sábado, 16 de fevereiro de 2008

Sobre minhas crenças e minha fé



Todos os dias alguém me faz alguma pergunta sobre as coisas nas quais creio, e quase sempre a resposta gera uma onda de interpretações que acabam tornando-se atos de perseguição, calúnia, difamação. Entretanto outros se interessam e começam a querer saber mais, e com a proximidade aprendem mais sobre mim, sobre minhas crenças e principalmente sobre minha fé.

Sim! Os que de mim se aproximam descobrem que a minha fé não está naquilo em que abraço como conjunto de crenças e sim posta numa Pessoa.

Foi Jacques Ellul que me ensinou a diferença entre fé e crença. E depois disso ficou mais fácil explicar algumas coisas. Só lamento o fato de as pessoas estarem mais interessadas nas crenças que são o conjunto de pensamentos formados a respeito de diversos assuntos, do que na fé que é um dom de Deus que nos capacita a nos relacionarmos com Ele.

É a partir destas diferenças que muitos ficam sabendo que não tenho religião específica, pois de acordo com o conjunto de minhas crenças não me encaixo em nenhumas delas, e também descobrem que sou caminhante de fé, pois meu caminho está posto Naquele que me chamou da morte para a vida. Com isso estou dizendo que penso que o cristianismo como religião não é obra do ministério de Jesus e sim um conjunto de crenças que no decorrer dos séculos foram se formando. Desta forma ser cristão para mim só se aplica quando este termo refere-se a Cristo e não a um conjunto de doutrinas.
Sobre minhas crenças tenho muita coisa para dizer, discutir, mas sobre minha fé só posso dizer que ela é fruto da Graça de Deus na minha consciência. Minhas crenças posso expor, mas minha fé não é objeto de avaliação. Minhas crenças são legadas a minha capacidade de pensar, minha fé é mistério.
Gosto de debater sobre minhas crenças apesar de não encontrar facilmente gente com quem debater sem que se torne uma guerra religiosa. Assim, hoje é cada vez menos as pessoas com quem realmente converso sobre minhas crenças.

Sou hetedoroxo para aqueles que vêem em minhas assertivas diferenças do que eles chamam de ortodoxia. Isso no início me assustava, mas hoje já não temo falar o que penso, afinal não é no penso que está posta a minha fé. Meus pensamentos mudam à medida que aprendo novas coisas, que reflito sobre outras.

Aqui poderia fazer uma lista sobre o que acredito, mas penso que não ia valer à pena, poderia ser que amanhã já não pensasse como hoje. Assim prefiro registrar a minha fé no Cordeiro de Deus que esteve neste mundo revelando a reconciliação de Deus com todos os homens.

Sobre a minha crença, sempre estou escrevendo alguma coisa, quem tem paciência vai acabar lendo, senão alguém vai chegar por aí “escandalizado” com as coisas que penso.

Alguém pode argumentar que é impossível viver assim. E eu digo que não. Quando o que penso se colocar na frente da minha fé, pode acreditar, já não será objeto de minha crença tal coisa. Toda crença minha tem que de alguma maneira pavimentar o caminho do amor, se não, ela não fará parte do repertório das minhas crenças.

Outro pode perguntar “então porque você não abandona as crenças e fica só com a fé?”. Bom, penso que isso é impossível para o homem, todos nós acreditamos em coisas, formamos pensamentos sobre tudo, e eu particularmente gosto disso, talvez por isso ainda mantenha minha profissão de teólogo.

Quem caminha comigo, eu espero que possam dar mais atenção a fé por mim vivida do que as crenças por vezes por mim faladas. Oro para que cada um independente de suas crenças encontre o caminho da fé, afinal é da fé que vive o justificado e não das crenças.

Desta forma, aqueles que buscam meus conselhos para que crença deva seguir, saibam que não vão encontrar tais conselhos. Não legitimo crença de ninguém, nem mesmo a minha. Mas se buscam uma caminhada de fé, então caminhemos juntos.

Ivo Fernandes
14 de fevereiro de 2008

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