segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Entrevista concedida ao aluno Clauber Nascimento do STBC

1. Para você o que é ministério pastoral? Até que ponto é um chamado e até que ponto é uma profissão?

O ministério pastoral é um exercício de cuidar e orientar pessoas a partir do ensino do Evangelho, que deve ser exercido por aqueles que de Deus receberam um dom para tal. Por se tratar de um dom só pode ser exercido no caráter de chamado, jamais de profissão.

2. Porque você decidiu ser pastor?

Na verdade não decidi. Na medida em que o dom em mim ia sendo reconhecido pela comunidade fui orientado a me dedicar ao ministério. Sempre relutei muito, porém hoje reconheço o dom que Deus me deu e procuro com cuidado exercer o ministério para o qual fui chamado.

3. Qual sua visão sobre as pessoas que se autodenominam pastores, bispos, apóstolos, etc.?

A história tem mostrado que a maioria dos líderes auto-intitulados não foram e não são indivíduos chamados por Deus. Seus objetivos são escusos, envoltos sempre na divulgação dos seus próprios nomes, buscando sempre a glória própria.

4. O que você acha dos que encaram o ministério pastoral como profissão?

Os que assim pensam ou são ingênuos ou mal-intencionados. Não se pode confundir um chamado espiritual com uma profissão.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Deus Uno - Trino

Deus não pode ser explicado. O deus-explicado é ídolo, produção humana. Penso em Deus como trino e uno, uno e trino, porém a explicação que se faz dogma trinitariano diminui Deus, sendo apenas deus-explicado.

Deus se Revela, não se explica. E penso Nele se revelando no Filho, revelados no Espírito. Sim! Pai, Filho e Espírito. O Deus da criação não é um ser em busca desesperada por companhia. O Deus Pai Filho e Espírito Santo é o Senhor das comunidades.

Deus é Pai, mas não por ser macho, pois seu colo é maternal. É Filho não por ser menor, mas por ser fraterno. É Espírito não por ser invisível, mas por ser Livre.

O Deus Pai Filho e Espírito Santo nos convida a sermos conforme Ele mesmo, preferindo ao próximo em honra. Podemos celebrar a companhia uns dos outros, porque Deus Pai Filho e Espírito Santo está onde dois ou três se reúnem em unidade.

Deus está próximo, pois que há de mais próximo do que Pai e Filho, e que há de mais íntimo do que o Espírito? Deus Pai Filho e Espírito Santo revelou-se em nós, isto é na nossa carne, afim de que possamos participar de sua natureza.

A fé que tenho, tenho para mim mesmo!

Ivo Fernandes
14 de julho de 2009

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A questão da sexualidade no Evangelho

A sexualidade diz respeito a todo um conjunto de fantasias e atividades existentes desde a infância, que produzem prazer e não podem ser reduzidas à satisfação de necessidades fisiológicas. Não se limita a questões genitais ou de procriação, mas designa uma função vital orientada para a busca de um encontro funcional, totalizador e prazeroso.

Além disso, podemos falar de um caráter transcendente da sexualidade, pois ela está presente em cada um de nós e ao mesmo tempo nos escapa. Ela nos ameaça com suas demandas ao mesmo tempo em que nos promete gratificações supremas. Fascínio e terror a cercam. Felicidade e culpa a rodeiam. E essa característica da sexualidade que nos faz dela se defender. Mesmo numa sociedade dita livre a sexualidade é revestida de tabus, se chocando sempre com leis e proibições.

E por estas razões a sexualidade apresenta profundas analogias com a experiência religiosa. O deus-imaginário tem suas origens na dinâmica da sexualidade infantil. A relação da religião com a sexualidade fica tão evidente que vemos a sacralidade do sexo em algumas religiões e as proibições e tabus em outras.

Porém de maneira surpreendente o Evangelho não se ocupa com a problemática sexual. Não há nenhum ensino completo ou sistemático a respeito do assunto. Portanto o privilégio que possui o tema dentro do cristianismo não é em razão do Evangelho. Comportamentos como masturbação, homossexualismo, relações pré-conjugais que atormentam os cristãos não encontram muita referência no Evangelho. É do estoicismo que nasce nossa “moral” sexual e não das páginas do Evangelho.

Jesus nunca se apresentou como inimigo do corpo, pregando sacrifícios e privações. Não foi um asceta, nem um essênio, ao contrário gostava tanto das companhias humanas que foi acusado de comilão e beberrão. Em Jesus vemos em vez de repressão sexual uma forte sublimação. Havia uma paixão em Jesus que o absorvia e canalizava toda a sua energia, a paixão pelo Reino. E foi dedicando-se a esse tema é que podemos ver como o Evangelho tratou do tema da sexualidade.

Os comportamentos sexuais concretos não são objetos de preocupação dos Evangelhos, mas sim as estruturas básicas por meios das quais a sexualidade se desenvolve e produz maiores alienações: a família sacralizada; o pai como símbolo de opressão; e a marginalização da mulher.

É na família onde primeiro a sexualidade se configura, ao mesmo tempo em que primeiro se choca com limitações, proibições, leis. Apesar do inegável valor da família encontramos no Evangelho uma mensagem revolucionária e inquietadora.

Jesus não trata a família como um espaço sacrossanto, nem um espaço para se defender a todo custo, antes estimula aos seus discípulos a superarem os laços de carne e inaugurarem um novo modelo de filiação que desloca a ordem biológica. Laços espirituais entre os homens é que o determina essa nova família universal.

Na nova configuração familiar, as figuras de autoridades são chamadas a ocuparem o lugar de igualdade. Pais se convertem em irmãos, levando os filhos a tornarem-se adultos, autônomos e responsáveis. Desta forma os esquemas neuróticos da sexualidade e da religião sofrem um grande golpe quando se destrona a figura do pai dominante e opressor. Na nova ordem de relações inauguradas pelo Reino, o único vínculo que se estabelece é o da fraternidade no serviço mútuo. E por fim Jesus defende a mulher contra as arbitrariedades dos homens, colocando ela em posição de direitos iguais.

Jesus não nos oferece nenhum código de ética sexual porque espera que o ser adulto movido pelo amor seja seu próprio juiz. O Deus de Jesus de Nazaré não é inimigo do prazer humano, esse inimigo é na verdade o deus-imaginário.

Ivo Fernandes
21 de novembro de 2010

O papel das emoções no desenvolvimento do câncer

O tema proposto ainda é motivo de discussões entre especialistas, apesar da crescente admissão da relação entre as emoções e as doença...