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Mostrando postagens de agosto, 2011

Deus transcendente e imanente e a nossa espiritualidade

“Há um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos ( transcendente), por meio de todos (transparente) e em todos (imanente)” (Ef 4,6). Não existe espiritualidade que não seja experiência. Deus não é somente para ser pensado, mas sentido. Esse sentir não pode se confundir com as imagens que construímos sobre Ele. Quem experimenta Deus é livre para assumir e reassumir os símbolos que falam dele, pois não pretendem defini-lo. Experimentar Deus é mais que nele crer, é um saber que se manifesta na vivência. Não se trata de negar as imagens, afinal Deus é identificado com os conceitos que dele fazemos. Trata-se antes de reconhecer a insuficiência de todas as imagens, pois Deus é transcendente. Neste estágio não nos preocupamos com os antropomorfismos, pois sabemos que tudo o que dissemos de Deus é antropomorfo. O mesmo Deus que é transcendente, que não se confunde com as coisas, está presente nelas, fazendo de todas as coisas veículos de revelação. Representado como tota...

Sobre a crítica bíblica

Qualquer pessoa que leve a sério o estudo das escrituras não poderá mais se esquivar dos conteúdos das demais ciências, como arqueologia, história, sociologia, antropologia, etc. Não podemos mais ler as escrituras de maneira mágica, esotérica ou como se o livro tivesse descido do céu, como que escrito pelo próprio dedo de Deus. Precisamos respeitar a história da transmissão textual, com toda a sua evolução. O estudo da história e da crítica textual da bíblia se justifica, principalmente, pela perda de muitos dos códices, os “originais” dos autores. Atualmente, existem cerca de cinco mil manuscritos, sendo que perto de cinqüenta e três contêm todo o Novo Testamento. A situação do Novo Testamento é muito melhor que a de todos os escritores antigos. Da maioria deles temos manuscritos somente a partir do século IX d.C., e assim mesmo em número bem reduzido. Do Novo Testamento temos dezessete manuscritos do século IV e vinte e sete do século VI. Temos ainda citações encontrad...

Sexualidade e Evangelho

Um dos temas mais perturbadores para a religião cristã é a questão da sexualidade.   Entretanto, não deixa de ser uma surpresa o fato de constatarmos que este tema ocupa um lugar bastante secundário nos Evangelhos. Qualquer exegeta sério sabe que o Novo Testamento não oferece um ensino completo e sistemático sobre esse assunto, no entanto a religião cristã atribui à sexualidade um caráter privilegiado no encontro com Deus. Temas tão discutidos como a masturbação, homossexualidade, relações pré-conjugais não possuem muita referência explicita nos Evangelhos, e, no entanto atormentam a consciência de muitos cristãos. Talvez isso explique o porquê que a religião cristã é mais paulina (o que para mim, se constitui também numa leitura equivocada de Paulo) do que cristã, nesse sentido. Nos Evangelhos, Jesus não se apresenta como inimigo do corpo, pregando sacrifícios ou privações. Ele mesmo não foi um asceta, nem um essênio. Possuía uma vida tão comum que é acusado de c...

Revelação

Revelação é o nome dado ao ato de Deus comunicar-se, comunicação que só é possível por sua própria vontade, sendo assim um ato de Graça. Está intrinsecamente ligada a vontade de Deus que todos os homens cheguem ao pleno conhecimento da Verdade (Ef 4.13; 1 Tm 2.4). Sendo assim, não podemos pensar a Revelação limitada, na verdade ela é livre como a Graça, livre para revelar-se a quem quer, onde quer, e do modo como deseja fazê-lo. E mesmo a Revelação em Cristo não é uma limitação da Revelação ou mesmo um impedimento para que ocorra como, onde e quando quiser, ela é a Revelação, pois a Unidade, plena reconciliação, está manifesta. Deus antes de haver qualquer criação deu-se por suas criaturas a fim de trazê-las a existência e por fim levá-las a plenitude da realização Nele. O Cordeiro foi imolado antes de haver mundos por toda a criação e não só por um grupo de homens. A Graça é Universal. A Revelação é Universal. A Salvação é Universal. É por causa disso que mesmo aque...

Para que todos saibam

Com oito anos de idade ouvia de vários profetas evangélicos que Deus havia me escolhido para uma grande obra, em virtude disso, não pude viver como uma criança normal, assim, desde cedo fui sendo preparado para tal missão. Com 12 anos estava no púlpito, com 15 pregando em vários lugares, com 18 assumindo a liderança de uma igreja evangélica. Porém sempre tive dificuldade em comunicar aquilo que era ensinado a comunicar. Jamais me interessei pelos temas comuns que atraiam tanto as pessoas. Desde a adolescência me preocupava mais com o estado emocional dos jovens que liderava, em virtude de suas experiências sexuais, do que saber se elas eram ou não pecado. Tentando encontrar uma ideologia que minha consciência aceitasse, estudei tudo que podia, a doutrina dos pais da igreja orientais e ocidentais, a doutrina católica medieval, a escolástica, os pensadores protestantes, reformados, radicais, liberais, ortodoxos, fundamentalistas, neo-ortodoxo, pós-liberais e contempo...