Pular para o conteúdo principal

Postagens

Minha Ideologia

Como professor e também como estudante encontrei na teoria freireana a síntese dos meus anseios tanto como aluno como professor. Sua crítica aos modelos de educação tradicional que não levam em consideração o aluno como sujeito ativo no processo educacional me fez ver com mais clareza o perigo dos absolutos na educação que desconsidera o saber do outro. A ênfase freireana numa prática docente libertadora que se envolve com o mundo me fez amar mais ainda a pedagogia, por encontrar nela uma força transformadora. É a teoria que reconhece que a história é tempo de possibilidades e não de determinismo. Se considerarmos todos os pressupostos freireanos e aplicá-los de fato, creio que teremos uma nova educação e conseqüente um novo mundo. A educação de fato só existe na relação dinâmica entre aluno e professor, onde o professor ame o que faz e se dedique a prática docente, jamais desrespeitando o saber dos alunos. É esse tipo de educação positiva, mas que não ignora os desafios de uma r...

Minha fé

Caminhei bastante pra chegar até aqui, e aonde cheguei é um lugar de repouso. Esse repouso se dá por causa da pacificação que minha mente vive. E essa pacificação é resultado de uma fé simples que desenvolvi depois de muita desconstrução e reconstrução. Hoje posso resumir minha fé da seguinte maneira: Creio em Deus, num só Deus, mas que pode ser muitos, pois cada homem em cada lugar do mundo pode chamá-Lo por nomes que traduzem seus anseios. Eu o chamo em especial pelo Nome que se manifestou em Cristo através da encarnação. Esse Cristo que é meu Deus é o mesmo que advoga minha causa diante Dele mesmo. Ele é o meu destino e o meu Caminho. Creio que por meio de Cristo o reino foi colocado no meu coração e este reino é regido pela lei da Graça que é o Amor. E este amor é destinado a todos os homens e que uma vez consciente dele podem viver a verdade na vida, sabendo que o grande objetivo é ir sendo aquilo que Nele já somos. Creio que somente com essa consciência será possível se con...

III Sobre a Graça

Muitos dizem que prego apenas sobre a Graça e o Amor de Deus, negligenciando a ira e a justiça. Quem me conhece sabe que isso é uma inverdade, só não vejo a ira e a justiça de Deus como a maioria destes vêem. Concordo com Russel quando diz que a ira é um dedo da mão de amor do Senhor. E mais, foi o próprio Jesus que disse que tudo se resume ao Amor, e também disse a Paulo que a Graça nos basta. Porque faria eu diferente do Senhor? Falo sobre a Graça, sobre o Amor, sobre a fé, sobre a reconciliação, porque essa é missão que a mim foi confiada. No início foi o Amor, no fim será o Amor, o que passar disso, não cabe a mim anunciar. Ensino sobre o Amor, ensino sobre Deus, porque Deus é Amor. Sei que todas as demais coisas são entendidas somente depois da percepção do Amor, assim só serão vítimas da ira aqueles que não enxergaram a reconciliação efetuada. Deus queira que aqueles que falam muito sobre a ira não venham buscar a Graça como suficiente somente quando a dor e a tragédia vierem ...

O Evangelho e a questão do ser

Publicar postagem "E depois de uma tarde de quem sou eu E de acordar a uma hora da madrugada em desespero... Eis que as três horas da madrugada eu me acordei E me encontrei Simplesmente isso: Eu me encontrei calma, alegre Plenitude sem fulminação Simplesmente isso Eu sou eu E você é você É lindo, é vasto Vai durar Eu sei mais ou menos O que vou fazer em seguida Mas por enquanto Olha pra mim e me ama Não Tu olhas pra ti e te amas É o que está certo." Clarisse Lispector "...É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo... Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, Depende de quando e como você me vê passar. Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seg...

III Sobre a Fé

Houve um tempo em que busquei possuir a fé inteligente, a fé racional, aquela que não aceita dar o salto no escuro. Até entender que o buscava não era fé. Ora se fé fosse racional, inteligível, já não seria fé. Quem precisa de fé, quando se possuem certezas lógicas, provadas? Abraão foi chamado de pai da fé, não porque usou a lógica, ou o bom raciocínio, mas porque se pôs a caminho, sem saber para onde ia. Fé é a conformação à vontade de Deus, independente do que isso seja. Sou Filho de Abraão, sou Filho da Fé, porque da mesma maneira peregrino entre terras alheias, apenas guiado pelo Vento. Já não busco mais certezas lógicas, sei que a fé é absurda. Já não procuro entender Deus, sei que Ele é Mistério. Jó não obteve resposta de nenhuma de suas perguntas, mas no Encontro, foi divinamente calado ante o Mistério e pacificado pela fé naquilo que agora não era mais informação histórica mas Verdade nele. Por tudo isso é que fé é um dom de Deus, então, oro todos os dias por esta fé, a fim ...

A escolha de Marta, a escolha de Maria e as nossas escolhas

“E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa; E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coE Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.” Lc 10.38-42 Todos os dias estamos fazendo escolhas das mais diversas. Escolhas que envolvem nossos sentimentos, nossas ambições, nossos medos, nossas angústias. Escolhas familiares, profissionais, amorosas, religiosas. Viver é dar conta das escolhas, pois é impossível escaparmos delas. Na história bíblica do encontro de Jesus com Maria e com Marta, vemos Jesus afirmando que a escolha de Maria pela contemplação, escuta do Evangelho, pelos pés do Mestre, pelo silênci...

II Sobre o sacerdócio de Jesus segundo a Ordem de Melquisedeque

A religião fundamentalista jamais conceberá ou permitirá que em seu seio se fale do sacerdote Jesus segundo a ordem de Melquisedeque, pois falar Dele é anular tudo aquilo que a sustenta. Trata-se de saber que Ele pode se revelar sem o auxílio da religião. É saber que a fé é algo simples que nasce no coração daqueles que buscam a Verdade. Os doutores de deus (em minúsculo, posto que o verdadeiro Deus não pode se deitar na mesa cirúrgica dos homens a fim de ser investigado) só enxergam fé pelo princípio do conhecimento doutrinário e/ou teológico. É necessário saber sobre trindade, predestinação, livre arbítrio, santificação, boas obras, moral cristã. Para eles é necessário aprender sobre os devocionais, frases de poder, adquirir os dons especiais, etc. A teologia dos homens procura explicar coisas que só se sabem sentindo. Em Jesus o Sacerdote Eterno segundo a Ordem de Melquisedeque o que vale é se àquele que se aproxima do Divino, crê. Nos Evangelhos a maioria das pessoas que se apr...