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Deus em Cristo

Hoje, lendo um livro de teologia sistemática percebi o quão distante da velha “ortodoxia” e “sã doutrina” da minha infância estou. Na minha caminhada meu contato com os dois mundos, o da religião cristã-protestante-evangélica-pentecostal e o da religião-nenhuma, me permitiram não engessar minha alma, petrificar meu espírito, amarrar meus pensamentos, destruir a minha vida. Como vivia toda a semana entre os sem religião e só alguns fins de semana com os da religião evangélica, acabei não me envolvendo realmente com ela, mas só com o que me encantava nela, que no meu caso era a figura de Deus em Cristo ou do Pai de amor por Cristo revelado. Assim quando na juventude fui separado ao ministério e estudei teologia, aprendi de tudo, mas por nada me encantei, pois meu encanto permanecia o mesmo da infância. Dessa forma, nunca consegui me posicionar teologicamente, não era fundamentalista, não era calvinista, não era arminiano, não era pentecostal, não era dispensacionalista, não era evangélic...

Sobre minhas crenças e minha fé

Todos os dias alguém me faz alguma pergunta sobre as coisas nas quais creio, e quase sempre a resposta gera uma onda de interpretações que acabam tornando-se atos de perseguição, calúnia, difamação. Entretanto outros se interessam e começam a querer saber mais, e com a proximidade aprendem mais sobre mim, sobre minhas crenças e principalmente sobre minha fé. Sim! Os que de mim se aproximam descobrem que a minha fé não está naquilo em que abraço como conjunto de crenças e sim posta numa Pessoa. Foi Jacques Ellul que me ensinou a diferença entre fé e crença. E depois disso ficou mais fácil explicar algumas coisas. Só lamento o fato de as pessoas estarem mais interessadas nas crenças que são o conjunto de pensamentos formados a respeito de diversos assuntos, do que na fé que é um dom de Deus que nos capacita a nos relacionarmos com Ele. É a partir destas diferenças que muitos ficam sabendo que não tenho religião específica, pois de acordo com o conjunto de minhas crenças não me encaixo em...

O lugar da contemplação na vida cristã

Salmo 46 DEUS é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; não se abalará. Deus a ajudará, já ao romper da manhã. Os gentios se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu. O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. Vinde, contemplai as obras do SENHOR; que desolações tem feito na terra! Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo. Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra. O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. Como cristão que viveu sua infância...

Comunidade de Cristo

Hoje gostaria de falar sobre a Igreja. No entanto por saber que esse termo já não carrega o mesmo significado no NT, chamarei quando me referir a Igreja de Jesus de Comunidade, visto que Ecclesia do ponto de vista do NT é uma comunhão de pessoas que possuem em comum a unidade espiritual com Cristo manifestado na relação com o outro. E quando usar o termo “igreja” neste texto estarei falando do movimento humano que deu origem ao que chamamos de religião cristã ou igreja cristã com suas diversas divisões. Como alguém de origem protestante concordo com a definição de igreja de Lutero que percebeu a diferença entre Ecclesia do NT e a igreja institucional. Lutero via a Ecclesia como uma comunidade, uma congregação, uma unidade de pessoas, um povo, uma comunhão. Já quando falamos de “igreja” nos referimos a uma instituição administrativo-religiosa. Já a Comunidade do NT é uma comunhão pura de pessoas, inteiramente sem caráter institucional. E nisso até os reformadores protestantes falharam, ...

ENTREVISTA QUE CONCEDI AOS ALUNOS DE HOMILÉTICA DO CURSO DE TEOLOGIA DO STC EM 2006

Perguntas (1) Para você, qual é o maior objetivo da pregação no púlpito? Por quê? Visto que o maior público que está diante de um púlpito é um público de confissão religiosa, a pregação no púlpito tem dois objetivos básicos: primeiro, levar o povo a uma consciência da mensagem do Evangelho destacando os abusos e perversões da mensagem nos dias de hoje; e segundo, conduzir este povo que adquiriu consciência a serem povo de Deus na terra, sal e luz, a fim de que o mundo glorifique ao Pai que está no céu. ( 2) Qual o requisito que você considera indispensável para o pregador, para que este seja eficaz? Convicção do que está pregando. Relação visceral com a mensagem pregada. (3) Numa pregação, o que você acha que é mais importante? Quanto tempo mínimo ou máximo ela deve ter? Qual (is) requisito(s) necessário(s) para que esta se torne chamativa para você? A clareza no que está sendo exposto. O tempo para mim vai de 30min às 1h e 30min. Os requisitos são: Domínio do assunt...

Natal

Sempre gostei do Natal. Sempre me encantei com o espírito que nos cerca nesta data. E para mim isso é maravilhoso visto que em minha casa não havia celebrações de Natal conforme acontecia no meu espírito. Era apenas mais uma festa, um feriado, onde no máximo se diziam palavras de bem ao outro. Nunca sentei numa mesa para compartilhar algo sobre a Encarnação nem na minha infância e nem na igreja. Na igreja o que eu ouvia eram sermões explicando a origem pagã do Natal e o significado diabólico de cada símbolo natalino. Mas sem saber o porquê nunca liguei para essas coisas. Para mim o Natal sempre foi mágico, não por causa do papai Noel, mas por causa da manjedoura, da estrela, do Menino. Desta forma sempre celebrei o Natal e na minha casa celebramos, e ao contrário do que fizeram comigo, falo com minhas filhas da razão do Natal e de seu real significado. O Natal não me lembra o diabo como lembravam meus pastores. Ora o Natal será de acordo com o que vai em nosso coração. Paulo nos ensina...

A origem

Na teologia existe algo que poucos ousam falar a respeito, é a questão da origem do mal. Como o mal e o pecado foram possíveis para um ser perfeito e bom? A maioria responderá que o mal é fruto da liberdade humana e que Deus nada tem haver com ele. E mesmo não negando que o mal que nos sobreveio é fruto da liberdade que optou pela transgressão, não penso nessa liberdade como uma capacidade do homem para existir fora de Deus ou de fazer qualquer coisa que estivesse fora Dele. Quando penso no princípio, no Éden, na Queda, lembro que antes de tudo isso o Cordeiro foi imolado, o que faz com que a Queda já aconteça na ambiência desta Graça da Redenção. Assim tudo que sucede a morte do Cordeiro antes da fundação do mundo é processo que caminha para o propósito para quais todas as coisas foram criadas. Penso que no processo para se chegar à Nova Jerusalém tinha que primeiro vir o Éden. Assim quando o que é Perfeito se manifestar aquilo que é em parte desaparecerá. Alguém ao ler isso pode dize...