sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Como caíram os valentes!


O título desse texto é o lamento de Davi pela morte de Saul e Jônatas no campo de batalha. A história dos judeus Deus não é apenas uma história de glória, mas é também uma feia novela de relacionamentos quebrados, infidelidade, ambição, orgulho, política de força e atos imorais e consequentemente de queda dos valentes.

Essa semana entre os vários acontecimentos que envolvem a corrupção em nosso país, duas cenas me chamam a atenção, a prisão de Garotinho e de Sérgio Cabral. A razão pela qual destaco essas duas histórias é porque os dois foram figuras que despontaram no cenário político brasileiro como ícone de moralidade e que acabaram preso acusados de diversos crimes. A cena da prisão de ambos ficará para nossa história política e a de Garotinho com cenas deprimentes.

Como caíram os valentes!

Há mais de 10 anos vivi bem de perto a queda de um valente. Um jovem pastor que me convidara a pastorear sua igreja e que aceitei por ter me encantando com tudo que vi ali. Um homem carismático, eloquente, que tinha um crescente número de adeptos apaixonados por ele e completamente obedientes. Pois bem, vi esse homem ruindo até o seu assassinato na frente de sua família e de sua comunidade religiosa.

Como caíram os valentes!

Mas porque caíram? 

Penso que entre as muitas causas que levam os valentes caírem uma das principais é a sensação de onipotência que vai tomando a mente na medida em que vão conseguindo tudo que querem e nada parece os impedi-los e associado a isso uma impressão de se estar além do bem e do mal se instala no ser. É o que podemos chamar de síndrome de onipotência, que atinge com frequência políticos, empresários, autoridades religiosas, mafiosos, pessoas geniais, vencedores.

Essa síndrome tem sua gênese no relato bíblico do Édem, quando o homem desejou “ser como Deus”. Mesmo sabendo que era contra a ordem de Deus o homem preferiu obter o que desejava. A sedução do poder, do prazer e do ter foi maior que a obediência. "E vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela." (Gn 3.6.).

E como se evita tal desejo, ou como se impede que tal desejo nos destruam?

Ironicamente a única cura para esse mal da onipotência nos é dada pelo único de fato Poderoso. Transcrevo aqui o entendimento do apóstolo Paulo sobre o caminho da cura, e o único caminho de evitar a queda dos valentes.


Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões,
Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo; Retendo a palavra da vida, para que no dia de Cristo possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão.
E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós. E vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo.
Filipenses 2:1-18

domingo, 20 de novembro de 2016

Ele derrubou os muros


Leitura Bíblica: "Pois foi Cristo quem nos trouxe a paz, tornando os judeus e os não-judeus um só povo. Por meio do sacrifício do seu corpo, ele derrubou o muro de inimizade que separava os judeus dos não-judeus." – Ef. 2.14

Esse é um tempo onde os homens voltaram a levantar muros. Muros físicos, morais, virtuais, espirituais, separando as pessoas e com essa separação estabelecendo uma nova onda de ódio e atos contra o próximo.

Apenas algumas décadas das últimas grandes guerras e já esquecemos daquilo que as promoveram e novamente erguemos bandeiras de preconceito e toda espécie de segregação. Nos 35 anos da minha existência nunca senti tão forte a presença dos muros como estou sentindo nesse tempo.

Para quem não se recorda dos fatos ou mesmo desconhece a História, Lúcia Hipólito, jornalista da Rádio CBN, resumiu com brilhantismo um evento onde muros foram erguidos – trata-se do muro de Berlim - esse evento sócio-político insano, que não apenas dividiu a Alemanha, dividiu o Planeta. Acompanhe o resumo:

"Em 13 de agosto de 1961, com o acirramento da Guerra Fria e com a grande migração de berlinenses do lado oriental para o ocidental, o governo da Alemanha Oriental resolveu construir um muro dividindo os dois setores. Dele faziam parte 66,5 km d
e gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Foi também proibido a passagem das pessoas para o setor ocidental da cidade. Checkpoint Charlie, um dos pontos de passagem entre os lados da cidade. A construção do muro – símbolo da separação dos blocos capitalistas e comunistas – não respeitou casas, prédios ou ruas. Policiais e soldados da Alemanha Oriental impediam e até mesmo matavam quem tentasse ultrapassar o muro. Muitas famílias foram separadas da noite para o dia. Pelo menos 80 pessoas morreram, 112 ficaram feridas e milhares foram aprisionadas nas diversas tentativas de atravessá-lo. Sua estrutura chegou a ser reforçada por quatro vezes."

Ora, hoje nações elegem presidentes que prometem erguer novos muros de separação. Muros físicos para separar nações, muros legais para separar orientações sexuais diferentes, muros morais para separar homens e mulheres, muros espirituais para separar humanos.

E em que se fundamentam esses muros?

Todo muro se fundamenta na noção de superioridade, de qualquer tipo que seja. Povos, religiões, culturas que se acham superiores, passando a condenar tudo aquilo que é diferente e que aponta as fraquezas de sua suposta supremacia. A questão é que não existem superiores de nenhuma forma. 

O conselho bíblico é que imitemos a Cristo:

Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.
De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
Filipenses 2:3-8
Lembrando que:
Os olhos altivos, o coração orgulhoso e a lavoura dos ímpios é pecado. Provérbios 21:4
Aquele que murmura do seu próximo às escondidas, eu o destruirei; aquele que tem olhar altivo e coração soberbo, não suportarei. Salmos 101:5
Abominação é ao Senhor todo o altivo de coração; não ficará impune mesmo de mãos postas. Provérbios 16:5

A arrogância, a presunção e a ganância do ser humano são o cimento e as pedras que continuam erguendo muros de separação por toda a parte.

Imitar a Jesus é derrubar muros de separação, é abrir caminhos para todos. E como fazer isso?

Primeiro derrubando muros interiores construídos dentro de nós por nossa cultura e religião. Se acolhemos qualquer ideia de superioridade, precisamos eliminá-las de dentro de nós com urgência.

Lembremo-nos, não fomos chamados para sermos os melhores, mas os servos.

Lembrem-se desse exemplo:
Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim. E, acabada a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse, Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus, Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido.
Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois. Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo. Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.
Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. Ora vós estais limpos, mas não todos.
Porque bem sabia ele quem o havia de trair; por isso disse: Nem todos estais limpos. Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito?
Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.
Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou.
Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.
João 13:1-17

Esse é o caminho que fomos chamados a trilhar, o de lavar os pés uns dos outros. Cristo nos trouxe a paz, derrubando muros de inimizade, façamos o mesmo. Usemos o martelo do perdão e do amor e derrubamos os muros da arrogância e da presunção. Pois muros nos tornam todos escravos e prisioneiros.

Ivo Fernandes

13 de novembro de 2016

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O inferno



Leitura sugerida: Mt 5.29

Ao longo da história do cristianismo, diversas interpretações acerca do inferno foram formuladas, muitas dessas interpretações mesmo que medievais ainda regem o pensamento de muitos cristãos. Porém, no decorrer desses séculos o inferno foi pensado e repensado. É um tema que volta mesmo entre nós, os do Caminho. Alguns ainda questionam sobre a condenação dos homens. Quando criticamos teorias sobre o inferno, somos tachados rapidamente de universalistas, como se afirmássemos que todos serão salvos até contra a própria vontade.

Em determinados grupos cristãos o inferno é tão presente como tema, que certa vez ouvi um líder neopentecostal dizer que "a Bíblia se refere muito mais ao inferno do que ao Reino..." o que é evidentemente uma grande mentira, que para mim só revela a má intenção de tal pregador. A verdade é que os termos associados ao céu ocorrem cerca de 269 só no NT, enquanto os termos relacionados ao inferno só ocorrem 28 vezes. E isso no NT pois no AT o inferno como nós fomos ensinados não faz o menor sentido.

Na minha infância inferno basicamente era o lugar para onde ia os membros de todas as demais religiões ou de outros grupos cristãos diferentes do meu. Ou seja, a arrasadora maioria das pessoas. Na adolescência servia para evitar que pecasse, os chamados pecados sexuais. E na vida adulta, tornou-se uma arma contra os adversários.

Mas vamos começar uma análise. Afinal o que sabemos sobre esse tema? A palavra inferno, que hoje conhecemos, origina-se da palavra latina pré-cristã infernus "lugares baixos", infernus. Na Bíblia latina, a palavra é usada para representar o termo hebraico Seol e os termos gregos Hades e Geena, sem distinção. A maioria das versões em idioma Português seguem o latim, e eles não fazem distinção do original hebraico ou grego. Das palavras Hades e Sheol, ambas com mesmo significado, tendo conotação clara de um lugar para onde os mortos vão, todos eles. O próprio Jesus foi, pois refere-se a sepultura, sua câmara mortuária. Diz as escrituras “ele não foi esquecido no Inferno, foi ressuscitado ao terceiro dia”.

Na época de Cristo, o mundo dos mortos não possuía a importância e a função infernal como tal conhecemos hoje. Foi no século IV que o inferno passou a ganhar força e importância no cristianismo e surgiu uma doutrina cristã acerca da visita de três dias de Cristo ao Mundo dos Mortos. Nesta fase, o inferno cristão, enquanto produto do pensamento Ocidental, começava a se tornar no inferno mais bem elaborado que se tem registro. Ela passou a ser elaborada conforme o desenvolvimento da teologia dogmática e alcançou seu auge na Idade Média como podemos encontrar na famosa obra de Dante – A divina Comédia.

O inferno, segundo Dante, possui nove estágios. Os cinco primeiros estão no limbo: (1) lugar das almas não batizadas, (2) dos sensuais, (3) gulosos, (4) avarentos e pródigos, e (5) furiosos. No Baixo Inferno estão (6) hereges e incrédulos, (7) os que pecaram contra o próximo, contra si mesmo e contra Deus, (8) sedutores, adulteradores, adivinhadores, hipócritas, ladrões, maus conselheiros e fundadores de seitas, e (9) traidores da família, da pátria, dos amigos e dos benfeitores. Ainda, no lugar mais baixo do inferno está o Diabo. O comando do Diabo é ambíguo: é o império do reino doloroso e, ao mesmo tempo, o império do nada.

A crença no inferno como saída para o mal denota em submissão ao catolicismo e, ao mesmo tempo, paradoxalmente, em um ódio que não se harmoniza com os preceitos dos Evangelhos.

Sendo assim porque então esse tema sempre volta, até em círculos como os dos caminhantes? Creio que por causa de má compreensão soteriológicas. A questão da salvação é fundamental para a configuração de “infernos”. A exclusividade da salvação coloca em jogo discursos moralistas e formas de viver. Para a maioria dos cristãos a salvação é um bem exclusivo dos adeptos dessa religião. Até mesmo um ateu com boas intenções não poderia se salvar.

A exclusividade da salvação é um dos fatores determinantes na configuração do imaginário do céu e do inferno na teologia sistemática. Teólogos que tentaram mostrar outras formas de pensar a salvação foram excluídos e considerados herege pela igreja.

Mas afinal, o inferno existe? Gosto de pensar com Karl Rahner que disse “O inferno é uma Virtualidade”. O inferno não é um lugar, mas é um estado, uma situação. Está muito mais ligado a vida do que a pós vida. Assim da mesma maneira que não se pode negar a existência do mal, não se pode negar situações infernais na vida. Sobre a condenação pós-morte ninguém pode afirmar que não existam condenados, nem que os condenados são numerosos, ou que não existem nenhum. Conhecemos, somente, uma coisa: se o mal não for combatido energeticamente, o inferno será a realidade entre nós e por nós.

E engana-se que com isso a tragédia do inferno é diminuída. Não há nada mais trágico do que a perda da singularidade, da ameaça de não ser e não poder vir a ser. O inferno é o aniquilamento do ser e do vir-a-ser. O inferno é uma experiência radical e possui significados profundos.  O inferno é a vida sem Deus. E como é possível uma vida sem Deus? Não é possível realmente, mas é possível virtualmente, ou seja, é possível a mente ser imersa numa condição infernal. E como isso se dá? Quando negamos o que somos em Deus, ou seja quando negamos o status de criatura finita e colocamos nossa força vital e motivação existencial num determinado grupo, apenas, ou em si mesmo, e não em Deus.

Ora qualquer outra ideia do inferno não posso aceita-la pois não condiz com minha fé no amor de Deus. Posso retratar isso com a parábola de Rubem Alves

“ Era uma vez um velhinho simpático que morava numa casa cercada de jardins. O velhinho amava os seus jardins e cuidava deles pessoalmente. Na verdade fora ele que pessoalmente o plantara – flores de todos os tipos, árvores frutíferas das mais variadas espécies, fontes, cachoeiras, lagos cheios de peixes, patos, gansos, garças. Os pássaros amavam o jardim, faziam seus ninhos em suas árvores e comiam dos seus frutos. As borboletas e abelhas iam de flor em flor, enchendo o espaço com as suas danças. Tão bom era o velhinho que o seu jardim era aberto a todos: crianças, velhos, namorados, adultos cansados. Todos podiam comer de suas frutas e nadar nos seus lagos de águas cristalinas. O jardim do velhinho era um verdadeiro paraíso, um lugar de felicidade.

O velhinho amava a todas as criaturas e havia sempre um sorriso manso no seu rosto. Prestando-se um pouco de atenção era possível ver que havia profundas cicatrizes nas mãos e nas pernas do velhinho. Contava-se que, certa vez, vendo uma criança sendo atacada por um cão feroz, o velhinho, para salvar a criança, lutou com o cão e foi nessa luta que ele ganhou suas cicatrizes.

Os fundos do terreno da casa do velhinho davam para um bosque misterioso que se transformava numa mata. Era diferente do jardim, porque a mata, não tocada pelas mãos do velhinho, crescera selvagem como crescem todas as matas. O velhinho achava as matas selvagens tão belas quanto os jardins. Quando o sol se punha e a noite descia, o velhinho tinha um hábito que a todos intrigava: ele se embrenhava pela mata e desaparecia, só voltando para o seu jardim quando o sol nascia. Ninguém sabia direito o que ele fazia na mata e estranhos rumores começaram a circular. Os seres humanos têm sempre uma tendência para imaginar coisas sinistras. Começaram, então, a espalhar o boato de que o velhinho, quando a noite caía, se transformava num ser monstruoso, parecido com lobisomem, e que na floresta existia uma caverna profunda onde o velhinho mantinha, acorrentadas, pessoas de quem ele não gostava, e que o seu prazer era torturá-las com lâminas afiadas e ferros em brasa. Lá – assim corria o boato – o velhinho babava de prazer vendo o sofrimento dos seus prisioneiros.

Outros diziam, ao contrário, que não era nada disto. Não havia nem caverna, nem prisioneiros e nem torturas. Essas coisas existiam mesmo era só na imaginação de pessoas malvadas que inventavam os boatos. O que acontecia era que o velhinho era um místico que amava as florestas e ele entrava no seu escuro para ficar em silêncio, em comunhão com o mistério do universo.”

Bom! Em que versão acreditar? Eu já fiz minha escolha. Creio na bondade de Deus e por isso o amo. Jamais amaria um Deus que tem um inferno guardado para os homens.

E a Bíblia? Creio em suas parábolas e parábolas são metáforas que falam sobre os cenários da alma humana. E as parábolas não falam sobre um lugar exterior chamado inferno. Elas falam do fogo que jamais se acaba, dentro da alma, a não ser pela fé e pelo amor.

Alguns insistirão. Então você não crer no inferno Ivo? Para quem ainda não entendeu tudo que disse, termino com as palavras de Lutero: “o inferno existe, mas Deus é tão generoso que não manda ninguém para lá.”

Ivo Fernandes
16 de outubro de 2016

 

A justificação pela fé – uma exposição no Caminho

Leitura:  Romanos capítulos 1 a 3 A doutrina da justificação pela fé é um dos principais pilares da fé cristã, em especial a prote...