O Nazareno


Estou convicto! Jesus não fundou nenhuma organização religiosa. Toda doutrina, dogma cristão é uma construção teológica, mas não necessariamente uma verdade absoluta. O que fica claro no estudo a respeito de Jesus é que a comunidade primitiva de fato cria na ressurreição, e que impactados leram toda a história a partir desse acontecimento.

Quem é Jesus? Historicamente pouco sabemos. Na minha busca pessoal me deparei com Jesus que não conhecia, percebi que o Jesus do cristianismo não era o mesmo daquele que agora eu descobria com espanto e paixão. Tal descoberta foi uma verdadeira desconstrução.

O Jesus que encontrei era impressionante, não mais por causa de seus títulos magníficos dados a Ele pela igreja cristã, mas por causa de sua extrema humanidade. Um homem que na vida escolheu pôr-se dos lados dos oprimidos em favor de todos os homens. Um homem movido de profunda compaixão que aceitava como amigos e como iguais os excluídos, libertando-os da vergonha, culpa e humilhação. Um homem com uma fé inabalável no Reino de Deus, reino de serviço e liberdade, justiça paz e alegria, e que por tal fé lutou contra todo sistema de opressão humana.

Seu ensinamento era radical e revolucionário – amai os vossos inimigos – a solidariedade universal onde ninguém será excluído. Jesus foi um homem extraordinário, que recusou toda oferta que ia contra o princípio de solidariedade universal do Reino, mas que ao mesmo tempo estava disposto a morrer para o Reino vir. É justamente a humanidade de Jesus sua maior grandeza.

Não sou contra os títulos dados a Jesus, afinal quem mais do Ele merecia tais títulos? Porém os títulos só fazem real sentido se primeiro entendermos o homem Jesus. É por causa da humanidade de Jesus que creio que Ele é Divino. E por causa Dele toda minha concepção de Deus mudou, pois tudo que sei e creio de Deus Nele está revelado.

Jesus, o Nazareno revela Deus para mim. Não entendo a humanidade de Jesus a partir da divindade, entendo a divindade a partir do homem Jesus. O Deus Nele revelado é um Deus de compaixão por toda a humanidade, que não busca honras por meio de títulos ou ritos religiosos, mas que quer ser servido no próximo – principalmente os fracos e oprimidos.
O Nazareno é meu Senhor e Salvador porque tem me levado a tentar reproduzir sua vida em mim. E amá-lo é amar o ser humano. E crer Nele é crer que o Reino de Deus é a realidade final que me move hoje. Tudo mais são teorias que podem ser questionadas, contestadas e mudadas.

Ivo Fernandes
25 de janeiro de 2010

Comentários

Eduardo Medeiros disse…
Ivo, que belo texto!

É óbvio que o Nazareno não pretendia criar ou organizar a "igreja cristã" e que tudo o que o Nazareno diz da tal igreja cristã, é exatamente construção teológica pós-pascal, assim entendo.

Jesus não quer pregar uma igreja ou uma sinagoga, ele quer pregar o Reino, a libertação dos oprimidos por engrenagens sociais injustas e também por concepções religiosas equivocadas que não produziam vida mas apenas empáfia em quem as praticava.

Também concordo com você em ao dizer que

"É por causa da humanidade de Jesus que creio que Ele é Divino" ,

ou nas palavras de Boff, de tanto humano que era, só poderia mesmo ser deus.

Não sou contra a igreja evangélica cristã, afinal de contas, faço parte de uma, mas vejo que a extrutura sobre a qual ela está atualmente edificada é areia, e tende a desabar.

abraços

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