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Mostrando postagens de março, 2022

A mulher e o mendigo, e a pobreza de nossas almas

Desde o primeiro momento em que vi o vídeo que circulou na internet, naquele instante apenas sobre uma possível traição conjugal, quis falar sobre o assunto, por diversas razões e questões que essa história desperta. Quando vi, eu estava na academia, e um programa desses de fofoca noticiava o acontecimento. Como não seria diferente, cheio de sensacionalismo, com foco na traição e no ato de um marido “que levou cifre” estar indignado.  A primeira coisa que me veio à mente foi a questão da exposição pública, que hoje, com a força das redes sociais e da internet, faz com que todos sejamos todos vítimas e algozes desse processo cruel. Depois a história com um tom de humor, afinal brasileiro “não perde a piada”, e “é pra isso que a gente paga a internet”. E, por alguns momentos, eu também ri da situação. O nosso humor esconde muita coisa sobre nós.  A segunda questão que me tomou, e quase sempre me toma, é perceber a hipocrisia dos comentadores de plantão. Como é danoso para minha ...

Deus está distraído?

Assisti o filme “O Bombardeio” (2021), do diretor dinamarquês Ole Bornedal, e ele já entrou para a lista dos filmes que me emocionam pela qualidade da produção, atuação, direção, mas acima de tudo por me fazer pensar e sentir. Sobre o que ele me fez pensar? Sobre a guerra, a humanidade, Deus e nossa frágil, porém insistente, esperança e fé. A frase que para mim faz elo é dita pela noviça Teresa... “Deus nunca dorme, mas pode se distrair” e no fim, por Rigmor, com a pergunta: “Deus deixou um lápis cair?”, pois, diante dos horrores da guerra, como manter a crença? A mera atribuição de culpa ao homem, como única explicação para tamanha miséria nunca me foi suficiente. No fundo eu nunca acreditei nas explicações que boa parte da teologia me deu. Como Teresa, sempre me vi entre a vocação e as questões filosóficas que espreitavam minhas crenças.  Coincidentemente, no dia anterior, numa conversa sobre o suicídio com alunos, depois de alguns relatos, uma aluna me perguntou se eu acreditava...

O que quer a mulher?

O que é a mulher? A mulher existe? Qual sua origem? Toda redução das questões envolvidas nas perguntas anteriores é um prejuízo para todos nós.  A psicanálise não se omitiu da questão. Freud não se omitiu, mesmo não conseguindo atravessar a barreira de si mesmo rumo àquilo que ela chamava de continente negro. Ele partiu da máxima que “não se nasce mulher nem homem, mas nos tornamos um ou outro”, quão revolucionária foi essa questão. É a partir dela que podemos tentar desconstruir a figura universal e abstrata de A Mulher, que nada mais é que “um conjunto de imagens e representações que tentam produzir uma identidade para todas as mulheres sem alcançar nenhuma delas em sua singularidade”.  Para entendermos as questões se faz necessário o mergulho na história do conceito, e suas produções de feitos no percurso histórico. Quem é a mulher da história? Quem é a mulher em cada momento histórico? Ser uma mulher é o mesmo que ser A Mulher?  A psicanálise foi fundada pelas mulhere...