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9 de abril 2014

Há 14 anos eu pegava no colo pela primeira vez aquela que só traria alegria a minha vida nos 14 anos seguintes. Minha primeira razão. Ela foi a força da minha vida nos anos que se seguiram, por ela resisti e batalhei, sempre tentando oferecer a ela o mínimo de bem, frente a grandiosidade de graça que me alcançou com a sua vinda para minha vida. Hoje ela já não é uma menininha, já não pego no colo, apesar da vontade que às vezes dá. Seu corpo não é mais frágil, mas ainda desejo cuidar dele como joia rara. Na infância chorei com ela, quando ela não sabia explicar os porquês, hoje já a vi chorando por amores que ainda nem conhece bem. Sim seu coração, começa a se abrir para outros mundos. Está se libertando aos poucos do casulo do pai. Antes temia por esses dias. Na mínima possibilidade de ela se afastar fisicamente de mim, sofria, mas hoje meu amor ganhou a certeza de um caminho percorrido, de trabalho realizado. Aquela menina tornou-se uma adolescente forte, honrada, verda...

Adoração

Não desejo conceituar adoração. Não desejo criar modelos. Adoração como ato da alma a Deus não pode caber em modelos particulares ou definições quaisquer. A alma é livre para adorar. O fato é que as Escrituras bíblicas nos chamam para adorar: “Dai ao Senhor a glória devida ao seu nome, adorai o Senhor na beleza da santidade.”   Salmos 29:2 É sabido que podemos adorar com conhecimento ou não, ou seja, pode-se adorar com a consciência ou na ignorância, movido apenas pela fé que nada sabe, mas que direciona. (Jo 4.22; 9:38; Rm 12.1). Não é exatamente o conhecimento que determina a verdade da adoração, mas o estado do espírito frente ao sagrado (Jo 4.24), e frequentemente é esse estado do espírito em adoração que diferencia um adorador de um mero religioso que observa ritos e obedece a liturgias. Abraão adorou o Senhor na perplexidade e diante do absurdo, quando foi lhe pedido que sacrificasse seu filho (Gn 22.5). Porque ele adorou? A adoração não era garantia, troca,...

O amor de Deus

Já sabemos como é difícil conceituar o amor. Sabemos como é difícil falarmos do amor entre nós, humanos. Então, imagine-se quão complicado em falar do amor de Deus. Pois se temos dificuldade de falarmos do nosso amor, ou do amor daqueles que conhecemos, imagine falar do amor do Deus Invisível. Porém a fé cristã insiste nessa mensagem: Deus nos ama! Durante a minha infância, eu que cresci sem pai, sempre pensei que Deus me amava como um pai amava um filho, e essa ideia era alimentada por diversos textos bíblicos que me apontava Deus como pai. Isso me salvou tantas vezes, que não ousaria numerar. Na adolescência precisava mais do que uma presença misteriosa, precisava realmente conversar, ouvir a voz de alguém, contar meus dilemas e ouvir conselhos, mas o Deus Invisível era também Silencioso. Não o odiei por isso, mas à medida que minha mente se ‘sofisticava’ fui procurando explicações para essa ausência de um Deus que ama. Nasceu a teologia para mim. Agora pensava no a...

Lázaro, Marta, Maria e Eu.

Minha memória me informa que a primeira coisa que quis ser quando crescesse era ator, ou quem sabe dramaturgo, produtor de novela, ou algo do gênero, não é toa que todas as brincadeiras da minha infância eram fazer da minha vida uma novela, até meus 15 anos foi assim, e até hoje ainda me pego brincando um pouco. Mas não me tornei nenhuma destas coisas, o máximo que cheguei a fazer foi uma apresentação de uma peça no teatro da escola por volta dos meus 12 anos. Quando comecei a pregar aos 15 anos, meus desejos foram em outra direção. Desejei servir aquele Deus que amava, do jeito que achava que podia, com minha voz, meu pastoreio, minha liderança. Associaram-se a isso muitas falas ditas proféticas que me falavam de como seria minha missão. Vida agitada, mas cheia frutos. Em razão disso me dediquei ao máximo a este sonho-vocação. Lembro-me que em razão disso minha única oração era que tivesse uma vida que o agradasse e que servisse a Ele. Não que não tivesse outras necessid...

Liberdade e Libertinagem – Do uso ao conceito

Pensar o tema liberdade e libertinagem não é tarefa fácil frente aos diversos conceitos que cercam tais palavras. Além do conceito, vários usos das mesmas dificultam uma direção em que possamos desenvolver melhor o tema. Popularmente se tem na frase “liberdade não é libertinagem” um claro antagonismo onde liberdade é pensada associada com condições morais, geralmente presentes no termo “responsabilidade” e libertinagem com ações contra moral, vistas como imorais. O que nos faz perceber que por trás do tema – liberdade e libertinagem – está presente o tema – moral. E aqui temos um problema, pois se é a moral que fundamenta nossas reflexões sobre liberdade e libertinagem, logo trataremos não livremente, mas permeados por códigos, regras e preceitos religiosos que são em geral os guardiões de nossa moral ocidental. A moral tem como efeito o juízo contra o próximo e o acolhimento da hipocrisia. Se ela for a regente da nossa reflexão sobre liberdade e libertinagem, tal reflexã...

O planeta visitado

O nascimento de Jesus não configura o centro da mensagem dos escritos do NT. Na verdade é provável que alguns escritores nem tivessem informações sobre os fatos ocorridos. Apenas Mateus e Lucas registram o nascimento em Belém, porém apesar disso, a história do nascimento tornou-se para os que creem um dos momentos mais sublimes da Revelação. O relato não deseja ser a prova incontestável de sua origem espiritual, pois o mesmo já era crido independente da história. Nunca foi usado no NT nos embates apologéticos, do livro de João por exemplo. Para a maioria dos cristãos primitivos é a vida pública de Jesus que testemunha a seu favor. Então o que aprendemos dessa história marginal das escrituras? Penso que há uma poderosa mensagem contida na ideia da encarnação, pois temos nela o oposto do esperado dos deuses nas concepções mais tradicionais de divindades. Se aquele menino era divino e sobre ele estava o destino da humanidade, que coisa arrebatadora é pensar que tal destino r...

A fé é absurda

O chamado do Evangelho é absurdo. A fé é um ato irracional, não é objetiva, lógica ou capaz de ser explicada, porém não é inconsistente. A fé não é um dom de Deus oferecido apenas a alguns poucos predestinados. Ela emerge de nós tecida dos absurdos e esperanças da vida. É uma paixão pelo desconhecido, um desejo de impossível. Sim! Fé é paixão! Ela é um assombro e nenhum ser humano está excluído dela. Não se trata de uma crença, mas de um caminho. E é um caminho de angústia, temor e tremor. É um vale das sombras e da morte. Fé é abraçar a incerteza como promessa. Deus não pode ser compreendido, nem seus atos desvelados. Por isso é necessário que aqueles que Dele se aproximem tenham fé, pois sem fé é impossível agradar a Deus. A Fé é escândalo para a Razão. O chamado do Evangelho é para um abandono absoluto perante Deus como paradoxo. Não há nenhuma garantia que anteceda o salto da fé. A decisão do salto é individual e intransferível. E todo caminhante é responsável pel...