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A Religião dos Patifes e dos Estúpidos: Mercadores da Fé, Obscurantismo e a Defesa da Universidade

Rembrandt van Rijn, "Cristo Expulsando os Vendilhões do Templo" (1626). Domínio Público.


O título deste artigo pode soar grosseiro à primeira vista, mas considerando a crítica real que ele propõe, não o é. No calor de uma indignação justa, tendemos a generalizações; aqui, contudo, trata-se de uma demarcação retórica e ética, não de um julgamento absoluto sobre toda experiência de fé. Sei que a religião não é composta apenas de patifes e estúpidos, caso contrário, eu mesmo precisaria me incluir nessa categoria, assim como tantas outras pessoas sérias que, nesse campo, prezam pela verdade, pelo bom senso, pelo rigor intelectual e pelo acolhimento humano.

Aqueles que acompanham minha escrita sabem que tenho direcionado minha energia a outras áreas: à filosofia, à clínica psicanalítica, à gestão educacional e ao desenvolvimento de uma espiritualidade livre e conectada a diferentes formas de saber, contudo, como ser social e pensador público, não posso me calar diante de certos absurdos.

Estamos vivendo uma época de barbáries exacerbadas em que as redes sociais conferiram palanque a toda espécie de estupidez, e é exatamente aí que os patifes prosperam com discursos inflamados e vazios, seduzem e manipulam multidões, roubando das pessoas o mínimo de decência crítica e discernimento moral.

Basta abrirmos nossos aparelhos eletrônicos para encontrá-los destilando ódio contra grupos vulneráveis e proferindo toda sorte de asneiras. Uma das últimas que presenciei, enviada por quem acompanha esses cenários, era de alguém a quem chamam de “pastor”, atacando abertamente faculdades e centros universitários. Esse líder religioso orientava pais a não permitirem que seus filhos ingressassem no Ensino Superior para que não se tornassem "maconheiros e vagabundas". Essa pregação violenta e obscurantista acontecia dentro de um templo onde o referido pregador aufere vultosos lucros materiais e políticos.

Não se trata de abandonar a religião. Historicamente, a fé e o pensamento nunca foram inimigos irreconciliáveis; a história da filosofia e da teologia patrística e escolástica demonstra isso com clareza cristalina. Grandes pensadores que fundaram as primeiras universidades do Ocidente eram homens e mulheres de profunda vida espiritual. Trata-se, portanto, de denunciar os mercadores do sagrado.

A hostilidade contra o Ensino Superior tem um propósito evidente: manter congregações sob controle narcísico e infantilização constante. Líderes inescrupulosos temem a universidade porque o saber acadêmico, o método científico e a filosofia desmontam falácias, desmascaram charlatões e libertam o sujeito da servidão voluntária.

Jesus de Nazaré foi taxativo ao denunciar esses manipuladores: chamou-os de lobos devoradores disfarçados em pele de ovelha, hipócritas que fecham o reino do conhecimento diante dos homens.
Contra o comércio do medo e a apologia da ignorância, a resposta urgente é a defesa intransigente de uma espiritualidade crítica e o fortalecimento do acesso público à ciência, à cultura e à educação superior. Que se abram mais universidades, que a juventude ocupe os bancos acadêmicos e que a consciência crítica seja o escudo contra os usurpadores da fé. 

A luz da razão não apaga a dignidade do espírito — liberta-a.

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