Pular para o conteúdo principal

Postagens

A Linguagem e a Morte

"A linguagem é a expressão adequada de todas as realidades?" Fonte - O Livro do Filósofo Autor -  Nietzsche  , Friedrich Só podemos experimentar a morte como símbolo! Existem duas características fundamentais do ser humano, a linguagem e a morte e no meio delas a angústia . Dessas procedem ‘quase’ todas as outras, como a consciência por exemplo. No entanto tais características ditas como fundamentais, estão em volta de um mistério. E todo mistério é um indizível. A linguagem não pode falar de si, na verdade a linguagem não pode falar de nada. Tudo que está na linguagem é segundo momento , ela não pode traduzir o ser, logo, mostrar algo, querer captar o Isto na indicação significa apenas ter a experiência de que a certeza sensível é, na verdade, um processo dialético de negação e mediação; que, portanto, o absoluto, será sempre descrito relativamente. A Verdade é inacessível à linguagem. Sendo assim a linguagem conserva o indizível dizendo-o, co...

Tempo

Perguntei outro dia “Como se esquece de alguém se ama?”. Afirmei em uma poesia que “Um novo amor não serve para matar a saudade de outro”. Ontem conversei bastante sobre sentimentos, passado, amores, e pensei comigo mesmo o quanto nos perdemos do bem do amor presente por ficarmos presos ao passado. Existe um fato que não podemos negar, amores acabam. Chega a hora em que a pessoa que você precisa não estará lá. Que partiu aquela que imaginava que seria pra sempre. E o que se faz nessa hora? Aprendi que nenhuma atitude desesperada dará conta, ao contrário quanto mais nos debatemos para esquecer mais forte fica a presença ausente da que se foi. Não é possível simplesmente com um grito libertar o coração. A multidão de conselhos só nos irrita, as fugas psicoterapêuticas nos cansam, aliás, qualquer fuga é em vão. Trabalho, festas, nada dará conta. A velha sabedoria aqui volta para nos ensinar. Só o tempo dará conta de todas as coisas. Logo é preciso paciência, deixar a...

O amor é um sofrer

O amor é um sofrer, e não me refiro aos amores românticos que duram o tempo do seu próprio verão. Amores assim são frutos de vaidades egoístas, justificados pelo tesão que acaba ou surge. Assim os que amam desta forma podem dizer que não tem culpa mais de amar, pois não mandam nos seus sentimentos. Porém quem ama apenas nos eventos de verão nunca amou de fato. É triste ver o caminho das relações ditas modernas que alicerçadas na justificava do prazer desfazem laços que deveriam permanecer por toda existência. Afinal o que levava mulheres a permanecerem com seus maridos por resto da vida e o que leva ao descarte tão rápido nos tempos atuais? Ouvi algumas histórias esses dias que ainda não saíram da minha mente. Uma conversa entre uma mãe e uma filha sobre sua separação. A mãe dizia que no seu tempo quando o homem não ‘prestava’ elas o concertavam, e hoje na geração da sua filha elas descartam. Mas ao descartar encontrarão o ideal? O perfeito? E como ele seria? Tratar-se-ia...

O segredo de viver contente em qualquer situação

Acabei de reler o livro de Filipenses, carta de Paulo aos do Caminho que se reuniam na cidade de Filipos, segundo o testemunho da igreja primitiva. Paulo escreveu essa carta da prisão (1.13,14) e apesar dessa circunstância é de suas cartas a que mais exorta a alegria. Ele mesmo confessa seu estado de júbilo, e escreve aos irmãos para que eles se regozijem a despeito das circunstâncias (1.27-30; 4.4). Sabemos o quão difícil é ter disposição do espírito para a alegria em circunstâncias de sofrimento. Mas nessa carta Paulo nos mostra o segredo disso. E é lógico que não se trata de um caminho simplesmente terapêutico, trata-se de um caminho de fé. É a fé que permite nos regozijarmos até no sofrimento (1.29), e nela andarmos em unidade, sem ambição egoísta ou vaidade, raízes de muitos sofrimentos (2.2-5). A fé nos faz descansar na certeza que Deus é Aquele que efetua em nós tanto o querer como o realizar, de acordo com a boa vontade Dele (2.13) e com isso podemos por em aç...

Relacionamentos e sexualidade

No decorrer desses anos de atendimento clínico-pastoral percebi que um dos muitos fatores que levam relacionamentos ao fim é o desgaste da vida sexual. E na tentativa de ajudar os que me procuram sempre busquei conhecer mais sobre o assunto da sexualidade. Aprendi que se faz necessário ampliar a compreensão do termo, visto que o tema ainda não é tratado da maneira que deveria nem mesmo nos ambientes das universidades, quem dirá nos rodas de amigos e dentro das famílias. Dentro do conceito de sexualidade, a atividade sexual é apenas uma das expressões. Também percebi que em certos grupos as dificuldades são maiores, grupos onde o prazer é enxergado com culpa, onde a velhice é acompanhada de baixa autoestima, que pensam o relacionamento sexual apenas como meio de reprodução ou liberação de tensão, que vivem relações de dominação e submissão.  Então para se manter o erotismo e o interesse sexual, em uma relação que sofre com as tensões do dia-a-dia, em vários aspecto...

O pensar da febre

Estou com febre e meu corpo todo dói. Enquanto isso penso. Ontem lia as primeiras páginas de “A paixão segundo G.H” e já fiquei tomado pela questão da identidade, da pessoa, do que significa o humano. Rabisquei bastante e desejo mergulhar mais fundo nas questões sugeridas. Daí perguntei no grupo – sociedade – do facebook: O que é pessoa?   Meu amigo Al Duarte respondeu:  uma máscara boiando no mar... Estávamos agora diante de outros termos que desencadeariam uma serie de perguntas: O que esconde a máscara? Ainda há rosto diante da infinidade de máscaras?    Para mim estávamos diante da virtualidade que nos cerca e nos atravessa. Metafísica? Sim, é preciso resgatar a metafísica das formas, e falar de uma metafísica da força.   Pessoa não pode ser pensado como algo dado, acabado. Não pode ser pensado como fixo Eu. Nem como corpo-objeto apesar de dele jamais se libertar. Pessoa é potência, multiplicidade de eus. Não é necessariamente o que me orga...

Convocação do Tempo

Certo dia entrei numa casa velha. Longos corredores, várias portas, uma escada que me levava para onde as recordações estavam. Poeira e teias de aranha disputavam lugares com armários, portas retratos e um relógio de parede. Tirei o excesso de pó e vi que o relógio ainda funcionava. Fiquei ali, olhando o movimento de suas peças, e me senti tomado pela sensação de perceber o tempo. Ao som de cada segundo, era como se pudesse sentir o pulsar do seu coração. E como se cada minuto contasse histórias, ouvia a sua sentença sobre todas as coisas. Naquele momento, eu que durmo com a morte não mais a estranhei. Percebi que não é correndo contra o tempo que se vive mais, antes é no passo calmo que escuta o som do relógio. Vive-se mais quando se vive para ficar na história, nos sobrados, nos portas-retratos, na poeira e na memória. O tempo não para, mas caminha lentamente com passos marcados, como que cantando cada segundo. Todos que correm para ganhar tempo perderam a caminhada...