sexta-feira, 29 de maio de 2009

A ética do Reino como inclusão


Depois de ler e reler os evangelhos algumas vezes sinto-me convencido de que Jesus não possuía uma mensagem exclusivista, pelo contrário, Ele amplia os limites bem mais do que seus discípulos e seus ouvintes podiam esperar ou imaginar.

No seu ensino os grupos excluídos pela sociedade são destacados e chamados a inclusão no Reino. E essa inclusão não se dá por causa de uma religião, raça, credo, cor ou condição social. Todo fundamento do Reino é reconciliação.  

Ivo Fernandes

29 de maio de 2009

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A ética do Reino


Quando falamos em ética é natural associarmos esse tema aos valores morais de uma sociedade, mas quando nos referimos à ética do Reino não podemos fazer isso, pois a moral que é a base do conhecimento humano sobre o “certo e errado” nasce da condição alienada do homem de Deus. Assim, as expressões “bem e mal”, “moral e imoral”, “valor e sem valor”, “autêntico e não autêntico” não são termos que se aplicam quando falamos de ética do Reino.

Enquanto a moral divide a vida entre coisas permitidas e proibidas a ética do Reino aponta para o que É. Todo conhecimento moral é um conhecimento humano, que está direcionado para si mesmo, ou seja, a moral nasce do olhar do homem posto sobre si mesmo. Por meio dela os homens criam suas leis e exercem seus juízos.

Jesus que anunciou a ética do Reino está na contramão desta moral. Por isso não encontramos verdadeiro diálogo entre Ele e os fariseus que tão bem representavam a moral, e isso porque Jesus e os fariseus estavam em níveis completamente diferentes de realidade. As respostas de Jesus não respondiam a pergunta do fariseu por não ser da mesma natureza.

A moral nasce marcada pela culpa e pela vergonha. A consciência humana é marcada por este estado, e, portanto, busca sempre resolver esta tensão. A religião é a que melhor apresenta essa tensão, esse conflito entre o “bem e o mal”, e por meio dela sempre se tentou trazer Deus para nossa esfera de conhecimento, buscando Dele uma resposta de acordo com nossa pergunta, porém Ele não age a partir do conhecimento do bem e do mal.

Jesus nos apresentou a ética do Reino como anulação da moral, pois se o Reino é Reconciliação e a moral a afirmação da alienação, onde houver o Reino não haverá moral, mas apenas Unidade. Na moral não há mudanças de realidade, mesmo cumprida o “bem” da moral ela não altera o estado de alienação humana.

Onde houver juízo que separa, há moral como base do juízo. Onde houver moral está presente o estado da alienação. Onde houver Reino há a vontade de Deus que é a reconciliação. E a vontade de Deus é um saber que não se configura como saber humano, antes é um saber sem saber do “bem e do mal”, mas apenas da reconciliação. E quem sabe este não-saber sabe todas as coisas.

O religioso por saber o “bem e o mal” classifica meritoriamente seus atos, fazendo de seu bem um mal. Os filhos do Reino não sabem do “bem”, mas apenas do que É, por isso, são surpreendidos quando isso os for revelado (Mt 25.31ss.).

Nem mesmo o auto examinar-se dos filhos do Reino é realizado por este saber alienado, mas em Cristo, por meio do qual sabemos a vontade de Deus. Assim sem Cristo em nós não há como se fazer exame de si mesmo.

O saber dos filhos do Reino é o saber do Amor, que é a revelação de Deus, Jesus Cristo. Este saber tem origem em Deus e não em nós, assim este Amor é divino. E entre os homens o divino chama-se Cristo. Amor é sempre Ele mesmo. E ele é a reconciliação de todos em Si mesmo. Desta forma concluímos que onde houver um saber que separa, que divide, que segrega, que julga, que exclui ali não há o Reino.

Ivo Fernandes
14 de maio de 2009

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A fé de um homem


“Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.” Apóstolo Paulo

Algumas pessoas acham que minha fé é muito “humanista”, sei que com isso querem dizer que em mim há mais conhecimento do que experiências espirituais. Outras dizem que a fé morreu em mim, devido aos meus muitos estudos e leituras. Mas o que parecem não perceberem é que a única coisa que mudou foi meu estado infantil.

Como homem, já não ignoro a realidade a minha volta. Também já não vejo Deus como via enquanto menino, que por minha infantilidade exigia que Ele resolvesse todos os meus conflitos.
Hoje entendo que o caminho da fé não me livrará necessariamente do caminho da dor, mas isso já não muda a minha fé em Deus que continua presente mesmo em silêncio. Não confundo mais a Deus com as imagens que posso fazer dele.

Deus a cada dia me surpreende desfazendo todo esquema que elaboro sobre ele. Deus é meu Pai da mesma forma que foi Pai de Jesus, e isso não implicou em vida sem dor, mas antes lhe deu o poder de caminhar pela finitude sem deixar-se sucumbir com seu paradoxo.

Não busco mais respostas. Sei que algumas perguntas jamais serão respondidas. Minha fé convive com minha ignorância e não é afetada por ela. Não pretendo mais seguir caminhos que me infantilizam, como homem já não posso retroceder.

Ivo Fernandes
7 de maio de 2009

Ídolos – da construção à necessidade de destruí-los

O termo ídolo não é um termo usado em nossa nação comumente. Aparece mais nos discursos evangélicos numa referência a qualquer entidad...