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Mostrando postagens de 2020

O Natal de 2020

Basta um procurar em meus textos pela palavra Natal que logo descobrirão que amo essa data. Consigo dar sentido a tudo que envolve essa celebração, mas nesse ano todos fomos desafiados a dar um novo sentido a esse momento, visto estarmos cercados de tantos acontecimentos difíceis e sentimentos confusos. A pandemia mexeu com nossa relação com o tempo, estamos chegando ao fim do ano, mas nossa mente não parece ainda ter processado esse acontecimento. O ano de 2020 ficará, na história de cada um de nós, como o ano em que fomos obrigados a pararmos, a nos isolarmos e a dependermos cada vez mais daqueles que estavam mais próximos. Porém, nem todos conseguiram retirar lições desse tempo, e então chegou o Natal. O que o Natal de 2020 tem em comum com o primeiro Natal, aquele em o menino Jesus nasceu? O mundo em que Jesus nasceu não era tão diferente assim do nosso, havia muita corrupção, desigualdade social, doenças, entre outras desgraças. Maria e José, pais de Jesus, eram pobres sujeitos ao...

O amor é como um sono

  O amor é um mistério, é como as archés dos antigos gregos, cada um encontrou uma explicação que cabia em sua experiência. De tanto falarmos do amor, aprendemos a dividi-lo em categorias para buscar entendê-lo. Falamos de amor romântico, materno, fraterno, divino. Encontramos palavras para designar cada tipo de amor. Platão, por meio do personagem Sócrates, foi quem nos trouxe a ideia do amor como busca do que falta. E o que nos falta? Eis a questão! Sobre a falta se debruçou Freud e todos os demais psicanalistas. O amor nos poetas vai da graça ao sofrimento, da alegria ao lamento, da felicidade ao sofrer. E afinal o que é o amor? O amor é como um sono do qual somos obrigados a acordar, mas ao qual estamos fadados a ele retornar para que possamos nos manter acordados. Quem busca ter o amor o tempo todo não o suportará. Quem busca dele se livrar não conseguirá. O amor, seja lá de que tipo for, é a condição fundamental da existência, é a força que nos move. E todo moviment...

Clínica de Psicanálise

Minha clínica é pautada na perspectiva freudiana-winnicottiana, em que a psicanálise não é para todos, e nem para todos os momentos, e sim para quem necessita, deseja e pode suportá-la.  Com isso não estou rejeitando os que não são para a psicanálise, pois não sou tão ortodoxo assim. Algumas vezes trabalho de uma outra forma, até mesmo para tornar o trabalho analítico possível, sem que isso me desloque do meu ofício e sem que isso faça com que eu deixe de ser psicanalista. Então, todas as vezes que me procurar, irá encontrar um analista dedicado ao seu caso, que procurará entender como você se sente, estabelecendo uma relação de confiança pautada na responsabilidade profissional, e tolerando toda produção transferencial, ciente de que, por meio desse processo, é que posso ajudar você a lidar com todo o seu sofrimento na busca do seu bem-estar e desenvolver o fortalecimento da sua consciência. Se considerar que posso ajudá-lo ou ajudá-la, entre em contato para marca...

Repensando o autoconhecimento

Autoconhecimento é uma palavra popular, está na moda. Todos parecem interessados nela. Buscam o autoconhecimento por todos os lugares, dos quiz na internet até o horóscopo de jornal. As empresas, marcas, propagandas, igrejas, clubes, rodas, todos se apropriam dessa palavra. E isso poderia ser muito bom, se de fato fosse simples assim. Muito do que a gente vê por aí são estratégias de venda disfarçadas de psicologia. Essa é realmente a geração onde tudo virou um objeto de consumo. Tudo se pode comprar ou instagramear. A palavra autoconhecimento é simples de entender, trata-se do conhecimento que o próprio sujeito adquire de si. O que não é simples é como isso se dá. E se isso é realmente possível. O que eu descobri nesses anos de terapia, tanto como analisando como analista, é que o autoconhecimento não se dá automaticamente, como resultado do tempo por exemplo. Aliás, idade não é garantia de sabedoria. Outra coisa é que, apesar de ser um conhecimento que eu desenvol...

Infidelidade sexual

O tema infidelidade sexual está sempre presente nas mesas de café, nos bares e, especialmente, nas clínicas psicanalíticas. É tema em novelas, filmes, séries, na literatura, na música. Mas, apesar disso, o que percebo é que o assunto não é tratado pelas pessoas, em geral, da maneira honesta com a qual deveria ser tratado. E por quê? A resposta tem a ver com a carga moral de que nossa cultura ainda é impregnada. Fomos treinados a enxergar vários comportamentos sexuais como algo maligno. Até hoje vários grupos religiosos ensinam aos seus jovens a adotar a castidade e, ainda, põem o sexo em um lugar obscuro. Muitas pessoas são contra a educação sexual nas escolas, enfim, quando o assunto - a infidelidade sexual - se manifesta de forma prática, o que ocorre como consequência é a mentira. Dessa forma, quando o assunto é infidelidade sexual, precisamos entender que a abordagem do tema dependerá de vários fatores, além dos citados acima. As culturas lidam de maneiras diferentes...

O filósofo psicanalista

Todas as vezes que sou convidado para dar uma palestra me pedem um currículo. Como eles devem me apresentar? Confesso, esse é um momento sempre tenso. Afinal, essa informação envolve muitas questões. O que um título diz a meu respeito? O que um título, aliás, diz do próprio título? Se eu tivesse que transformar em títulos minha vida e experiências não caberiam em uma peça publicitária. Assim, quase sempre mudo a forma como me apresento, pois, talvez, essa mudança fale mais de mim do que o congelamento de um título. Mas considerando justamente essa característica, o título mais apropriado seria o filósofo psicanalista. Ser filósofo e psicanalista é justamente não ser um É, mas um sendo. É um lugar mais de perguntas que respostas, de busca do que de encontro. O que vem a ser um filósofo? O que vem a ser um psicanalista? Quando faço uma retrospectiva da minha vida, sei exatamente porque sou um filósofo psicanalista. Enquanto filósofo sou aquele que possui uma questão, uma b...

A academia e o divã

Vivemos em um tempo onde não podemos pensar a saúde apenas por um olhar. Saúde é sempre saúde integral. Aliás, esse é o conceito da OMS, que define  saúde  como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades”. Sendo assim, ninguém deveria procurar apenas a academia, ou apenas o divã, mas ambos. E por quê? Porque precisamos analisar nossa relação com a imagem, pois o culto ao corpo perfeito é sintoma, e como todo sintoma esconde outros elementos. Perceba, qualquer um pode desejar e buscar modelar o corpo, mas quando esse desejo está associado a uma fragilidade emocional ou psíquica, o que vemos são indivíduos que fazem má utilização de suplementação alimentar, o uso de esteroides anabólicos sem necessidade indicada, e um excesso de exercícios físicos. Esse tipo de transtorno tem nome e classificação, estamos falando da vigorexia, doença psicológica caracterizada por uma insatisfação constante com o corpo ...

A hora de arrumar a casa

Era uma segunda-feira, naquela manhã meu corpo apresentava sinais leves de algo que ainda não carregava o peso emocional que viria ter. De repente, por todo o mundo uma desgraça se espalha, nada contém, só conseguimos diminuir tragédias, mas não as evitar. E aí ela chega em nós! Decretos governamentais, junto do medo e da falta de informação suficiente nos tiram dos trabalhos, das igrejas, das festas, e das famílias. Nos primeiros dias, apenas a informação, depois a dúvida, aí o medo, e em certo momento percebemos que o toque faz falta, que abraço é essencial, e pessoas como eu, pai que não mora com as filhas, sente o peso da distância. Ansiedade aumenta, pânico se espalha, e como tentativa de não sucumbir muitos negam a realidade de nossa atual situação, somos todos vítimas do invisível, frágeis. Aí os números aumentam, mas pessoas não são números, várias histórias interrompidas, e lutos não estão podendo ser vivenciados. Essa é uma dor imensurável. Semanas se passa...

O poço

Assisti duas vezes ao filme – o poço - Um filme de Galder Gaztelu-Urrutia com Ivan Massagué, Zorion Eguileor, Antonia San Juan, Algis Arlauskas, exibido pela Netflix . Trata-se de um filme sobre nós, sobre nosso modelo de sociedade, e está cheio de símbolos para nos fazer repensar nossa atual forma de vida. A gente vive um modelo e não se importa mais em questionar, ou procurar saber como chegamos nessa lógica. Por que nos dividimos em classes sociais? E por que nenhuma classe se importa com a outra? Nossa loucura é apenas em subir de classe, sem notarmos os milhares estão caindo rumo a morte. Damos tanto valor a coisas supérfluas, compramos tudo que nos convenceram que era importante ter, mas que na verdade não serve para nada. Nos perdemos nos detalhes desse jogo, quando a única coisa que no fim importa é o que vamos comer. Isso é óbvio. Criamos um sistema para sobrevivermos, mas agora vivemos para manter o sistema, sem notar que ele mais nos mata do que nos mantém...

Juntos no fim do mundo

Comecei a usar a expressão #juntosnofimdomundo, primeiro com meus familiares e depois com meus amigos, em nossos grupos virtuais, mas não como uma brincadeira, apesar de brincarmos sempre, mas como uma sentença, não necessariamente apocalíptica, mas existencial. Sim, tudo que está acontecendo no mundo inteiro está servindo, pelo para alguns, para entenderem que o mundo como nós conhecemos e o qual reproduzimos não é mais possível. É preciso chegar ao fim de um tempo para que outro se inicie. E à medida que os dias passam todos ficamos sabendo que o mundo acabou. E o mundo já acabou outras vezes, e novos tempos já surgiram. Qualquer um que se aventurar pela leitura da história verá. Um mundo leva muito tempo para acabar, alguns duraram milênios, mas o fato é que todos os mundos acabam um dia. E alguma geração será a que viverá os tempos do fim. Nós somos a geração que está vivendo algo singular, pelo menos nos últimos 100 anos. É claro que muitas doenças já nos afetar...

A solidariedade nos salvará

Estamos vivendo o maior desafio dos nossos tempos. A pandemia causada pelo coronavírus (covid-19) mostrou a fragilidade de nossos sistemas econômicos, políticos, governamentais. As pessoas de bom senso já perceberam que atrelado a tudo que está acontecendo, está nosso atual modelo de vida, que não se cansa de consumir e correr atrás do vento. O que virá depois de tudo isso? Não sei! Não sou dos pessimistas, mas não sou tão otimista como gostaria de ser. Não sei se aprenderemos alguma coisa de fato, se mudaremos nossa lógica de consumo. Não sei se entenderemos que somos todos filhos da mesma terra, que somos irmãos, e o que acontece com um afeta a todos nós. Nesse tempo de confinamento, estamos aprendendo o valor da liberdade de ir e vir, mas acima de tudo o da liberdade de dá liberdade ao outro. Confinar-se por um decreto é para os egoístas, confinar-se para o bem de todos é solidariedade. Todos podemos fazer alguma coisa para o bem comum, e estamos vendo que não é tão dif...