segunda-feira, 28 de março de 2011

III Sobre a Fé



Houve um tempo em que busquei possuir a fé inteligente, a fé racional, aquela que não aceita dar o salto no escuro. Até entender que o buscava não era fé. Ora se fé fosse racional, inteligível, já não seria fé. Quem precisa de fé, quando se possuem certezas lógicas, provadas? Abraão foi chamado de pai da fé, não porque usou a lógica, ou o bom raciocínio, mas porque se pôs a caminho, sem saber para onde ia. Fé é a conformação à vontade de Deus, independente do que isso seja. Sou Filho de Abraão, sou Filho da Fé, porque da mesma maneira peregrino entre terras alheias, apenas guiado pelo Vento. Já não busco mais certezas lógicas, sei que a fé é absurda. Já não procuro entender Deus, sei que Ele é Mistério. Jó não obteve resposta de nenhuma de suas perguntas, mas no Encontro, foi divinamente calado ante o Mistério e pacificado pela fé naquilo que agora não era mais informação histórica mas Verdade nele. Por tudo isso é que fé é um dom de Deus, então, oro todos os dias por esta fé, a fim de que viva absolutamente tomado pelo Absurdo.

Ivo Fernandes
2006

segunda-feira, 21 de março de 2011

A escolha de Marta, a escolha de Maria e as nossas escolhas


“E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa; E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coE Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.” Lc 10.38-42

Todos os dias estamos fazendo escolhas das mais diversas. Escolhas que envolvem nossos sentimentos, nossas ambições, nossos medos, nossas angústias. Escolhas familiares, profissionais, amorosas, religiosas. Viver é dar conta das escolhas, pois é impossível escaparmos delas.

Na história bíblica do encontro de Jesus com Maria e com Marta, vemos Jesus afirmando que a escolha de Maria pela contemplação, escuta do Evangelho, pelos pés do Mestre, pelo silêncio discipular foi chamado de Boa Escolha, ou da melhor parte, enquanto a escolha de Marta pelo serviço, pela inquietação, pelos afazeres cansativos que geram mau humor e juízo, considerado a pior parte ou a má escolha.

Associando essa história com toda a mensagem do Evangelho percebo delineado o tipo de vida que é chamada de Boa Escolha e a que não é. Vejamos:

A Boa escolha é pela libertação dos cuidados e desejos da carne, pois a Vida Verdadeira é a vida no Espírito.

Nossas escolhas revelam nossos valores, por exemplo, no capítulo IX de Lucas temos Jesus aconselhando os que desejam segui-lo a escolherem entre as atividades mundanas ou as atividades do Espírito: Anunciar o Reino ou enterra mortos; Escolher entre a Família Universal ou a família da carne; Entre suas propriedades ou os valores do Reino. Por isso os pobres são os personagens principais na mensagem de Jesus porque não tem preocupação que os impeçam de atender ao convite do Reino, e por isso que é difícil um rico entrar nos céus porque grande são suas preocupações com os tesouros da terra.

A escolha de Marta é pela ansiedade, pelas preocupações da carne, onde a vida fica reduzida ao que se come, ou que se veste. A Boa Escolha nasce da contemplação das aves dos céus, dos lírios do campo. A Escolha de Marta é pelo que não existe, pelo amanhã, a Boa Escolha acontece agora, no dia chamado Hoje.

A Escolha de Marta tem seu fundamento no medo, na falta de esperança. A Boa Escolha não teme o homem e não teme a morte. Já entendeu que tudo está no Pai e que a morte foi tragada pela Vida.

A Escolha de Marta é de cansaço e pesos. A Boa Escolha é pelo jugo suave e leve. Uma gera angústia a outra gera descanso.

A Escolha de Marta expõe a alma ao Mal, e, portanto não suportam os dias de perseguição, e por causa dos cuidados do mundo são seduzidos pelas riquezas, e acaba escolhendo o caminho largo que conduz à alma a perdição. A Boa Escolha é aquela que vende tudo que tem para adquirir o terreno onde se encontra a pérola de grande valor.

A Escolha de Marta é pela inquietação dos adultos, a Boa Escolha é pelo assombro pelas coisas simples das crianças.

A Escolha de Marta é pela recompensa, a Boa Escolha pela gratidão.

A Escolha de Marta tira o sono, a Boa Escolha nos faz dormir em meio à tempestade.

A Escolha de Marta é tola porque se confia nas riquezas transitórias, a Boa Escolha é segura, pois se confia nas misericórdias do Altíssimo.

A Escolha de Marta é a escolha do jovem rico que não consegue se libertar de sua ambição. A Boa Escolha é a escolha de Zaqueu que desce do seu lugar de altivez para repartir o que de fato pertence a todos.

A Escolha de Marta é semelhante à oferta dos ricos fariseus que davam do que sobravam. A Boa Escolha é como a oferta da viúva que dava por tudo porque seus bens não se mediam em tesouros ou moedas.

A Escolha de Marta é por ganhar a vida o que acaba por perder. A Boa Escolha é pela Vida que jamais se perde, porque não depende do quanto se ganha, ou do quanto se tem, ou do número de pessoas que nos apóiam, não depende do mundo e do que nele há. É Vida Eterna, pois seu tesouro não pode ser roubado ou se deteriorar com o tempo.

A Escolha de Marta é por Canaã, terra que mana leite e mel. A Boa Escolha é pela terra que o próprio construtor é Deus.

Qual a sua escolha hoje?

Ivo Fernandes
20 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

II Sobre o sacerdócio de Jesus segundo a Ordem de Melquisedeque



A religião fundamentalista jamais conceberá ou permitirá que em seu seio se fale do sacerdote Jesus segundo a ordem de Melquisedeque, pois falar Dele é anular tudo aquilo que a sustenta. Trata-se de saber que Ele pode se revelar sem o auxílio da religião. É saber que a fé é algo simples que nasce no coração daqueles que buscam a Verdade.

Os doutores de deus (em minúsculo, posto que o verdadeiro Deus não pode se deitar na mesa cirúrgica dos homens a fim de ser investigado) só enxergam fé pelo princípio do conhecimento doutrinário e/ou teológico. É necessário saber sobre trindade, predestinação, livre arbítrio, santificação, boas obras, moral cristã. Para eles é necessário aprender sobre os devocionais, frases de poder, adquirir os dons especiais, etc. A teologia dos homens procura explicar coisas que só se sabem sentindo.

Em Jesus o Sacerdote Eterno segundo a Ordem de Melquisedeque o que vale é se àquele que se aproxima do Divino, crê. Nos Evangelhos a maioria das pessoas que se aproximaram Dele não sabiam nada sobre justificação pela fé, não sabiam nada sobre a Trindade, nem sobre o batismo. E Jesus não insistiu com nenhum deles para que dessas coisas aprendessem. Ele simplesmente perguntava – crês – e então dizia – a tua fé te salvou.

Tudo isso é insuportável para essa religião que deseja ser a representante oficial de Deus na terra e assim gerenciar suas ações, definindo o que Ele pode ou não fazer. Jesus está acima da religião e em todos os lugares tem chamado homens e mulheres a um encontro com o Divino.

Todos os homens que reconhecem o Mistério conforme a fé simples da alma serão salvos. Sei que o que digo é o que o Evangelho ensina e é insuportável para tal religião.

Não se pode trancafiar a Deus por meio de doutrinas, dogmas, moral, liturgias, e coisas semelhantes a essas. Ficarão de fora todos os que assim tentam fazer conforme disse Jesus nos Evangelhos. Há muitos homens encontrando o Nome enquanto os “filhos da religião” estão discutindo conceitos doutrinários. A festa está pronta, os convidados estão chegando, e de fora estão todos os presunçosos que só sabem condenar os que não vestem as vestimentas da religião.

Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito está dizendo a igreja.

Ivo Fernandes
2006

quarta-feira, 2 de março de 2011

II Sobre a Graça



As Escrituras dizem “é Deus quem justifica o ímpio”. Isso por si deveria calar todos aqueles que querem encontrar fora da Graça fonte ou causa de salvação. Deus decidiu desde a eternidade salvar os homens por intermédio de Cristo e não de algo previsto em nós. Com isso não anulamos a fé, apenas dizemos que até da fé a Graça é a fonte e a causa. Sendo a fé, portanto, canal condutor da salvação à consciência dos homens. E por nada substituo meu Cristo, nem mesmo pela piedade. Minha fé, fruto da Graça de Deus, é o canal natural de receptividade da Graça. Na fé segundo o Evangelho, toda glória será sempre Dele, do Doador da Vida. Ora fé que não é assim é fonte de orgulho e Deus não daria a salvação por meio de um canal que produzisse nos homens orgulho. Assim também não é o arrependimento fonte de salvação, mas efeito. A mente cativa pelo Senhor é uma mente arrependida. Diz as Escrituras “olhai para mim e sereis salvos” e “olharão para mim e se arrependerão”. Não podemos colocar glória no fato de nos arrependermos, isso seria desviar o olhar do Autor de nossa salvação. Em suma, a salvação do inicio ao fim é só pela Graça de Deus.

Ivo Fernandes
2006

O papel das emoções no desenvolvimento do câncer

O tema proposto ainda é motivo de discussões entre especialistas, apesar da crescente admissão da relação entre as emoções e as doença...