segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A Torre de Babel



A história é encontrada em Gênesis 11:1-9:

Em toda a Terra, havia somente uma língua, e empregavam-se as mesmas palavras. Emigrando do Oriente, os homens encontraram uma planície na terra de Sinar e nela se fixaram. Disseram uns para os outros: «Vamos fazer tijolos, e cozamo-los ao fogo.» Utilizaram o tijolo em vez da pedra, e o betume serviu-lhes de argamassa. Depois disseram: «Vamos construir uma cidade e uma torre, cujo cimo atinja os céus. Assim, hemos de torná-los famosos para evitar que nos dispersemos por toda a superfície da terra.» O SENHOR, porém, desceu, a fim de ver a cidade e a torre que os homens estavam a edificar. E o SENHOR disse: «Eles constituem apenas um povo e falam uma única língua. Se principiaram desta maneira, coisa nenhuma os impedirá, de futuro, de realizarem todos os seus projetos. Vamos, pois, descer e confundir de tal modo a linguagem deles que não consigam compreender-se uns aos outros.» E o SENHOR dispersou-os dali por toda a superfície da Terra, e suspenderam a construção da cidade. Por isso, lhe foi dado o nome de Babel, visto ter sido lá que Deus confundiu a linguagem de todos os habitantes da Terra, e foi também dali que os dispersou por toda a Terra”

A história da torre de Babel mostra com clareza que toda intenção humana de construir estruturas concretas, imaginárias, ideológicas, religiosas, etc., que visam à supremacia sobre a diversidade, a destruição dos diferentes, em nome de uma unidade que tem por base o poder e não o amor é rejeitada por Deus, pois tais estruturas são essencialmente destrutivas.

Doutrinas como a infalibilidade papal, inerrância das Escrituras acompanha de interpretação oficial determinante, eleição sob a ótica agostiniano-calvinista, a demonização do diferente, e o exclusivismo religioso são filhas do desejo dos que construíram a torre.

O resultado é sempre intolerância e violência contra o próximo, uma clara antítese de tudo que Jesus ensinou.

Portanto, filhinhos, fugi da influência de todo e qualquer sistema que se apresenta como único válido, autorizado e verdadeiro, pois os mesmos são os maiores promotores da opressão.

Ivo Fernandes
14 de janeiro de 2013

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

2013, as aventuras de Pi e minha fé



Ontem fui questionado por um grupo de pessoas sobre minha religião. Procuravam saber minhas posições religiosas e em que acreditava. E minhas respostas quase nunca são aceitas facilmente, isso porque tenho assumido nos últimos anos uma espécie de sincretismo, ou como tenho preferido um casamento entre várias crenças e tradições religiosas.

Muitos não aceitam o fato de eu crer em Cristo como Filho de Deus e ao mesmo tempo carregar no pescoço um Masbaha, terço islâmico, no dedo um anel hindu, realizar meditações budistas, dançar ao som dos tambores africanos, e ainda estar aberto ao Mistério que me rodeia e me fascina manifesto entre os povos do mundo.

Porém já não me importo muito com o incômodo das pessoas com relação a isso. Estou em paz comigo mesmo. Não me sinto traidor de nada, e minha fé nunca foi tão madura e tão infantil, por isso mesmo tão verdadeira como agora.

E para minha surpresa foi muito gratificante assistir no começo deste ano o filme “As aventuras de Pi”(Life of Pi) que conta a história do garoto indiano Piscine Molitor Patel, onde questões espirituais são tratadas na trajetória do protagonista reconhecido pelo apelido Pi. Apesar de filho de representantes da Índia moderna, mais afeitos à ciência do que a religião, na infância o garoto Piscine ensaia aproximações com o hinduísmo, o cristianismo e o islamismo. Na idade adulta, ele discorre sobre hábitos do judaísmo também. O sincretismo do personagem é capaz de ajudá-lo em situações extremas, como na sobrevivência a um naufrágio e o encontro com a natureza, representada no corpo de um tigre de bengala. As indagações de um ser humano imantado por sua relação com várias crenças dão ao título uma espécie de dimensão religiosa.

Nem sei direito o que os amigos mais chegados e familiares pensam bem sobre essas coisas que agora escrevo. Sinto algumas reações que vão de admiração a espanto. Muitos pensam tratar-se de uma brincadeira minha, outros pensam ser estratégia. Alguns me consideram perdido. Mas eu mesmo me considero achado, encontrado pelo Amor.

Sim! Eu creio! Creio no Mistério! Sei que alguns dirão como o pai de Pi, Santosh Patel, que crer em tudo é a mesma coisa que não crer em nada. Que é preciso se decidir. Mas eu me decidi, minha decisão não cabe numa religião apenas, e nem na soma de muitas, mas todas elas cabem e ainda sobra muito na ideia sobre Deus.

No filme o escritor que visita Pi é desafiado a ouvir sua história e depois decidir se crer ou não em Deus. Durante a trama, a questão da religião, da razão e da dúvida são abordados, e no fim Pi apresenta duas versões para a sua história, concluindo que nas duas versões os sofrimentos são os mesmos, porém uma versão é seca, sem encanto, sem magia, sem fé, e outra é completamente mágica, e ele pergunta ao escritor qual história ele prefere. Ele responde “a quem tem o tigre”. E Pi termina, é assim também com Deus.

O filme termina com aquela sensação que pergunta: é uma fábula ou história real? Da minha parte decidi seguir minha vida, cheia de sofrimentos e dores, com a beleza da fé.  E “A fé pode ser edifício com muitos andares, com um cômodo reservado para a dúvida em cada um deles”.
Igual a Pi é a esperança que me move. Foi ela que me fez atravessar o turbulento mar de 2012, cheias de tempestade, num barquinho pequeno na companhia de um tigre que por vezes me espantou mas com o qual aprendi a viver e me encantar, e da mesma forma que chegou foi embora, apesar de jamais ter saído de dentro de mim.

Que o ano de 2013 seja cheio da riqueza de luz, brilho, magia e encanto presente no filme, nas religiões e dentro da minha alma.

Ivo Fernandes
3 de janeiro de 2013

Ídolos – da construção à necessidade de destruí-los

O termo ídolo não é um termo usado em nossa nação comumente. Aparece mais nos discursos evangélicos numa referência a qualquer entidad...