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Mostrando postagens com o rótulo Filosofia

Repensando o autoconhecimento

Autoconhecimento é uma palavra popular, está na moda. Todos parecem interessados nela. Buscam o autoconhecimento por todos os lugares, dos quiz na internet até o horóscopo de jornal. As empresas, marcas, propagandas, igrejas, clubes, rodas, todos se apropriam dessa palavra. E isso poderia ser muito bom, se de fato fosse simples assim. Muito do que a gente vê por aí são estratégias de venda disfarçadas de psicologia. Essa é realmente a geração onde tudo virou um objeto de consumo. Tudo se pode comprar ou instagramear. A palavra autoconhecimento é simples de entender, trata-se do conhecimento que o próprio sujeito adquire de si. O que não é simples é como isso se dá. E se isso é realmente possível. O que eu descobri nesses anos de terapia, tanto como analisando como analista, é que o autoconhecimento não se dá automaticamente, como resultado do tempo por exemplo. Aliás, idade não é garantia de sabedoria. Outra coisa é que, apesar de ser um conhecimento que eu desenvol...

O filósofo psicanalista

Todas as vezes que sou convidado para dar uma palestra me pedem um currículo. Como eles devem me apresentar? Confesso, esse é um momento sempre tenso. Afinal, essa informação envolve muitas questões. O que um título diz a meu respeito? O que um título, aliás, diz do próprio título? Se eu tivesse que transformar em títulos minha vida e experiências não caberiam em uma peça publicitária. Assim, quase sempre mudo a forma como me apresento, pois, talvez, essa mudança fale mais de mim do que o congelamento de um título. Mas considerando justamente essa característica, o título mais apropriado seria o filósofo psicanalista. Ser filósofo e psicanalista é justamente não ser um É, mas um sendo. É um lugar mais de perguntas que respostas, de busca do que de encontro. O que vem a ser um filósofo? O que vem a ser um psicanalista? Quando faço uma retrospectiva da minha vida, sei exatamente porque sou um filósofo psicanalista. Enquanto filósofo sou aquele que possui uma questão, uma b...

Felicidade é possível

A felicidade é o tema por excelência da filosofia, isso porque é inegável que é o objetivo da vida de cada humano. Porém, mesmo sendo algo universal, conceitualmente não foi e nem é assim. Do conceito a realidade há discussões, afinal o que é felicidade? É possível ser feliz? Eu, como qualquer ser humano, desejei e desejo a felicidade. Já me vi feliz, infeliz, já mudei minha ideia de felicidade, mas nunca deixei de querer ser feliz. Foi preciso um longo caminho para que eu, enfim, entendesse que não é possível ser feliz sem a organização dos afetos e da razão. Entendi que há uma diferença entre alegrias transitórias e felicidade. E que a dependência da felicidade dos elementos externos não pode garantir nenhuma felicidade. Se o homem é forjado pelo desejo, e este liga-se ao prazer e ao desprazer, a felicidade está ligada a administração disso. E administrar é reconhecer nossos desejos, entender nossas paixões, compreender o que nos rege dentro e fora, perceber os limites ...

A questão da técnica em Heidegger

Questionamos a  técnica  e pretendemos com isso preparar uma livre relação para com ela. A relação é livre se abrir nossa existência < Dasein > à essência da técnica. Caso correspondamos à essência, estaremos aptos a experimentar o técnico < das Technische > em sua delimitação. (Heiddeger - A conferência  A questão da técnica  ( Die Frage nach der Technik ) foi proferida no dia 18 de novembro de 1953 no Auditorium Maximum da Escola Superior Técnica de Munique ) Para entendermos essa abertura à essência da técnica é preciso voltarmos a questão do Dasein. O que é o Dasein? Ele é o ser-aí, o eis-aí-ser. O termo “Dasein” serviu para designar a manifestação do ser enquanto ente. O Dasein se compreende a si mesmo enquanto ser que existe. O Dasein é um “poder-ser” sempre, a existência do Dasein nunca é algo já feito. O Dasein permanece sempre em construção, pois é projeto para o seu futuro. Ele é um ser que busca planejar, pois sabe que não está p...

Qual o sentido da vida? Do mito de Sísifo ao Eclesiastes

Leitura: Livro de Eclesiastes Tudo é vaidade – diz o pregador. Vaidade, expressão que pode significar inútil, vazio, sem sentido. Não há propósito para o trabalho do homem. Não há nada de novo debaixo do sol Inegavelmente o livro de Eclesiastes trata do sentido da vida. O que vale a pena, nos poucos dias do homem, debaixo do sol? É a pergunta que ele nos faz. A busca pelo sentido da vida nos conduz a vários tipos de caminho. Uns tomam o caminho do cinismo e se entregam a um hedonismo, transformando a vida num eterno gozar de prazeres; outros tomam o caminho da religião e se afastam de tais prazeres vivendo a vida a partir da privação e do não; e a grande maioria se contenta com os clichês que darão conta de pôr algum sentido na vida, do tipo, “Deus sabe o que faz” “Deus escreve certo por linhas tortas”. Deus, nos dois últimos casos, é o que usamos para nos esquivar da vaidade da vida. Porém o livro de Eclesiastes não quer maquiar a vida, quer tratar a realidade de...

Hoje, antes de tudo

Leitura sugerida: Hebreus, capítulos 3 a 5 “Você vive hoje a vida que gostaria de viver por toda a eternidade? ” Essa é uma pergunta séria feita pelo filósofo alemão Nietzsche. Consultando meus escritos, percebi que a palavra hoje repete-se várias neles. E fazendo uma leitura da minha história fico grato pela sabedoria que vem se desenvolvendo quanto a esse tema. Sei que muitas pessoas não entendem a máxima – O dia chamado hoje! Alguns pensam que se trata de viver a vida de maneira imediata, outros pensam que se trata de ignorar o passado como se ele nunca tivesse existido, e outros ainda pensam que significa viver a vida sem planejamentos. Porém o dia chamado Hoje não é o tempo imediato do nosso relógio, pois a verdade é que nós só vivemos de fato quando a mente registra e registro já é momento seguinte, assim os que tentam viver o imediato apenas sufocam a própria dinâmica da vida, que requer o tempo que passa no tempo que é em vista do tempo que virá. O dia chamado...

A conformidade com o mundo e a banalidade do mal

Texto Inicial: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”  ( Romanos   12:2 )  “Não vos conformeis com este mundo” – porém o que é “mundo”? Mundo, conforme visto nas páginas das escrituras tem vários sentidos, porém quando se fala do mundo em oposição a Deus não se trata de uma criação divina, não se trata da terra que habitamos. Fala, na verdade de um conceito. E como conceito é criação nossa, e criação essa que se opõe ao que é de Deus, ao Amor e a Graça. Começa como conceito, mas depois ganha carne. E como trata-se de algo contrário a Deus manifesta-se como perversidade, cobiça, ódio, mentira. Desse modo, sabe-se que Deus não odeia o mundo enquanto criação, mas o sistema de morte produzido pelos homens. Enquanto sistema o mundo está manifesto sob a tirania de diversos “ismos”, com pretensões ao absolutismo e o...

A identidade?! De Deus

Como fruto de uma mensagem por mim pregada sobre a questão das identidades, onde fiz uma apresentação sobre a representação na filosofia e na psicologia, mostrando os desdobramentos sociais e políticos da existência de uma identidade ou representação, e a proposta dos usos das máscaras conscientes, me chegou por meio de um dos meus ouvintes a questão da identidade de Deus. Questionava ele – A bíblia afirma que Deus é o mesmo ontem, hoje e será eternamente e também nos estimula a sermos seus imitadores, isso não seria a afirmação e a necessidade da identidade? – como fruto desse questionamento surgiu esse texto. Afinal Deus tem uma identidade? Se sim, qual é? Bom essa é uma questão que de cara esbarraria na nossa total impossibilidade de conhecer a Deus. Porém existe o argumento da revelação. Assim deveríamos avaliar a revelação para saber se por meio dela podemos responder à pergunta sobre a identidade divina. É importante, antes ressaltar que a crença de que podemos conh...