segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A igreja de Jesus


Leitura: Mt 18

Uma das questões que já está muito clara para qualquer mente sensata é que Jesus de Nazaré não fundou nenhuma religião. O cristianismo é produto posterior que guardou muita coisa de sua mensagem, bem como a perverteu bastante. Porém seria ingenuidade dizer que Jesus não deu inicio a nenhum movimento. Seus passos inauguraram um caminho, até hoje seguido por milhares.

Entre a religião cristã e o movimento cristão está o conceito de igreja. Ambos, a religião e o movimento, utilizam esse termo. Assim, a pergunta é: Jesus fundou uma igreja? Se sim! O que era ou como era a igreja de Jesus?

A palavra igreja é a tradução para o termo grego ‘ekklesia’ e significa assembléia. Também pode-se pensar num significado de chamados, convocados e separados. Assim podemos dizer que há dois modelos básicos de igreja. Há os chamados para fora de um sistema e os chamados para dentro.

Analisando o termo conforme aparece nos registros dos Evangelhos e conectando com o todo da mensagem de Jesus, podemos afirmar que Igreja, de acordo com Jesus, é comunhão de dois ou três em Seu Nome e em qualquer lugar, e podem ser quaisquer dois ou três e não apenas um certo tipo de dois ou três.

E quando ele diz “no meu nome” refere-se “conforme seu espírito”. Não se trata de uma comunidade fixa e fechada, como também não há nesse ajuntamento proposto qualquer ideia de reclusão comunitária. Igrejas-denominacionais presas em códigos teológicos, morais e litúrgicos nunca foi uma proposta de Jesus.

O ajuntamento proposto por Jesus tinha um objetivo fundamental: ensinar, e como exemplo para o modelo, ele falou de espalhar sementes, salgar, levar amor, caminhar em bondade, e a sobreviver com dignidade no caminho, com todos os seus perigos e possibilidade (Lc 10).

Nesse ajuntamento não há espaço para qualquer hierarquia entre os envolvidos. E fica claro que somente esses envolvidos foram chamados a responsabilidade do ensino à medida que disseram sim a proposta, pois aos que apenas ouviam sempre foi lhes dado a liberdade de ir e vir à vontade. Não era da vontade de Jesus aglomeração de grandes massas, pois seu objetivo não era tirar ninguém do mundo, da vida, da sociedade, da terra, mas a transformação por meio da fé no Evangelho.

A igreja de Jesus não é um clube, uma agremiação doutrinária, mas um movimento caminhante em que os discípulos são apenas homens que ganharam o entendimento do Reino e vivem como seus cidadãos, não numa ‘comunidade paralela’, mas no mundo real.

“O ajuntamento dos discípulos é apenas uma estação do caminho, não o seu projeto; é um oásis, não o objetivo da jornada; é um tempo, não é o tempo todo; é uma ajuda, não é a vida.”

“A verdadeira igreja não tem sócios, tem apenas gente boa de Deus e que se reúne e ajuda a manter a tudo aquilo que promove a Palavra na Terra.”

O contrário da igreja de Jesus são as igrejas que usam o nome de Jesus mas promovem toda espécie de doença pra alma em razão de seus confinamentos morais e ideológicos

O que quero sendo mentor de uma estação do Caminho da Graça é levar as pessoas a esse entendimento e a essa maturidade, e não tenho intenção em produzir um ambiente fechado de ‘verdades’ indiscutíveis e de falsos moralismos. Dando liberdade a todos de irem e virem quando quiserem, respeitando sempre a vontade de cada um.

Sabendo disso todos podemos fazer uma escolha entre uma ‘comunidade’ que existe em função de si mesma, e para dentro; ou entre um ‘caminho de discípulos’, e que se encontram, mas que não fazem do encontro a razão de ser da vida.

Desejo que nossos encontros nos ajude a sermos pessoas mais humanas, descomplicadas e sadias.

E se há ainda alguma dúvida de como é a igreja de Jesus é simples, seu principal sinal é a manifestação da multiforme Graça de Deus — na forma de amor, perdão, reconciliação, justiça e bondade procedentes da verdade que atua em amor. Pois na igreja de Jesus não há auditores, há amigos. Nela toda angustia humana é tratada em sigilo e paz. O que passar disso não é uma assembleia de Cristo, mesmo que use o seu nome em suas placas!

Ivo Fernandes
22 de agosto de 2014


(As citações em itálico são de Caio Fábio)

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O ensino de Jesus sobre a ansiedade


Leitura: Lucas 12:1-34

Eu nunca fui alguém que possa ter sido considerado patologicamente ansioso, mas sem dúvida fui extremamente mas ansioso que hoje, até porque minha ansiedade atual se refere apenas a necessária para a correta condição da vida.

Porém atendo muitas pessoas que sofrem de diversos tipos de ansiedade, das de origem psicológica até as de natureza orgânico-essencial. A ansiedade pode gerar neurose assim como também pode produzir uma mente paranoica, até o desenvolvimento de Síndrome do Pânico, Hipocondria, Depressão e os surtos de perseguição ou de angustia e medo de morrer.

“Jesus quase não falou de muitos temas que não saem de nossas conversas e preocupações, por exemplo, o amor entre um homem e uma mulher não tem Nele um poema, uma fala, um discurso. E acerca de sexo (outro campeão de audiência entre nós), Ele falou quando forçado pelas circunstâncias ou em razão de questões de outros. Porém, por Ele, espontaneamente, tais temas não foram propostos.”

O mesmo não se pode dizer da ansiedade. A ela Jesus reserva significativo espaço nos seus ensinamentos. E por quê? Porque ao contrário do que pensamos a ansiedade e seus distúrbios não são doenças modernas, mas condições de uma natureza humana caída. É claro que se pode falar de muitas causas secundárias quando se pensa em ansiedade. No entanto, Jesus dedica espaço para esse tema em razão das causas essenciais.

Somos por natureza filhos do tempo, isso nos coloca no mundo hoje com um olhar para o futuro. Somos dotados da capacidade de imaginar, de planejar e portanto de esperar. Ora isso é uma potência criativa, porém o desvio dessas capacidades nos levam a vários distúrbios entre elas a ansiedade, pois a esperança frente ao caos do mundo foi se tornando contra nós, e aquilo que poderia ser criativo foi se tornando paralisante. Desgraça em vez de graça, desesperança em vez de esperança.

No ensino de Jesus sobre o tema fica claro que Ele diagnosticou como causa uma deficiência de fé. Sim seja pela ausência dela, ou por uma perversão da imagem de Deus. A incredulidade é mãe de muitos desesperos mas uma fé pervertida mais ainda, pois da incredulidade pode-se se chegar a letargia da alma, porém os pervetidos na fé produzirão toda espécie de esquizofrenia, neurose e paranoia. E que tipo de fé pervertida é essa? Trata-se da fé que gera no individuo em vez de pacificação ‘esperança’ nervosa em razão das negociações com deus, sejam elas emocionais, morais ou financeiras.

Jesus nos ensina que a cura para a ansiedade está numa entrega total à confiança no reino de Deus; ou no Deus que reina sobre a vida. Ora quem segue o deus deste século não produz frutos de paz porque busca o mundo e seus sucessos, mas Jesus nos ensina a buscar o Reino onde a ânsia de poder, que é o elemento mais ativo na produção de nossa inquietação não existe. Daí sermos chamados a odiar o mundo.

“A ansiedade essencial é fruto da desconfiança básica de todo homem e a cura para esse mal é a fé.”

Ora não confiar é além de tudo presunção, pois quem pode acrescentar um dia a mais a sua vida? Foi justamente quando abri mão da presunção e mergulhei no oceano divino que comecei a viver sem ansiedade. Então, qual o meu segredo: Eu creio! E crer muda tudo em nós.
A pergunta que Jesus fez a muitos e nos faz hoje é a mesma: você crer?

Ivo Fernandes
17 de agosto de 2014


(As citações em itálico são de Caio Fábio)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O caminho do impossível possível


No meu último texto escrito “A decisão de ser discípulo” muitos leitores chegaram a correta conclusão da impossibilidade. Assim dando continuidade vemos no capítulo 18 de Lucas que a questão não é o da impossibilidade, mas o que faremos quando chegamos a essa conclusão. O não-discípulo vira as costas e vai embora, já o discípulo enfrenta a impossibilidade seguindo o caminho que segue abaixo:

Lucas 18

1  E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer,
2 Dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava o homem.
3 Havia também, naquela mesma cidade, uma certa viúva, que ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário.
4 E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens,
5 Todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte, e me importune muito.
6 E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.
7 E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?
8 Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?

A impossibilidade do discipulado se desfaz por meio da oração

9 ¶ E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros:
10 Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano.
11 O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano.
12 Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.
13 O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!
14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.

A impossibilidade do discipulado se desfaz por meio do reconhecimento de nossas fraquezas e incapacidades

15 ¶ E traziam-lhe também meninos, para que ele lhes tocasse; e os discípulos, vendo isto, repreendiam-nos.
16 Mas Jesus, chamando-os para si, disse: Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus.
17 Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele.

A impossibilidade do discipulado se desfaz por meio do reconhecimento da dependência

18 ¶ E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?
19 Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus.
20 Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe.
21 E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade.
22 E quando Jesus ouviu isto, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem, e segue-me.
23 Mas, ouvindo ele isto, ficou muito triste, porque era muito rico.
24 E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!
25 Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
26 E os que ouviram isto disseram: Logo quem pode salvar-se?
27 Mas ele respondeu: As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus.
28 E disse Pedro: Eis que nós deixamos tudo e te seguimos.
29 E ele lhes disse: Na verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou pais, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo reino de Deus,
30 Que não haja de receber muito mais neste mundo, e na idade vindoura a vida eterna.

A impossibilidade do discipulado se desfaz por meio da certeza que não há impossíveis para Deus

31 ¶ E, tomando consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e se cumprirá no Filho do homem tudo o que pelos profetas foi escrito;
32 Pois há de ser entregue aos gentios, e escarnecido, injuriado e cuspido;
33 E, havendo-o açoitado, o matarão; e ao terceiro dia ressuscitará.
34 E eles nada disto entendiam, e esta palavra lhes era encoberta, não percebendo o que se lhes dizia.
35 ¶ E aconteceu que chegando ele perto de Jericó, estava um cego assentado junto do caminho, mendigando.
36 E, ouvindo passar a multidão, perguntou que era aquilo.
37 E disseram-lhe que Jesus Nazareno passava.
38 Então clamou, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim.
39 E os que iam passando repreendiam-no para que se calasse; mas ele clamava ainda mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim!
40 Então Jesus, parando, mandou que lho trouxessem; e, chegando ele, perguntou-lhe,
41 Dizendo: Que queres que te faça? E ele disse: Senhor, que eu veja.
42 E Jesus lhe disse: Vê; a tua fé te salvou.
43 E logo viu, e seguia-o, glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus.

A impossibilidade do discipulado se desfaz por meio da certeza do que realmente queremos

Ivo Fernandes

06 de agosto

O papel das emoções no desenvolvimento do câncer

O tema proposto ainda é motivo de discussões entre especialistas, apesar da crescente admissão da relação entre as emoções e as doença...