terça-feira, 14 de julho de 2015

Eu acredito no Amor


Falo de amor, sexo e relações há muito tempo. O que falo é fruto de minha própria experiência somado com a escuta clinica-pastoral de muitas pessoas e do conhecimento adquirido dos estudos, sendo que nada faz em mim separação, ou seja falo do que acredito, sabendo que amanhã posso mudar de opinião, afinal meu compromisso é com a verdade para a minha alma e não com coerências com os tempos passados.

Entendo que a natureza humana é dotada de potência criativa e que o corpo humano é um corpo de desejo, e que os objetos desses desejos são frutos de formação, que é preciso levar em consideração a genética, cultura, história e ideologias. Pois sem isso o que teríamos era um corpo desejante sem objeto. Logo, não existem modelo corretos ou adequados do desejo, mas uma diversidade imensa fruto dessas características da natureza humana.

Logo quanto mais eu conheço o homem, e me conheço mas respeito as diferenças e posso eu mesmo perceber em mim coisas que não percebia antes, ou experimentar o que jamais havia pensando.
Porém nós humanos somos seres sensíveis e nossa sensibilidade, junto com nossa racionalidade, imaginação e intuição nos fizeram seres que amam, que sentem, conceituam e imaginam o amor.

A forma de amar estará ligada a nosso mundo conceitual e imaginativo, logo quanto mais limitado nosso mundo mais limitado a expressão do amor e meu campo de aceitação das diferenças. Quanto mais amplo mais resolvido somos.

Bom, sem falsidade alguma, me considero alguém que alargou seus limites conceituais, imaginativos e sensitivos, por isso não penso mais o amor nas categorias tradicionais de nossa cultura. Por exemplo não penso que amor e sexo tem uma relação imprescindível, penso que a traição de confiança resultante da tentativa de reprimir nosso ser natural em um sistema social rígido e antinatural é um maior inimigo do amor do que o sexo. Amor e sexo não são as mesmas coisas e não preenchem as mesmas necessidades.

A honestidade e a verdade me são mais caras do que a exclusividade sexual. Isso porque sendo bem honesto a maioria de nós sabe que nossos desejos não se encerram numa relação e de lá não escapam. Penso que o próprio amor pode escapar e amarmos mais de uma pessoa ao mesmo tempo, é claro que em razão das diferenças entre as pessoas, cada amor terá uma característica particular, nunca se tornando a mesma coisa.

Penso que uma mente que nisso acredita livra-se de sentimentos tão danosos para as relações como o ciúme por exemplo. Em vez de ciúmes, podemos investir nos relacionamentos, com amizade, tesão e respeito.

Eu sei que algo assim, uma consciência dessas não se tem da noite para o dia, isso é resultado de um longo processo de desenvolvimento pessoal, do qual, por enquanto, poucos são capazes. É necessário fazer toda uma revisão de conceitos, de condicionamentos culturais e emocionais, para ver as coisas a partir de um outro paradigma. E nem mesmo penso que essa forma de ver o mundo e as relações precisam ser universais, também sustento o direito de qualquer um optar pela monogamia, fidelidade sexual, ou qualquer outro modelo relacional, como escolha de vida, e sei por experiência clínica-pastoral que essa é a escolha certa para muitas pessoas.

Muitos consideram que é essa minha forma de pensar é promiscuidade, mas sinceramente a maioria das pessoas que me procuram sendo infiéis aos seus parceiros não pensam como eu, mas justamente o contrário. Assim prossigo em paz, sabendo que o que penso não tem trazido mal nem a mim nem as parceiras de vida que já tive o prazer de conviver, e com a qual convivo.

Ivo Fernandes

14 de julho de 2015

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