segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Eu creio nas Escrituras, mas minha Fé está posta na Palavra


Muitas pessoas que me ouvem, principalmente meus alunos sempre me questionam se acredito na inspiração das escrituras, se creio que ela é palavra de Deus e coisas assim. Isso porque me ouvem explicar as questões que envolvem a escrita do texto, com seus contextos e autores, e percebem que tenho uma opinião diferente do fundamentalismo protestante.

No entanto, gostaria de dizer que creio nas escrituras, e isso só em razão da Palavra poder de fato nela ser encontrada quando o Espírito a atualiza em nosso interior. Creio nas escrituras porque sei que os que a escreveram estavam no ambiente da fé na Palavra. Isso para mim é bem maior do que o que afirmar a doutrina da inspiração verbal e plenária.

No texto não encontro nada que me encante se não fora o espírito da Palavra, e por essa razão não sou um defensor das escrituras como Palavra de Deus, mas sou amante da Palavra esteja ela onde estiver, também nas escrituras judaico-cristãs.

Minha fé não depende da fidedignidade dos relatos do texto bíblico e muito menos da necessidade de serem relatos históricos puros, ou seja, sem o olhar interpretador dos autores. Minha fé está posta na Palavra que me alcançou não com textos, mesmo que possa ter sido por meio deles.

Alguns acreditam que a fé cristã depende da inerrância e infalibilidade das escrituras, para mim uma fé que precise de algo parecido não é fé. Alguns acreditam que sem as escrituras perdemos o fundamento da fé, esses parecem que se esqueceram dos peregrinos Abraão, Isaque e Jacó. Não precisamos de textos, precisamos de relação.

Minhas análises críticas-textuais me afastaram muito dos conceitos tradicionais sobre a origem dos textos bíblicos, mas isso não me afastou nenhum milímetro da Palavra, ao contrário.

O que torna as escrituras fascinantes para mim é o seu conjunto de expressões dos homens na relação com o divino, suas verdades, seus equívocos, suas tentativas de explicar o sagrado e seus fracassos. Sim nas escrituras encontro o homem, e no homem encontro o divino. A Palavra entre as palavras.

Porque tanto medo de se encarar o óbvio? Os gêneros literários são ricos em interpretações, mas um literalismo retirará toda a grandeza de um texto religioso. Por exemplo, negar o gênero de Gênesis é perder o sentido, e se perder em questões infantis, como quem foi a mulher de Caim. Se respeitarmos seu gênero veremos a humanidade ali revelada.

E o mais cômico é que muitos dos que me criticam, quase não lêem as escrituras, que têm sido um dos meus livros constantes de cabeceira. Do que adianta essa fé na inerrância se ela não nos aproxima das escrituras, a não ser para elaborar pobres sermões.

Os que lerem isso e decidirem me enviar textos tentando me convencer do contrário do que digo não percam tempo, hoje só leio o que carrega o Espírito da Palavra, ou seja, que me remete a grandeza da Graça e do Amor, e isso até nas escrituras. Heresia? Não, apenas meu caminho pessoal.

Ivo Fernandes
22 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Na mesa dos fracos


Muitas pessoas próximas a mim já aceitam meu silêncio, meu isolamento, minha caminhada solitária na praia. Já sabem que meu silêncio tem um quê de tristeza, mas também de paz.

No passado busquei os triunfalistas, os fortes, os que pareciam não desabar diante das tragédias e os que nunca duvidavam, porém minha alma sempre se identificou com os fracos, com os que choram e com os que duvidam.

Antes tentei possuir as respostas para perguntas, hoje humildemente confesso que não sei. Tenho muitas certezas, mas não a Certeza, tenho muitas verdades, mas não a Verdade.

Sei que muitos me questionarão sobre minha fé. Afinal que fé é essa que convive com a dúvida e com a fragilidade humana que se confessa perdida? A única coisa que posso dizer é que o Pai conhece a pequenez de seu filho.

No passado tive seguidores e vários admiradores. Era cercado por pessoas que me viam como modelo, como referência. Vi quase todos saindo pelas portas, não suportaram minha queixa, meu pesar, meu lamento, meu pecado.

Quando me vi sozinho voltei então à praia onde caminho em minha solidão. Meus pés foram de novo molhados pela água do mar, meu corpo envolvido pelo vento e meus ouvidos ouviram de novo o som do silêncio. Pude novamente sentar-me a beira mar e chorar e saber-me apenas como sou.

Mas no fundo sei que não estou só, existe uma multidão de irmãos que diante do mesmo mar sentem-se impotentes, pequenos, pobres.

Escuto misteriosamente a Voz que diz: - Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.

Ivo Fernandes
18 de fevereiro de 2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Fé


Esse é um tempo difícil! Vários desastres naturais, aquecimento climático do planeta, violência urbana, desestruturação familiar, entre outras coisas do gênero. Num mundo assim as religiões e seitas se proliferam. Milhares de pessoas buscando respostas para as questões surgidas do caos e solução mágica para seus problemas.

A pergunta que faço é se podemos associar o crescimento das seitas e religiões como sinal da maturidade espiritual do povo. Será que podemos dizer que existe fé nesses milhares que lotam os espaços religiosos?

E que é a fé? Hebreus 11 é um dos textos bíblicos onde essa questão é melhor abordada.

Vejamos o que podemos aprender sobre fé a partir deste texto.

1. A fé é o que qualifica os atos religiosos, pois sem ela todo sacrifício é um movimento de barganha. (4)

2. A fé é manifesta em atos de obediência, sem se fazer mérito ou busca de recompensas que não seja o próprio Deus. (5-10)

3. A fé não é um poder mágico, mas uma dependência do Autor da promessa. (11)

4. A fé não é um direito a ser exigido, mas uma esperança que se tem. (13-17)

Na esperança Abraão ofereceu Isaque (17-20)
Isaque abençoou Jacó (20)
Jacó abençoou os filhos de José (21)
José deu ordem a respeito dos seus restos mortais (22)
Moisés rejeitou ser chamado filho da filha de Faraó (24)
Raabe recebeu os espiões (31)

5. A fé é a vida vivida nessa esperança. Vida esta que acontece entre conquistas e derrotas, justiça e injustiça, milagres e tragédia (32-40)

Em síntese podemos dizer que a fé não é uma religião, e nem uma crença teológica. O que temos hoje é muita crença, misticismo, correntes, mas não a fé.

A fé é uma esperança que nos faz viver a vida como ela é, com suas ambigüidades, paradoxos e contradições, porque não é posta sobre o que é passageiro, mas no Eterno, nos fazendo filhos do Reino.


Ivo Fernandes
15 de fevereiro de 2009 – Atualizado em 26 de janeiro de 2010

Casamento

Uma das queixas mais comuns que atendo na clínica terapêutica diz respeito aos casamentos. De tanta reclamação até parece ser verdade ...