segunda-feira, 22 de junho de 2015

Da eternidade da mente ou da salvação da alma


A primeira coisa a ser dita diante desse tema é que não se pode falar de salvação se essa revela-se como negação da vida ou do mundo. Toda salvação além-mundo não é salvação da alma, pois só podemos avançar na reflexão sobre o assunto se não negarmos o sentido de existir. Salvação é, pois, sempre uma salvação da vida na vida, da alma na existência e para além dela. O contrário disso é má religião.

Só conseguimos alcançar a reflexão sobre a eternidade da mente pela fé, pois escapa aos meros sentidos, e da razão por mais sofisticada que essa seja. Pois tal saber só é produzido pelo mais potente afeto. Por isso os salvos já passaram da morte para a vida frente a força desse afeto.

Para entendermos melhor esse tema é importante diferenciar imortalidade de eternidade. A ideia de imortalidade, está ligada à duração, portanto só é entendida no tempo. Trata-se do desejo do ser em persistir na existência. Mas a eternidade não é uma duração pois não é regida pelo tempo. Logo o que é eterno é atemporal.

Assim podemos dizer com toda certeza que Deus é eterno, pois não sendo preso, nem filho do tempo, é a causa de todas as coisas, inclusive do próprio tempo. Logo só aquilo que não se submeteu aos modos, mas antes os formou pode ser, quando na existência as coisas chegarem ao fim. O homem é finito pois é existente, logo como a existência se extinguirá em si mesmo, no entanto o mesmo homem é espirito divino, e tal espirito não se extingue pois da existência não dependeu, antes a significou. O espírito divino no homem é eterno.

O que parece ser então a questão é se nesse espirito algo de minha identidade pessoal construída na existência sob a força do tempo e do espaço, permanece ligada a esse espírito. Ora o que se pode saber é que tal espírito se satisfaz plenamente na aliança com Deus. E na aliança do espirito humano com o Espirito Eterno que está a felicidade. Assim a consciência que já alcançou essa saber por meio da fé, não busca a imortalidade de qualquer parte sua especifica, mas apenas a união com Deus. Quem não ama a eternidade por causa da possível não continuidade da identidade, não foi afetado pela eternidade.

A morte não mata o espírito. E o espírito está para o ser conectado com o terceiro gênero de conhecimento, a fé. Todas ideias adequadas oriundas desse conhecimento são ideias ligada ao espírito, logo, permanece aquilo que é. Assim não teme a morte quem sabe da eternidade do espírito. Assim não é a memória que é própria da existência que persiste, mas o espírito e as ideias adequadas.
Salvação nada mais é do que um renascer para a eternidade dentro da existência.

Ivo Fernandes

22 de junho de 06

Um comentário:

Anônimo disse...

Esse texto me levou a imaginar que tenho uma eternidade dentro da minha vida, muito bom 👍

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