domingo, 15 de janeiro de 2017

A história de Ananias e Safira – o que aprendemos com ela?


Leitura: Atos 5

Faz muito tempo que não ouço falar dessa história. Eu mesmo pouco a explorei em minha carreira. Porém, essa semana nas minhas leituras devocionais ela me ressurge. Então, procurei saber a interpretação de alguns queridos sobre o texto, e esta mensagem é fruto do encontro dessas interpretações com a minha.

A história é trágica, semelhante as muitas que encontramos no AT, porém muito diferente das que encontramos no NT. Numa primeira leitura, ela rapidamente nos aponta para um juízo fulminante da parte de Deus, surgindo no leitor aquele temor diante desse Ser poderoso.

Se fuçarmos a internet veremos esse texto sendo usado pelos mercadores da fé como arma para fazer seus cientes por medo os obedecerem e comprarem seus pacotes religiosos. É o típico texto que serve para impor a doutrina da obediência ao dízimo. Porém tal interpretação fere todo o espírito do NT. E essa é a questão a se resolver: Como interpretar esse texto a luz da Graça e do Amor?

Ora, vamos por parte. O que encontramos no texto?

1.   A morte de Ananias e Safira não tem haver com o dízimo e as ofertas. O dinheiro os pertencia e ele poderiam reter se quisessem. Morreram porque pensaram que podiam se passar por aquilo que não eram.
2.   A mentira conduz a morte
a.   Tentar fingir ser quem não se é, mata

Vejamos uma história parecida em onde a figueira amaldiçoada morreu pelo mesmo motivo (Mateus 21.18-22; Marcos 11.20-25). Suas exuberantes folhagens indicavam a presença de fruto, mas quando Jesus se aproximou dela, viu que a árvore demonstrava possuir aquilo que, de fato, não tinha em si, numa estação da vida que todas as demais figueiras estavam nuas porque era outono.
b.   Essa mentira tem maior peso pois envolve o sagrado. Se finge para os homens sobre o agir de Deus. É a MENTIRA DE SER.
3.   Agora nos avaliemos. Avaliemos nossos cultos, nossa teatralidade na adoração, nossas encenações de piedade. Avaliemos nossa conversão, nossa espiritualidade. O que realmente mudou em nós com o Evangelho?
4.   Assim como Pedro nós do Caminho da Graça temos lhes ensinado que o caminho é o da verdade. Você não é obrigado a nada. O chamado é para ser e não para fingir ser. Entre nós “do Caminho”, não se está pedindo para ninguém fazer o que não quer fazer, ou dar o que não quer dar. Se forem fazer que o façam de verdade e em verdade!
5.   A verdade, seja ela qual for na vida, é a única coisa que interessa no Caminho. O que passar disso provém do maligno.

Eu, sou alguém que luta para a vida e as obras andarem em conformidade. Sempre foi contra a mentira que mais lutei. Posso dar título a minha história, “Pelo direito de ser quem sou”. Nessa minha busca às vezes, ou na maioria das vezes sou mal interpretado, pois as pessoas estão acostumadas com teatros, performances, mas não com a verdade do ser. Porém não desejo que ninguém pense de mim mas do que eu mesmo digo que sou. O que conquistei à duras custas não abro mão – a liberdade de ser. E afirmo não há nada melhor que conhecer a própria verdade no solo da Graça, pois fora dela toda verdade é terrível, mas nela toda verdade é libertadora.

E por falar em Graça – a questão volta? E a graça na história de Ananias e Safira? Está no ato de morrerem ali diante da verdade ainda na existência. A morte de ambos é fruto do amor do Pai que não permitiu que a mentira se instalasse de vez no ser os conduzindo a morte eterna.

Sim, a morte na existência é uma graça quando ela evita a morte eterna. E a morte eterna nada mais é do que a o não-ser destruir o ser. E isso só ocorre se a mentira de ser não for interrompida, nos fazendo perder a alma de vez.

Agora pensemos mais um pouco na tragédia de nosso tempo, onde os mentirosos do templo ainda estão vivos mentindo a si mesmos e a todos a sua volta. A misericórdia de Deus para os que ainda guardarem alguma verdade na alma é impedir que a mentira tome conta, se não for assim é porque nunca houve verdade no interior, fazendo assim o tal ser apenas se eternizar no estado de perdição.

Dessa forma, bendito o Senhor que nos pune para nos livrar da mentira de ser por meio de sua Graça e Amor.

Ivo Fernandes
15 de janeiro de 2017

(Inspirado nas interpretações de Marcelo Quintela e Caio Fábio) 

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