terça-feira, 4 de dezembro de 2007

A origem


Na teologia existe algo que poucos ousam falar a respeito, é a questão da origem do mal. Como o mal e o pecado foram possíveis para um ser perfeito e bom? A maioria responderá que o mal é fruto da liberdade humana e que Deus nada tem haver com ele.

E mesmo não negando que o mal que nos sobreveio é fruto da liberdade que optou pela transgressão, não penso nessa liberdade como uma capacidade do homem para existir fora de Deus ou de fazer qualquer coisa que estivesse fora Dele.

Quando penso no princípio, no Éden, na Queda, lembro que antes de tudo isso o Cordeiro foi imolado, o que faz com que a Queda já aconteça na ambiência desta Graça da Redenção. Assim tudo que sucede a morte do Cordeiro antes da fundação do mundo é processo que caminha para o propósito para quais todas as coisas foram criadas.

Penso que no processo para se chegar à Nova Jerusalém tinha que primeiro vir o Éden. Assim quando o que é Perfeito se manifestar aquilo que é em parte desaparecerá.

Alguém ao ler isso pode dizer que estou dizendo que o pecado era necessário. Ora nunca vivi sem o pecado então não posso dizer nada para além dessa minha condição. O que penso é que nada estava fora Dele.

Não estou afirmando que não houve transgressão. Sim! o homem caiu, mas quem disse que caiu para fora. Estar fora do Éden é estar no Caminho da Nova Jerusalém.

Deus não é um ser que foi pego de surpresa com o ato livre do homem. Afinal todas as coisas cooperam.

Penso que tudo isso, toda a existência, toda história é processo. Adão no Éden não era o objetivo ou a consumação, mas ele também era-é processo. Houve o tempo da inocência, houve a Queda, há a história e chegará a Consumação.

Desta forma, conforme Paulo, creio que aos que de antemão conheceu, a esses predestinou; e aos que predestinou, a esses chamou; e aos que chamou, a esses justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

Tudo chegará a ser conforme o que Ele designou. Ele nos criou para estarmos onde Ele está e para lá estamos indo.

Afinal não foi essa a promessa de Jesus –

“NÃO se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.”
(João 14. 1-4)

Ivo Fernandes

2 comentários:

Samia disse...

Concordo parcialmente com seu discurso. Concordo que tudo foi originado por Deus e que Ele já sabia de tudo que aconteceu, acontece e acontecerá. Quando Deus criou o anjo de luz com poder para dar origem ao mal em sua soberania Ele sabia do que poderia estar fazendo. Permitiu, não como um plano arquitetado (o que me parece estar implícito no seu texto), mas utilizando tal situação para revelar-se. E nesse sentido concordo com seu pensamento: “porque tudo coopera”. Tudo é uma oportunidade para nosso Senhor operar. Considerando o texto de Tiago que afirma “ninguém ao ser tentado diga sou tentado por Deus, pois Deus não tenta a ninguém”. Bom, se Deus não tenta ninguém como Ele poderia gerar, criar, seduzir e tentar até ao ponto de o homem se afastar completamente dEle? Se fosse um plano assim onde não tivéssemos saída ou escolhas todos estariam na nova Jerusalém, e todos entrariam por sua infinita graça salvos. Mas sabemos que não são todos, pois muitos são chamados e poucos escolhidos. Assim concluo o meu pensamento dizendo que estão a caminho sim todos que o amarem e o buscarem de todo o seu coração, todas as suas forças e todo o seu entendimento, esses sim encontrarão morada ao lado do Pai.
Samia Jainara (Seminarista - seminério Batista do Ceará).

Ivo Fernandes disse...

Sâmia querida, paz,
Percebo em seu texto palavras que permeiam a visão arminiana de enxergar Deus e a história da salvação. Palavras como “sabia” “permitiu”. Porém se Deus se utiliza de uma situação com o objetivo de se revelar, isso é plano arquitetado.
Talvez sua dificuldade esteja em não conseguir separar a teologia da moral, gerando a idéia de que se é possível o homem viver completamente afastado de Deus, como existência autônoma.
Continuemos a seguir o Evangelho.

Abraços

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