segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Nazareno


Estou convicto! Jesus não fundou nenhuma organização religiosa. Toda doutrina, dogma cristão é uma construção teológica, mas não necessariamente uma verdade absoluta. O que fica claro no estudo a respeito de Jesus é que a comunidade primitiva de fato cria na ressurreição, e que impactados leram toda a história a partir desse acontecimento.

Quem é Jesus? Historicamente pouco sabemos. Na minha busca pessoal me deparei com Jesus que não conhecia, percebi que o Jesus do cristianismo não era o mesmo daquele que agora eu descobria com espanto e paixão. Tal descoberta foi uma verdadeira desconstrução.

O Jesus que encontrei era impressionante, não mais por causa de seus títulos magníficos dados a Ele pela igreja cristã, mas por causa de sua extrema humanidade. Um homem que na vida escolheu pôr-se dos lados dos oprimidos em favor de todos os homens. Um homem movido de profunda compaixão que aceitava como amigos e como iguais os excluídos, libertando-os da vergonha, culpa e humilhação. Um homem com uma fé inabalável no Reino de Deus, reino de serviço e liberdade, justiça paz e alegria, e que por tal fé lutou contra todo sistema de opressão humana.

Seu ensinamento era radical e revolucionário – amai os vossos inimigos – a solidariedade universal onde ninguém será excluído. Jesus foi um homem extraordinário, que recusou toda oferta que ia contra o princípio de solidariedade universal do Reino, mas que ao mesmo tempo estava disposto a morrer para o Reino vir. É justamente a humanidade de Jesus sua maior grandeza.

Não sou contra os títulos dados a Jesus, afinal quem mais do Ele merecia tais títulos? Porém os títulos só fazem real sentido se primeiro entendermos o homem Jesus. É por causa da humanidade de Jesus que creio que Ele é Divino. E por causa Dele toda minha concepção de Deus mudou, pois tudo que sei e creio de Deus Nele está revelado.

Jesus, o Nazareno revela Deus para mim. Não entendo a humanidade de Jesus a partir da divindade, entendo a divindade a partir do homem Jesus. O Deus Nele revelado é um Deus de compaixão por toda a humanidade, que não busca honras por meio de títulos ou ritos religiosos, mas que quer ser servido no próximo – principalmente os fracos e oprimidos.
O Nazareno é meu Senhor e Salvador porque tem me levado a tentar reproduzir sua vida em mim. E amá-lo é amar o ser humano. E crer Nele é crer que o Reino de Deus é a realidade final que me move hoje. Tudo mais são teorias que podem ser questionadas, contestadas e mudadas.

Ivo Fernandes
25 de janeiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O que a religião?


Durante alguns dias tive com um amigo uma conversa que envolvia o tema da religião. Percebi num momento que o que nos separava era o conceito que tínhamos sobre o tema. Ele apresentava a fé cristã como aquilo que era maior do que as religiões fazendo destas algo completamente sem sentido e em certo sentido más. Eu já insistia numa leitura mais sociológica e existencial e menos teológico-cristã da religião.
O que é a religião? Porque elas existem? Apesar das muitas respostas dadas a essas perguntas, penso que elas revelam nossa busca, nossa sede, nossa necessidade de significados. Portanto somos todos religiosos até mesmo quando não possuímos uma religião específica ou mesmo quando negamos qualquer elemento de fé. Como já disse Rubem Alves “a religião está mais próxima de nossa experiência pessoal do que desejamos admitir.”
Não penso a religião como a Revelação de Deus, mas também não penso como inimiga da Revelação, nem mesmo como negativa, concordo com Feuerbach quando disse que “a religião é o solene desvelar dos tesouros ocultos dos homens, a revelação dos seus pensamentos íntimos, a confissão aberta de seus segredos de amor.” Se nego a religião, nego a mim mesmo, e se nego a mim mesmo, nego a busca e se não busco não encontro.
Somos filhos do Mistério, em nós há uma pergunta, uma busca, um desejo que não sabemos nomear e que ao mesmo tempo damos vários nomes e é na religião que mais se manifesta a busca desse desejo. Não podemos confundir aspectos religiosos específicos ou teologias provenientes das religiões com a religião em si, ou com o sentimento religioso.
Sou um crítico de diversas religiões, principalmente a cristã que conheço de perto, mas não confundo religiões com religião. Religiões são sistemas com liturgia e sistemas teológicos definidos, a religião é uma fala, a fala humana na busca de sentido. É na religião que a transcendência humana é revelada e que o invisível por meio do símbolo é experimentado.
Os cristãos costumam dizer que não são religiosos, que é isso que faz do cristianismo superior a todas as demais religiões da terra, pois enquanto elas buscam a Deus, Deus buscou um povo, que é a sua igreja. Nesse sentido a afirmação do cristianismo como não-religião é a base de todo o seu fundamentalismo e exclusivismo. Por causa do fundamentalismo e exclusivismo cristão deixei de ser um, mas não deixei a religião, pois continuo na busca. Enquanto os temas que envolver minha vida forem da minha busca essencial, então serei um religioso, mesmo que não tenha nenhuma religião especifica. Estamos condenados à religião, como diz Rubem Alves.
Quando falo de religião, estou seguindo a orientação de Kierkegaard que era crítico de toda análise institucional, dogmática, histórica, eclesiástica da religião. Religião é subjetividade. Seguindo as palavras de Schleiermacher, “a religião não aspira a conhecer e explicar o universo em sua natureza, como a metafísica, nem aspira a continuar o seu desenvolvimento e aperfeiçoá-lo através da liberdade e da vontade divina do homem, como a moral. A sua essência não está no pensamento nem na ação, e sim na intuição e no sentimento. Ela aspira a intuir o Universo; quer ficar contemplando-o piedosamente em suas manifestações e ações originais; quer fazer-se penetrar e preencher por suas influências imediatas, com passividade infantil.” Enquanto que nas religiões tenta-se dominar o divino por meio da conceituação na religião o homem se rende ao Mistério que o cerca, sabendo-se totalmente dependente Dele.
Enquanto não diferenciarmos as religiões da religião, sendo a primeira os sistemas e organizações e a segunda o sentimento, a busca, correremos o risco de discursamos ingenuamente sobre o tema, negando aquilo que não se pode negar.
Ivo Fernandes
20 de janeiro de 2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Minha Utopia


Todas as vezes que paro para assistir televisão e me deparo com um programa evangélico neopentencostal me pergunto se os milhares que ouvem e pagam pelas “bênçãos” sofrem apenas de ingenuidade religiosa, ou alguns amam a mentira e o engano.

Por causa das coisas como essa que digo e escrevo, muitos me acusam de inimigo da igreja. Recentemente recebi uma ligação de alguém que gostaria apenas de me falar que meu apoio aos gays era contrário a vontade de Deus. Mas de onde ele tirou essa idéia? Será que é pelo fato de eu ver os gays da mesma maneira que me vejo, filhos amados de Deus.

Não tenho bandeiras, sou apenas a favor do ser humano. Sou a favor da mulher, do homem, do velho, da criança, do pobre e do oprimido. Não comungo com idéias exclusivistas.

Não gosto da companhia dos que se sentem donos da verdade e que em nome da tal matam e realizam toda espécie de opressão humana. Que se sentem superiores ou melhores que os demais que não concordam com suas idéias. E mais, não creio em nenhum deus que possa ser manipulado pelos caprichos humanos.

Minha utopia é o Reino! Se por causa disso classificam-me como universalista, que seja. O que desejo é que todos os seres humanos experimentem a liberdade de ser quem se é Nele, e com isso construam um mundo de justiça, paz e alegria.

Ivo Fernandes
8 de janeiro de 2010

A justificação pela fé – uma exposição no Caminho

Leitura:  Romanos capítulos 1 a 3 A doutrina da justificação pela fé é um dos principais pilares da fé cristã, em especial a prote...