quarta-feira, 9 de abril de 2014

9 de abril 2014


Há 14 anos eu pegava no colo pela primeira vez aquela que só traria alegria a minha vida nos 14 anos seguintes. Minha primeira razão. Ela foi a força da minha vida nos anos que se seguiram, por ela resisti e batalhei, sempre tentando oferecer a ela o mínimo de bem, frente a grandiosidade de graça que me alcançou com a sua vinda para minha vida.

Hoje ela já não é uma menininha, já não pego no colo, apesar da vontade que às vezes dá. Seu corpo não é mais frágil, mas ainda desejo cuidar dele como joia rara. Na infância chorei com ela, quando ela não sabia explicar os porquês, hoje já a vi chorando por amores que ainda nem conhece bem. Sim seu coração, começa a se abrir para outros mundos. Está se libertando aos poucos do casulo do pai.

Antes temia por esses dias. Na mínima possibilidade de ela se afastar fisicamente de mim, sofria, mas hoje meu amor ganhou a certeza de um caminho percorrido, de trabalho realizado. Aquela menina tornou-se uma adolescente forte, honrada, verdadeira, boa. Fruto não de uma disciplina ou de qualquer manual de educação de filhos, fruto apenas do meu amor sincero por essa criatura que Deus me permitiu ter por filha.

Aqui, sentando nesse lugar que durante um tempo me serviu de inspiração, vendo, ouvindo e sentido a chuva, enquanto ela ainda dorme, a abençoou. Em breve não terei mais esse lugar, em breve ela dormirá em outras camas, em outras casas, em outros braços, mas onde estiver continuarei abençoando o primeiro amor que não muda da minha vida.

Desejo a você minha filha todas as coisas boas que puder viver, todo aprendizado que puder ter, toda sabedoria que puder possuir, toda alegria que puder sentir, todo amor que puder amar. E que em todas as situações difíceis da sua vida, que possua a única herança que lhe deixo, a fé.

Amo você mais do que a mim mesmo!

Ivo Fernandes

Pai de Adah Ivna Fernandes

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Adoração


Não desejo conceituar adoração. Não desejo criar modelos. Adoração como ato da alma a Deus não pode caber em modelos particulares ou definições quaisquer. A alma é livre para adorar. O fato é que as Escrituras bíblicas nos chamam para adorar:

“Dai ao Senhor a glória devida ao seu nome, adorai o Senhor na beleza da santidade.” Salmos 29:2

É sabido que podemos adorar com conhecimento ou não, ou seja, pode-se adorar com a consciência ou na ignorância, movido apenas pela fé que nada sabe, mas que direciona. (Jo 4.22; 9:38; Rm 12.1). Não é exatamente o conhecimento que determina a verdade da adoração, mas o estado do espírito frente ao sagrado (Jo 4.24), e frequentemente é esse estado do espírito em adoração que diferencia um adorador de um mero religioso que observa ritos e obedece a liturgias.

Abraão adorou o Senhor na perplexidade e diante do absurdo, quando foi lhe pedido que sacrificasse seu filho (Gn 22.5). Porque ele adorou? A adoração não era garantia, troca, era mergulho cego no Amor de Deus frente à insanidade da circunstância.
O livro do Êxodo nos mostra que o povo hebreu foi chamado para adorar no deserto. Que local mais inapropriado para se adorar, se pensarmos adoração como apenas gratidão. A adoração não era para agradecer por algo recebido, mas dinâmica, poder, força na própria caminhada.

Davi é conhecido como exemplo de adorador. Sob que circunstância ele adorou? Com que estado emocional? Com que objetivo? A adoração era a condição fundamental de Davi, não importando o estado em que se encontrava ele adorava, talvez por isso fosse chamado um homem segundo o coração de Deus (At 13.22).

Enfim, são muitos os exemplos bíblicos, mas gostaria de destacar o exemplo de Jó por uma única razão, este homem justo teria muitas razões para ter outra postura frente às desgraças que lhe aconteceram, mas ele decidiu, escolheu adorar (Jo 1.20). E adoração de Jó não era conforme a adoração dos interessados, não era a adoração dos teóricos, não era a adoração dos machucados, não era a adoração do lamento, era ao contrário a adoração da consciência pacificada que não atribui a Deus o que é próprio da existência.

E na minha vida o que aprendi sobre adoração a partir das minhas experiências? Se que sou um adorador, não me perguntem os ‘como’ dessa afirmação. Sei que minha alma está para o sagrado, não posso negá-lo e, ou mesmo viver longe. Minha mente já viajou por muitos mundos conceituais, já mudei de posicionamentos teológicos e filosóficos, já abandonei liturgias e instituições, mas jamais deixei de adorar. Sim, nunca adorei o conteúdo do meu saber teológico-filosófico, adoro Aquele que me move a produzir esse saber. O conteúdo muda, não Aquele que me move, logo não muda minha condição de adorador.

A semelhança dos citados, mas dentro dos meus próprios contextos, adorei diante do absurdo. Adorei quando a mente negava o conteúdo da fé, tive fé contra a esperança. Dei razão a Deus quando nada fazia sentido. O Senhor provou minha fé e me mostrou um caminho sobremodo excelente. Adorei na alegria, na tristeza, entre amigos e na solidão, em santidade e em pecado, tendo tudo e não possuindo nada, adorei porque não tenho outro caminho a seguir. Deus é meu advogado diante Dele mesmo! Adorei confessando que tudo é dele, o bem e o mal, a luz e as trevas, todas as coisas e também minha alma. Adorei sem atribuir a Deus culpa alguma.

Enfim, adorei quando a morte chegou. Ela não encontrou lamentos, mas um espírito forte num corpo fraco. E a força do meu espírito é a própria adoração. Ela nunca foi um caminho para a vitória, mas minha própria vitória. Ela nunca foi estratégia para alcançar ou atrair a Deus, ela é a condição consequente da habitação do Espírito em meu ser.

Não há modelos, formas, moldes. Não há como adorar sobre comando de outros, pois adoração não é uma obrigação religiosa, mas uma escolha da alma. Só adora aquele que não tem outro bem além do Senhor!

Ivo Fernandes

30 de março de 14

Ídolos – da construção à necessidade de destruí-los

O termo ídolo não é um termo usado em nossa nação comumente. Aparece mais nos discursos evangélicos numa referência a qualquer entidad...