quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Fabíola, a mulher adúltera


Somente dois dias depois do vídeo do “caso Fabíola” viralizar na internet é que soube do que se tratava. Isso se deve a minha postura de não abrir quase nenhum vídeo que me mandam por redes sociais. Tinha visto muita piada, mas não sabia exatamente do que se tratava. Porém imaginei que se fosse verdade que houve uma traição conjugal eu não deveria republicar nada a respeito, pois se eu estivesse no lugar de um dos envolvidos eu não gostaria de ter minha vida exposta dessa maneira.
Hoje, no entanto, vi numa reportagem o “caso” e fiquei feliz pela postura que assumi e triste pelo cenário construído em torno do assunto. Do que trata? De uma traição conjugal.
Meu Deus! Quantos que fizeram piada, ridicularizam, apoiaram a violência, riram da desgraça, não fazem a mesma coisa, e só não tiveram o azar de serem descobertos.
Tudo ridículo, da postura dos envolvidos até a de milhares de outros que por meio das redes sociais jogaram suas pedras na adúltera que estava ali exposta em praça pública. Até mesmo o que com ela se deitou nada fez para defende-la, afinal numa sociedade machista e hipócrita só quem não presta é a mulher em tal situação.
As piadas poderiam ser engraçadas se elas não escondessem a tragédia de nosso tempo. Um tempo onde corruptos são juízes, criminosos são policiais, religiosos são exploradores da ingenuidade, e milhares de hipócritas são delatores da intimidade alheia.
Eu disse dias atrás para meus leitores que não deveriam ignorar o fascismo presente nas atitudes de manifestantes. A postura de tantos ao banalizar a violência, justificada na honra ferida do homem, esconde um jogo de poder maligno contra tudo que é diferente, que foge do padrão, da norma, da moral.
O que esperar de uma sociedade que acha certo ou no mínimo engraçado o que foi feito com esta moça publicamente? E o pior, quase todos cristãos, ditos seguidores de Jesus de Nazaré que numa situação semelhante teve uma atitude totalmente contrária à deles.
O que sabemos realmente a respeito dessa moça? Nada! Somos juízes que sentenciam os outros baseados na nossa arrogância, maldade e hipocrisia. Eu posso entender a raiva do marido, mas não posso justificar as atitudes dele. Porém a atitude de todos que decidiram apedrejar a adúltera dos nossos tempos eu não posso entender e nem com eles me ajuntarei.
Se você que me ler constantemente esteve ou está na roda dos apedrejadores, peço solte essa pedra virtual. Pense antes de jogar (publicar, republicar) essas pedras. Vamos deixar de ser tão idiotas que fazem tanta besteira em redes sociais.
Fabíola, um homem chamado Jesus de Nazaré não te condena. Torço para que você se erga dessa história e siga seu caminho por estradas que não te conduzam a nada disso pelo que passou.

Ivo Fernandes

18 de dezembro de 15

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