que somente a força de um afeto pode anular a força de outro.

O próprio conceito de bem e mal, são produções, ideias advindas dos afetos de alegria e tristeza. Logo conhecer o bem e o mal enquanto conceito não anula a força dos afetos. Só um afeto pode anular outro.

Guiados pelas paixões os homens produzem toda espécie de discórdias, pois as paixões não concordam entre si. E o primeiro caminho é perceber nossa finitude e a força dos afetos sobre nós. Esse perceber não é um convite a passividade, mas uma clareza de que não é tentando dominar afetos por conhecimento que regularemos os mesmos. Mas sendo atravessados por afetos superiores.

Sabendo que o bem e o mal são conceitos, temos que nos perguntar o que nos é bom, e o que aumenta nossa potência de agir. Temos que transformar os afetos passivos ou paixões em afetos ativos. E como fazer isso? afetados pela Razão e pela Fé. A fé é o mais poderoso dos afetos.

A razão nos fará compreender a relação dos afetos com os conceitos, nos libertando da culpa atrelada aos equívocos sobre o bem e o mal. Ela não dominará o corpo, mas esclarece o caminho, como uma chama na mão do viajante por lugares escuros.

E quando digo que ela não dominará o corpo, afirmo que a razão e nem mesmo a Fé nos retira do mundo, nem nega o corpo, o que faz isso são as superstições. O que elas fazem é nos dar conhecimento para que possamos experimentar a vida em alegria.


Ivo Fernandes

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